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  • Feira de Santana, quarta, 10 de junho de 2026

Colunista Convidado: Zadir Marques Porto

Nos anos 70, a cidade contava com 14 agência bancárias, e já teve banco local

10 de Junho de 2026 | 10h 02
Nos anos 70, a cidade contava com 14 agência bancárias, e já teve banco local
Foto: Divulgação

A importância de Feira de Santana no contexto nacional não é algo recente, ou proveniente de um fenômeno econômico, mas vem de longo tempo, construída com muita determinação pelo seu povo. Na década de 1970, com a industrialização tomando forma, ao lado do comércio e da agropecuária, a Princesa movimentava plenamente 14 agências bancárias. Um pouco antes, Feira chegou a ter um banco próprio.

Sem jamais perder sua característica nata de expansionismo desde que surgiu como cidade, ou foi elevada a essa categoria, em 16 de junho de 1873, Feira de Santana tem registrado marcas importantes e dificilmente alcançadas por outras urbes do seu porte na região Nordeste, ou até mesmo, falando de forma mais abrangente, em outras partes do País, consideradas mais evoluídas. Princesa do Sertão, com justo merecimento e liderança em vasta parte do estado, Feira de Santana, voltando-se aos anos da década de 1970, já exprimia essa admirável pujança que pode ser constatada de forma indiscutível, buscando-se números oficiais da época.

O município contava com cerca de 200 mil habitantes e sua economia solidificava-se com aproximadamente dois mil estabelecimentos comerciais, e destes, estimativamente, mais de uma centena grossista. O Centro Industrial do Subaé (CIS), que demandava ampla área física, em dois distintos polos: na BR-324 (Rodovia Feira/Salvador), acesso à cidade, e no bairro do Tomba, zona Sul da Princesa, congregava grande número de unidades, algumas de importância significativa e que, adicionadas a outras, fora da denominada área industrial, até mesmo por anteceder ao CIS, somavam 250 empresas ocupando cinco ou mais operários por unidade. Isto representava uma importância singular na ocupação de recursos humanos na região, antes originada da agropecuária e do comércio.

Com tamanha movimentação do comércio e da indústria, além do crescimento do setor de serviços, a área financeira também era compelida à aceleração, formando-se aqui a maior rede bancária do interior da Bahia e somente superada pela existente na capital. Feira contava com 14 agências bancárias em funcionamento e, o mais importante, uma delas de um banco autenticamente feirense. O sertanejo podia se orgulhar desse privilégio. Outro detalhe importante é que a maioria dessas casas financeiras concentrava-se na Rua Conselheiro Franco (Rua Direita), historicamente importante na concepção da urbe.

Ali bem perto, abençoados pela então Matriz de Senhora Santana (hoje Catedral Metropolitana), ao lado de importantes estabelecimentos comerciais, estavam a Escola Normal, atual Centro Universitário de Cultura e Arte, as filarmônicas Vitória e 25 de Março, o Monte Pio dos Artistas Feirenses, o Clube de Diretores Lojistas, a Companhia de Energia Elétrica da Bahia, a Associação Comercial e outras instituições. Todavia, por força do progresso, a Rua Conselheiro Franco (Rua Direita) tornou-se o coração financeiro de Feira de Santana e, consequentemente, da região. Funcionavam nessa via as agências do Banco Mercantil de Minas Gerais, Banco Português do Brasil, Banco Comércio e Industrial S/A, Banco do Brasil, Banco do Nordeste, Banco do Estado da Bahia, Banco Econômico e o Banco Auxiliar de São Paulo.

Fora dessa área de importância vital para o segmento empresarial, estavam outras instituições financeiras: Caixa Econômica Federal, na Praça Remédios Monteiro; Banco Bamerindus do Brasil, na Praça João Pedreira; Banco Comércio e Indústria de Minas Gerais, Banco da Bahia, Banco Brasileiro de Descontos e o Banco Nacional do Espírito Santo, na Praça da Bandeira. Um detalhe ainda mais importante é que, um pouco antes disso, Feira de Santana chegou a ter um banco próprio, ou aqui criado, o Banco Baiano da Produção S/A, fundado pelo empresário e político João Marinho Falcão e administrado pelo filho Antônio da Costa Falcão.

A agência/sede foi instalada na Rua Conselheiro Franco, no local da antiga sede da empresa Marinho Santos & Cia, e em Salvador, em um belo prédio na Rua Miguel Calmon. Depois de anos de funcionamento, houve a fusão com dois outros congêneres, tornando-se Banco Comercial da Produção S/A, expandindo-se para o Norte e o Nordeste, além de instalar agências no Rio de Janeiro e São Paulo. Esse banco de origem feirense chegou a ser o terceiro mais importante entre os estabelecimentos do gênero na Bahia.

 

Por Zadir Marques Porto



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