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Colunista Convidado: Batista Cruz

Economia: se está tudo indo bem, por que tanta quebradeira?

Batista Cruz - 29 de Maio de 2026 | 09h 30
Economia: se está tudo indo bem, por que tanta quebradeira?
Foto: Ilustração/iStock

A quantidade de empresas que procuraram os tribunais em busca de recuperação judicial, última tentativa para se manter viva, cresceu sete vezes, entre 2022 e 2025. Passou de 833 – justamente no pós-pandemia, para 5.680, sendo que, neste período, não aconteceu nenhuma hecatombe financeira que explique a bancarrota.

Com números tão, digamos, robustos, como pode a economia se manter de pé? Um recorde de todos os tempos. Lástima nunca vista na história do país. Como explicar se a economia está aquecida, como diz o governo?

A resposta não está no vento, mas não é difícil observá-la: como o governo gasta mais do que arrecada, deixa os juros lá nas nuvens, numa tentativa para controlar a inflação. A conta quem pega são os pequenos empreendedores, que tomam empréstimo a 26% ao ano.

São números que derrubam toda e qualquer narrativa governista de que as coisas andam bem na economia – a não ser na bolha em que vive. Não é preciso ser economista para perceber que a situação é mais do que preocupante.

Quem bate às portas dos tribunais com este pedido nas mãos respira por aparelhos. É a última instância para manter a empresa viva. Se o pedido for aceito por um juiz, o empresário terá três anos para pagar os débitos aos credores, que passam a enfrentar problemas de caixa.

Gera-se, com isso, o efeito cascata de dificuldades para sobreviver. Uma lástima que os economistas sérios não devem ignorar. Não podem deixar que a ideologia queime suas retinas para a situação.

A estatística da economia real do país, não a desejada e propagandeada pela esquerda, derrubam as narrativas da militância da imprensa e dos economistas e comentaristas ideologizados. Mostram o contrário do que o governo petista diz: a economia não está nada boa. De ruim pra pior, como mostram os indicadores.

A inflação está descontrolada e o desemprego está em alta, ao contrário do que o IBGE quer que acreditemos, e o PIB, capenga. Os preços cada vez mais altos nos supermercados, que nem mesmo a reduflação consegue escamotear e a quantidade de famílias sobrevivendo com repasses dos programas federais, derrubam a narrativa governista e mostra a crueza da situação que coloca a nação rumo ao abismo.

Reduflação é quando o fabricante diminui a quantidade ou o peso de um produto, com o objetivo de reduzir o preço, mas que, na verdade, tudo continua como antes. Seria um disfarce para a inflação.

Os economistas da esquerda devem saber que recuperação judicial é outra palavra para desemprego. Na cadeia de cortes de gastos para equilibrar as contas, os funcionários ocupam a primeira posição.

Eles são os primeiros a serem eliminados, por custarem muito para as empresas, mesmo sabendo ser imprescindível a mão de obra para a retomada. Nem os grandes estão livres desta readequação. Recentemente, o Grupo Matheus, maior atacadista de alimentos do Nordeste, demitiu 6,6 mil funcionários.

O efeito multiplicador, com efeitos sobre outras cadeias produtivas, pode tornar esta situação de desemprego ainda maior. Desesperadora. Com tantas empresas nesta situação não dá para acreditar que o emprego está bombando e a situação é “céu de brigadeiro”. A não ser que seja petista, esquerdista.

 

 



 

*Batista Cruz é jornalista. Atuou, por muitos anos, no Jornal Tribuna Feirense, tendo feito parte da equipe que fundou o periódico.



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