A quantidade de empresas que procuraram os tribunais em busca de recuperação judicial, última tentativa para se manter viva, cresceu sete vezes, entre 2022 e 2025. Passou de 833 – justamente no pós-pandemia, para 5.680, sendo que, neste período, não aconteceu nenhuma hecatombe financeira que explique a bancarrota.
Com números tão, digamos, robustos, como pode a economia se
manter de pé? Um recorde de todos os tempos. Lástima nunca vista na história do
país. Como explicar se a economia está aquecida, como diz o governo?
A resposta não está no vento, mas não é difícil observá-la:
como o governo gasta mais do que arrecada, deixa os juros lá nas nuvens, numa
tentativa para controlar a inflação. A conta quem pega são os pequenos
empreendedores, que tomam empréstimo a 26% ao ano.
São números que derrubam toda e qualquer narrativa governista
de que as coisas andam bem na economia – a não ser na bolha em que vive. Não é
preciso ser economista para perceber que a situação é mais do que preocupante.
Quem bate às portas dos tribunais com este pedido nas mãos
respira por aparelhos. É a última instância para manter a empresa viva. Se o
pedido for aceito por um juiz, o empresário terá três anos para pagar os
débitos aos credores, que passam a enfrentar problemas de caixa.
Gera-se, com isso, o efeito cascata de dificuldades para
sobreviver. Uma lástima que os economistas sérios não devem ignorar. Não podem
deixar que a ideologia queime suas retinas para a situação.
A estatística da economia real do país, não a desejada e
propagandeada pela esquerda, derrubam as narrativas da militância da imprensa e
dos economistas e comentaristas ideologizados. Mostram o contrário do que o
governo petista diz: a economia não está nada boa. De ruim pra pior, como
mostram os indicadores.
A inflação está descontrolada e o desemprego está em alta, ao
contrário do que o IBGE quer que acreditemos, e o PIB, capenga. Os preços cada
vez mais altos nos supermercados, que nem mesmo a reduflação consegue
escamotear e a quantidade de famílias sobrevivendo com repasses dos programas
federais, derrubam a narrativa governista e mostra a crueza da situação que
coloca a nação rumo ao abismo.
Reduflação é quando o fabricante diminui a quantidade ou o
peso de um produto, com o objetivo de reduzir o preço, mas que, na verdade,
tudo continua como antes. Seria um disfarce para a inflação.
Os economistas da esquerda devem saber que recuperação
judicial é outra palavra para desemprego. Na cadeia de cortes de gastos para
equilibrar as contas, os funcionários ocupam a primeira posição.
Eles são os primeiros a serem eliminados, por custarem muito
para as empresas, mesmo sabendo ser imprescindível a mão de obra para a
retomada. Nem os grandes estão livres desta readequação. Recentemente, o Grupo
Matheus, maior atacadista de alimentos do Nordeste, demitiu 6,6 mil
funcionários.
O efeito multiplicador, com efeitos sobre outras cadeias
produtivas, pode tornar esta situação de desemprego ainda maior. Desesperadora.
Com tantas empresas nesta situação não dá para acreditar que o emprego está
bombando e a situação é “céu de brigadeiro”. A não ser que seja petista,
esquerdista.
*Batista Cruz é jornalista.
Atuou, por muitos anos, no Jornal Tribuna Feirense, tendo feito parte da equipe
que fundou o periódico.