A importância de Feira de Santana no contexto nacional não é algo recente, ou proveniente de um fenômeno econômico, mas vem de longo tempo, construída com muita determinação pelo seu povo. Na década de 1970, com a industrialização tomando forma, ao lado do comércio e da agropecuária, a Princesa movimentava plenamente 14 agências bancárias. Um pouco antes, Feira chegou a ter um banco próprio.
Sem jamais perder sua característica nata de expansionismo desde que surgiu como cidade, ou foi elevada a essa categoria, em 16 de junho de 1873, Feira de Santana tem registrado marcas importantes e dificilmente alcançadas por outras urbes do seu porte na região Nordeste, ou até mesmo, falando de forma mais abrangente, em outras partes do País, consideradas mais evoluídas. Princesa do Sertão, com justo merecimento e liderança em vasta parte do estado, Feira de Santana, voltando-se aos anos da década de 1970, já exprimia essa admirável pujança que pode ser constatada de forma indiscutível, buscando-se números oficiais da época.
O município contava com cerca de 200 mil habitantes e sua economia solidificava-se com aproximadamente dois mil estabelecimentos comerciais, e destes, estimativamente, mais de uma centena grossista. O Centro Industrial do Subaé (CIS), que demandava ampla área física, em dois distintos polos: na BR-324 (Rodovia Feira/Salvador), acesso à cidade, e no bairro do Tomba, zona Sul da Princesa, congregava grande número de unidades, algumas de importância significativa e que, adicionadas a outras, fora da denominada área industrial, até mesmo por anteceder ao CIS, somavam 250 empresas ocupando cinco ou mais operários por unidade. Isto representava uma importância singular na ocupação de recursos humanos na região, antes originada da agropecuária e do comércio.
Com tamanha movimentação do comércio e da indústria, além do crescimento do setor de serviços, a área financeira também era compelida à aceleração, formando-se aqui a maior rede bancária do interior da Bahia e somente superada pela existente na capital. Feira contava com 14 agências bancárias em funcionamento e, o mais importante, uma delas de um banco autenticamente feirense. O sertanejo podia se orgulhar desse privilégio. Outro detalhe importante é que a maioria dessas casas financeiras concentrava-se na Rua Conselheiro Franco (Rua Direita), historicamente importante na concepção da urbe.
Ali bem perto, abençoados pela então Matriz de Senhora Santana (hoje Catedral Metropolitana), ao lado de importantes estabelecimentos comerciais, estavam a Escola Normal, atual Centro Universitário de Cultura e Arte, as filarmônicas Vitória e 25 de Março, o Monte Pio dos Artistas Feirenses, o Clube de Diretores Lojistas, a Companhia de Energia Elétrica da Bahia, a Associação Comercial e outras instituições. Todavia, por força do progresso, a Rua Conselheiro Franco (Rua Direita) tornou-se o coração financeiro de Feira de Santana e, consequentemente, da região. Funcionavam nessa via as agências do Banco Mercantil de Minas Gerais, Banco Português do Brasil, Banco Comércio e Industrial S/A, Banco do Brasil, Banco do Nordeste, Banco do Estado da Bahia, Banco Econômico e o Banco Auxiliar de São Paulo.
Fora dessa área de importância vital para o segmento empresarial, estavam outras instituições financeiras: Caixa Econômica Federal, na Praça Remédios Monteiro; Banco Bamerindus do Brasil, na Praça João Pedreira; Banco Comércio e Indústria de Minas Gerais, Banco da Bahia, Banco Brasileiro de Descontos e o Banco Nacional do Espírito Santo, na Praça da Bandeira. Um detalhe ainda mais importante é que, um pouco antes disso, Feira de Santana chegou a ter um banco próprio, ou aqui criado, o Banco Baiano da Produção S/A, fundado pelo empresário e político João Marinho Falcão e administrado pelo filho Antônio da Costa Falcão.
A agência/sede foi instalada na Rua Conselheiro Franco, no local da antiga sede da empresa Marinho Santos & Cia, e em Salvador, em um belo prédio na Rua Miguel Calmon. Depois de anos de funcionamento, houve a fusão com dois outros congêneres, tornando-se Banco Comercial da Produção S/A, expandindo-se para o Norte e o Nordeste, além de instalar agências no Rio de Janeiro e São Paulo. Esse banco de origem feirense chegou a ser o terceiro mais importante entre os estabelecimentos do gênero na Bahia.
Por Zadir Marques Porto
Mudando um pouco o velho conhecido e revelador ditado: quem não deve, não treme!. Por que a esquerda brasileira e seus satélites gritam sem parar, como se estivessem levando peia, contra o reconhecimento pelos Estados Unidos das organizações criminosas brasileiras CV e PCC como grupos terroristas? A defesa que lideranças da esquerda fazem contra a decisão americana leva as pessoas pensarem ainda mais mal destes partidos e políticos. O que temem? O desespero da esquerda esconde e revela dívida robusta.
A justiça americana não tomou a decisão de declarar estas organizações criminosas como terroristas tendo como base a gritaria dos apoiadores brasileiros, como querem os petistas que o povo acredite. Os Estados Unidos, além de Maduro, tem nas suas prisões um sujeito apelidado de El Polo, um ex-general venezuelano que sabe muito sobre a relação da esquerda latina com o narcotráfico. Condenado à prisão perpétua, vai abrir seus arquivos para mudar a pena. Eis o pavor da esquerda tupi.
Questionável seu comportamento, que parece defender crimes e criminosos. E não apenas deles, os políticos, mas de jornalistas e outros formadores de opinião, que defendem abertamente estes grupos ou lobos solitários como fossem organizações sociais sérias. Há quem acredite em intervenção ou incursão militar dos Estados Unidos no Brasil. São idiotizados agindo como se multiplicadores de informação para quem vives nos currais.
Todos sabem que o Brasil é uma republiqueta de bananas, mas não o suficiente para que o Tio Sam aponte e crave suas garras no país. Mesmo com as mais graves mazelas, aqui ainda não é uma Venezuela ou Cuba. Ainda não!
Outros não menos estúpidos choramingam sobre a soberania nacional, que, em sua visão propositalmente distorcida, seria violada, acontecendo alguma ação americana, mesmo que pontual. Estes alienados se esqueceram – ou se recusam a lembrar, que Lula mandou um avião ao Peru raptar a ex-primeira dama, Nedine Heredia, condenada por corrupção. O marido dela, Ollanta Humalaia está preso e condenado a 15 anos, por corrupção.
Para estes amalucados isto não é quebra de soberania. Fizeram isto porque o Peru é um país pequeno. Como já disseram, se o Peru fosse grande, não se atreveriam – sem trocadilhos. Lula foi à Argentina e levantou uma bandeira pedido liberdade para a ex-presidente Cristina Kirchner, condenada a seis anos de prisão e a perda perpétua dos direitos políticos por corrupção. Isto, para eles, não é interferir na soberania alheia. É pimenta no olho dos outros.
Não são poucos os esquerdistas que afirmaram ser o reconhecimento e as medidas duras que serão tomadas pelos EUA prejudiciais à economia brasileira. Como assim, cara pálida? Estes grupos estão tão infiltrados na vida brasileira que o combate a eles atingirá setores da nossa economia? E quais são eles? Claro que as autoridades americanas vão pra cima das instituições financeiras que trabalharam para estas organizações e seus tentáculos. É aí que a cobra vai fumar para quem lavou dinheiro para estes grupos e por onde a grana circula.
Se assim dizem, é porque sabem onde está o dinheiro arrecadado pelo tráfico de drogas e de outras ilicitudes. Ao analisar o desespero de alguns políticos na defesa destes grupos não tem como não relacioná-los ao esquema criminoso. Se temem é porque devem ou sabem quem está envolvido até o pescoço e que a ripa vai engendrar nas costelas deles. Tomara que sim. Gravação de voz de um líder de uma das facções, preso em penitenciária de segurança máxima, é clara. O sujeito afirma que existiam canais de diálogos ‘cabulosos’ com o governo petista, coisas que não existiram durante o mandato de Jair Bolsonaro. Qual o conteúdo destes diálogos?
* João Batista Cruz, jornalista, é um dos fundadores do jornal Tribuna Feirense.
A quantidade de empresas que procuraram os tribunais em busca de recuperação judicial, última tentativa para se manter viva, cresceu sete vezes, entre 2022 e 2025. Passou de 833 – justamente no pós-pandemia, para 5.680, sendo que, neste período, não aconteceu nenhuma hecatombe financeira que explique a bancarrota.
Com números tão, digamos, robustos, como pode a economia se
manter de pé? Um recorde de todos os tempos. Lástima nunca vista na história do
país. Como explicar se a economia está aquecida, como diz o governo?
A resposta não está no vento, mas não é difícil observá-la:
como o governo gasta mais do que arrecada, deixa os juros lá nas nuvens, numa
tentativa para controlar a inflação. A conta quem pega são os pequenos
empreendedores, que tomam empréstimo a 26% ao ano.
São números que derrubam toda e qualquer narrativa governista
de que as coisas andam bem na economia – a não ser na bolha em que vive. Não é
preciso ser economista para perceber que a situação é mais do que preocupante.
Quem bate às portas dos tribunais com este pedido nas mãos
respira por aparelhos. É a última instância para manter a empresa viva. Se o
pedido for aceito por um juiz, o empresário terá três anos para pagar os
débitos aos credores, que passam a enfrentar problemas de caixa.
Gera-se, com isso, o efeito cascata de dificuldades para
sobreviver. Uma lástima que os economistas sérios não devem ignorar. Não podem
deixar que a ideologia queime suas retinas para a situação.
A estatística da economia real do país, não a desejada e
propagandeada pela esquerda, derrubam as narrativas da militância da imprensa e
dos economistas e comentaristas ideologizados. Mostram o contrário do que o
governo petista diz: a economia não está nada boa. De ruim pra pior, como
mostram os indicadores.
A inflação está descontrolada e o desemprego está em alta, ao
contrário do que o IBGE quer que acreditemos, e o PIB, capenga. Os preços cada
vez mais altos nos supermercados, que nem mesmo a reduflação consegue
escamotear e a quantidade de famílias sobrevivendo com repasses dos programas
federais, derrubam a narrativa governista e mostra a crueza da situação que
coloca a nação rumo ao abismo.
Reduflação é quando o fabricante diminui a quantidade ou o
peso de um produto, com o objetivo de reduzir o preço, mas que, na verdade,
tudo continua como antes. Seria um disfarce para a inflação.
Os economistas da esquerda devem saber que recuperação
judicial é outra palavra para desemprego. Na cadeia de cortes de gastos para
equilibrar as contas, os funcionários ocupam a primeira posição.
Eles são os primeiros a serem eliminados, por custarem muito
para as empresas, mesmo sabendo ser imprescindível a mão de obra para a
retomada. Nem os grandes estão livres desta readequação. Recentemente, o Grupo
Matheus, maior atacadista de alimentos do Nordeste, demitiu 6,6 mil
funcionários.
O efeito multiplicador, com efeitos sobre outras cadeias
produtivas, pode tornar esta situação de desemprego ainda maior. Desesperadora.
Com tantas empresas nesta situação não dá para acreditar que o emprego está
bombando e a situação é “céu de brigadeiro”. A não ser que seja petista,
esquerdista.
*Batista Cruz é jornalista.
Atuou, por muitos anos, no Jornal Tribuna Feirense, tendo feito parte da equipe
que fundou o periódico.
Feirense de família abastada e tradicional, foi um incansável defensor da democracia, o que lhe ocasionou a perda do governo municipal em 1964. Mantendo firme o seu ideário, foi eleito deputado federal e, em Brasília, não mudou o tom de voz. Queria o Brasil livre do regime militar e, por conta de um robusto discurso em torno do presidente do Chile, general Augusto Pinochet, foi preso e teve o mandato cassado. Francisco Pinto foi uma voz que não mudou.
Francisco Pinto ou Chico Pinto (Francisco José Pinto dos Santos), foi um dos políticos de Feira de Santana a alcançar maior prestígio no cenário nacional pela sua denodada trajetória em defesa da democracia, sem jamais transigir do seu ideário, mesmo sofrendo consequências marcantes capazes de devastar a pertinácia de líderes idealistas, mas que nunca o abateram. Filho de José Pinto dos Santos — ‘coronel José Pinto’ — e Ignácia Pinto dos Santos — ‘dona Pomba’ (o Hospital da Mulher homenageia-a), Francisco Pinto desde cedo demonstrou um interesse muito grande pelas causas populares ou comunitárias, o que o levou à formatura em Direito, com brilho, pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), em 1954.
A tendência política começou a ser exercitada antes mesmo da conquista do diploma universitário, tanto que em 1950 ele foi eleito vereador e, duas vezes por semana, deslocava-se de Salvador para Feira de Santana para participar das sessões da Casa Legislativa. Na época, a atividade legislativa não era remunerada e Francisco Pinto, como os demais legisladores, nada recebia. O destaque do seu trabalho chamava atenção e repercutia com crescimento no meio político e o respeito do eleitorado. Entre 1950 e 1954, Pinto foi secretário da Câmara, já que não havia essa função mediante salário como hoje.
Assim foi natural a inclusão do seu nome entre os formadores da comissão que foi até o Rio de Janeiro, em 1954, para mediar com o Presidente da República, Getúlio Dornelles Vargas, a implantação do sistema de água encanada da cidade, que fora prometido pelo presidente em visita à Princesa do Sertão, durante a campanha eleitoral. Por conta da morte de Getúlio Vargas, em 24 de agosto do mesmo ano, a promessa ratificada pelo político gaúcho só pôde ser cumprida em 1955 pelo presidente Juscelino Kubitschek.
Vale lembrar que constituíram a comissão, além do ainda estudante de Direito, Francisco José Pinto dos Santos (PSD), os médicos Wilson da Costa Falcão (UDN) e Renato Santos Silva (PR), e os professores Hamilton Cohim (PTB) e Antônio Manoel Araújo (PSD). Atuante no Legislativo feirense, Francisco Pinto conseguiu a implantação de um posto médico e da rede de energia elétrica para o distrito de Humildes. Também foi de sua autoria o projeto concedendo título de Cidadão Feirense ao ministro Simões Filho (fundador do Jornal A Tarde), que procedeu os trabalhos do Governo Federal para a implantação dos sistemas de água e energia elétrica em Feira de Santana.
Eleito prefeito de Feira de Santana pelo Partido Social Democrático (PSD), em 1962, durante histórica disputa com o dentista João Durval Carneiro, Francisco José Pinto dos Santos sentou na cadeira de prefeito em 7 de abril de 1963 e iniciou uma administração dinâmica, reunindo jovens e promissores líderes estudantis que integrariam uma nova geração da política local. Impulsionador da Educação, iniciou as obras do Ginásio Municipal, concluídas pelo seu sucessor Joselito Falcão de Amorim (que dá nome ao estabelecimento escolar), e de outros 10 prédios escolares. Elaborou o primeiro Orçamento Participativo Municipal, instalou a Farmácia do Povo e feiras volantes, além de implantar chafarizes e lavanderias em bairros, dentre outras ações em apenas um ano.
Apesar do elogiável trabalho, foi deposto do cargo pelo governo da Revolução em 1964 e recolhido ao Quartel da Polícia Militar, no Barbalho, em Salvador, onde permaneceu preso por cerca de 50 dias. Em 1970, Francisco Pinto foi eleito deputado federal e, pela sua postura combativa a favor da democracia, foi preso em 1974, após um vigoroso discurso no Congresso Nacional contra a presença do general Augusto Pinochet, presidente do Chile, na posse do presidente do Brasil, general Ernesto Geisel. Foram seis meses de prisão no quartel do Primeiro Batalhão da Polícia Militar, em Brasília, decretada pelo Supremo Tribunal Federal, e ainda teve a perda do mandato, por decisão da Mesa da Câmara Federal. No dia 12 de julho de 1974, entrevistado pelo radialista Lucílio Miranda Bastos (falecido), Francisco Pinto repetiu o que dissera em Brasília sobre o presidente do Chile. A consequência da sua atitude destemida, levada ao ar no dia seguinte — 13 de junho —, através do programa jornalístico ‘O Grande Informativo Matinal’, foi a cassação da Rádio Cultura de Feira de Santana — ZYN–24 — durante quase 10 anos. Antes disso, em 5 de agosto de 1974, a emissora foi notificada pelo Dentel e sofreu suspensão das suas atividades (transmissões) por 15 dias. Fundada em 1950 e então liderada pelo empresário e político Oscar Marques, a emissora foi retirada do ar às 10h52min do dia 18 de março de 1975, por ordem do general Osvaldo Colares, e voltou a operar em 26 de julho de 1985.
Depois da prisão em 1974 e absolvição pelo governo do general Ernesto Geisel, Francisco Pinto voltou à Câmara Federal em 1978 como deputado federal de maior votação na Bahia. Na década de 1990, passou a morar em Brasília, visitando Feira de Santana periodicamente e, embora fora das lides políticas de forma direta, esteve sempre como um experiente consultor. Faleceu em Salvador, aos 77 anos de idade, no dia 19 de fevereiro de 2008.
A Edgar Morin
A humanidade sempre parece ter estado dividida em duas
grandes camadas que se entreolham com pasmo, ou rejeição. De um lado, os que demonstram
uma vontade férrea de julgar, punir e castigar, até mesmo com a eliminação
física, todo e qualquer ato ou comportamento supostamente desviante de
uma certa norma que este mesmo grupo queira ver como inquestionável.
Para estes indivíduos, a humanidade é, em si mesma, um
projeto falido, sendo o homem, com suas fragilidades e pequenezas, um
retumbante fracasso social e espiritual. A fim de garantir sua zona de
conforto, assacam dados supostamente avassaladores: os níveis de violência
social, a corrupção em todas as esferas da sociedade, a demonização da
Política. Para garantir sua própria existência, reivindicam uma liberdade
sem freios, recusam qualquer contrato social que poderia tolher a realização de
seus desejos e caprichos.
Somente a volta a um suposto passado mítico parece ser
o caminho a ser seguido e, entre lamúrias e imprecações, clamam pelo que
consideram “bons tempos passados”, sem jamais serem capazes de convencer aos
outros, aos que não forem perguntados, deste suposto paraíso.
O ressentimento e até mesmo o ódio são os adubos que fazem
crescer sua indignação para com as transformações sociais. Querem a garantia
impossível de uma lei e uma ordem estanques, atemporais.
Do outro lado, uma parte desta mesma humanidade, independente
do seu grau de instrução, diga-se de passagem, parece mesmo manter vivos os
arquétipos fundamentais que mobilizam para uma vida centrada na afetividade.
O primeiro, o arquétipo da criança que, apesar das
desilusões, não cansa de ter esperanças, e se põe à prova, coração na mão, sem
medo de voltar a estender a mão para o próximo, qualquer que seja sua
aparência. Como Sísifo, esta gente não abandona a crença num mundo
melhor e não se furta a traçar estratégias para implantar na terra habitada
a justiça social, como todo rebelde que sai em busca das curas dos males
sociais.
Ao invés da desconfiança no ser humano, esta parte da
humanidade propõe repensar os fundamentos da educação, pois sabe que o ser
humano é produto da educação que recebeu e que o moldou. Lutando pela
liberdade, não perde de vista que, sem a responsabilidade individual, a vida
social se tornaria uma selva onde prevaleceria a lei do mais forte.
E, sabem que não há nenhum paraíso a ser buscado, nem no
passado nem no futuro: o Planeta terra é sua casa e seu destino e, todos os
seus esforços deverão ser despendidos para que sejam criadas as condições para
a prosperidade de todos. E, por isso, começam, cada qual, a reeducar-se para
realizar as revoluções necessárias que devem começar dentro de cada um, em
escala planetária.
Tateando, por vezes à beira do precipício, a humanidade
segue, por vezes retirando a venda dos seus olhos, outras vezes indo ao inferno
pensando encontrar a luz, como nos lembram os versos de Lupicínio Rodrigues, e
cabe a cada um de nós escolher se avançamos com o coração aberto, estendendo a
mão ao próximo, construindo sonhos de olhos abertos, ou se, fechados em
barricadas, continuamos a nos manter isolados, recusando a presença do Outro em
nossa vidas, condenados a viver no medo, eternamente em guerras.
É assim, entre luzes e sombras, que caminha a humanidade,
desde tempos imemoriais, embora contando com tecnologias inovadoras que são
incapazes, por si mesmas, de transformar a história humana.
E não haverá nenhuma saída para escapar da barbárie que não
seja pela educação emancipadora que ensine – pela literatura e pela leitura
literária – a aprender a ser e a viver junto.
Somente assim poderemos quebrar este enfeitiçamento que condena a humanidade a viver sem esperanças e sem compaixão, com os homens e mulheres perdidos em si mesmos, sem autonomia, mesmo achando que são livres para consumir sem limites.
*Humberto Luiz Lima de Oliveira é professor e escritor. Autor do
livro "Crônicas de uma Infância no Sertão: Memórias de uma Família
Brasileira".