O prefeito José Ronaldo e o governador Jerônimo Rodrigues voltaram a se encontrar ontem, depois de quatro meses. Salvo engano, eles estiveram juntos pela última vez na Governadoria, em 26 de janeiro, para uma conversa política, da qual participou o senador Jaques Wagner, supostamente em uma tentativa de atrair o gestor municipal para a campanha de reeleição de Jerônimo.
A aliança terminou não acontecendo, mas fora criado um suspense muito grande naquele momento, diante da postura de Ronaldo, de não descartá-la de imediato. Ele teria pedido um prazo até março, para decidir, alimentando as esperanças dos petistas e, ao mesmo tempo, fazendo ACM Neto ter pesadelos. Até a data em que anunciou seu apoio ao ex-prefeito de Salvador.
Nesta terça, prefeito e governador estiveram em um mesmo ambiente, a solenidade oficial na Lagoa Grande para a entrega de 458 títulos de regularização fundiária a moradores do bairro Rocinha. Estado e Município fizeram juntos este benefício. Os dois líderes demonstraram, senão os mesmos sorrisos e ares de possível proximidade política de encontros anteriores, respeito e postura institucional que de ambos se espera.
Foi um ato público significativo para aquelas centenas de famílias, que aguardavam pela escritura, documento que lhes garante a posse de suas propriedades de maneira definitiva.
O repórter Paulo José, do programa Acorda Cidade, fez uma pergunta objetiva ao prefeito, assim que Ronaldo chegou ao local: "Como é que está essa parceria institucional com o governador Jerônimo Rodrigues?" O chefe do Executivo local respondeu da seguinte forma, e bem ao seu estilo.
- Sempre haverá de Zé Ronaldo respeito às autoridades. O governador é uma autoridade constituída e Zé Ronaldo também é. Então, com certeza, sempre haverá o respeito de Zé Ronaldo às autoridades constituídas. O governador vindo a Feira de Santana e me convidando, sempre estarei presente. Não é toda hora que eu posso estar persente. Às vezes o convite vem de última hora, a gente já tá fora, em algum outro local. Mas sempre que a gente for convidado e não tiver nenhum impedimento, será um prazer comparecer.
O repórter não questionou se ele, Ronaldo, está mantendo ou se vai continuar mantendo boa relação, respeitosa, com o governador. Ele quis saber, com outras palavras, se ambos continuam com a mesma empatia de tempos atrás.
De forma simples e direta, o prefeito poderia ter dito "a parceria institucional está do mesmo jeito". Mas não foi exatamente estes os termos da resposta, que desviou o curso, passou distante de ser objetiva. Não ficou claro que tudo continua como d'antes. Os curiosos que acompanham a política sem perder os mínimos detalhes devem estar matutando, a essa hora.
Nas redes sociais, muita gente comentando uma cena, gravada, em que o governador Jerônimo Rodrigues é visto "tomando" das mãos do deputado Zé Neto uma garrafinha de água, durante a cerimônia na Lagoa Grande, para entrega de escrituras de propriedade para centenas de famílias do bairro Rocinha. Não, o governador não queria dar um gole. Aparentemente, enquanto José Ronaldo discursava, o deputado apertava a garrafa de plástico com as mãos, fazendo o conhecido barulho desse atrito.
Cara séria, Jerônimo esticou o braço e, sem pedir licença, arrebatou o objeto, entregando-o em seguida a um assessor. Neto riu, e fez certo. Nessas situações, o melhor é descontrair, para não passar recibo. Mas pagou mico e está sendo criticado pelos internautas. Mesmo que não tenha sido esta sua intenção, ficou parecendo que desejava atrapalhar a fala do orador, seu adversário político. Jerônimo, por sua vez, marcou ponto com os internautas, por sua postura sensata.
Uma notícia dominou o fim de tarde da segunda-feira, na imprensa nacional, o baita prejuízo dos Correios, no primeiro trimestre deste ano, estratosférica cifra de R$ 3,16 bilhões. Isto dá mais de R$ 1 bi por mês. A empresa pública dá prejuízo há quatro anos seguidos: R$ 767,5 milhões em 2022; R$ 596,6 milhões em 2023; R$ 2,6 bilhões em 2024; assombrosos R$ 8,5 bi em 2025. E começa o novo ano demonstrando que vai repetir o desastre anterior. É, de longe, a maior crise dos últimos 10 anos, infinitamente maior que a do biênio 2015 (déficit de R$ 2,1 bilhão)-2016 (R$ 1,4 bilhão).
Em sua "era de ouro", a companhia respirou com uma
sequência de cinco exercícios consecutivos de lucro: R$ 667 milhões em
2017; R$ 1,61 bi em 2018; R$ 1,53 bi em 2019; R$ 1,53, 2020 e R$ 3,7 bi, 2021.
O impulso desse período tem causas diversas, como o início da expansão do
e-commerce, o crescimento das entregas na pandemia de Covid e o boom do
comércio eletrônico.
A crise dos anos 2015-16, segundo os analistas, foi provocada
por fatores como defasagem nas tarifas, perda de mercado em correspondências
físicas e alto custo dos planos de saúde dos funcionários. Já a tragédia do
período de 2023 até agora, eles creditam, por exemplo, à criação de frotas
próprias dos grandes marketplaces (shopping centers virtuais) e à tributação
sobre compras internacionais de baixo valor (taxa das blusinhas).
De 2016 a 2026, uma década, são sete presidentes. O
atual, Emmanoel Schmidt, funcionário de carreira do Banco do Brasil, está no
cargo há pouco tempo, desde setembro do ano passado. Entrou disposto a
reestruturar dívidas, cortar custos operacionais e gerenciar demissões
voluntárias. O resultado inicial do seu trabalho é catastrófico.
Aparentemente, não tem gestor que dê jeito. E não tem cofre público que aguente um negócio desse. Não é justo que o Tesouro Nacional, ou seja, nós, os contribuintes, tenhamos de bancar este absurdo. O Governo Federal, presidente Lula e sua equipe (afinal, os últimos quatro anos estão sob sua responsabilidade), precisam e devem fazer algo para conter esta sangria. Por enquanto, assistem, passivamente. É pura incompetência ou descaso com o dinheiro público?
Aos poucos, o Governo do Estado vem buscando realizar as
adequações necessárias no Aeroporto Governador João Durval, de Feira de
Santana, para que um dia - não se sabe quando – este equipamento venha a
funcionar efetivamente.
Nesta terça (2), conforme prometido, ontem (1º), pelo
governador Jerônimo Rodrigues, foi publicada, no Diário Oficial do Estado, a
licitação a ser realizada no dia 19 deste mês, para contratação de empresa,
visando a elaboração de projeto executivo, ampliação e adequação do pátio das
aeronaves e taxiway do aeroporto. Não foi divulgado o valor do investimento.
Recentemente, apresentamos, nesta coluna, os investimentos
que estão sendo feitos no aeroporto de Caruaru, Pernambuco. Fizemos uma
comparação com o que acontece com o aeroporto feirense. Somente o governo
daquele estado está injetando R$ 150 milhões na "modernização
completa" do terminal de passageiros e pátio de aeronaves. "Caruaru é
um país", diz a entusiasmada governadora Raquel Lira.
Por sua vez, a União, através do Ministério dos Portos e Aeroportos,
anunciou R$ 140 milhões para novo estacionamento, meio-fio e via de acesso,
área de check-in, salão de embarque,
sala de desembarque e praça de alimentação. Enquanto isso, o Governo da
Bahia investiu algo em torno de R$ 10 milhões na ampliação da pista, obra que
está sendo concluída. A União, menos ainda, muito menos, para bancar
"estudos e projetos básicos".
Bem, estamos caminhando, de qualquer sorte. Vamos aguardar que, logo depois do pátio, o governador Jerônimo possa anunciar a realização de uma outra etapa e, assim, sucessivamente, até que o aeroporto de Feira possa realmente corresponder à importância econômica da cidade para o Nordeste.
Durante uma década, fui patrão, na área do jornalismo. Como
sócio-majoritário e diretor-geral do inesquecível Jornal Tribuna Feirense,
assinei a carteira de cerca de 200 trabalhadores das mais diversas áreas, em
mais de uma década de gestão. Aquele diário, que está na história da mídia
impressa de Feira de Santana, chegou a contar, em seus melhores momentos, com
37 funcionários de carteira assinada e mais oito estagiários.
Um jornal é feito por várias especialidades profissionais.
Além dos jornalistas, que atuam como repórteres, editores e revisores, temos os
fotógrafos e diagramadores. Estamos falando da redação. Mas há, ainda,
necessidade de pessoal das áreas gráfica e administrativa, motoristas,
entregadores, cobradores, vendedores de assinaturas e publicidade (departamento
comercial).
A marca permanece viva graças à persistência do médico e
jornalista César Oliveira. Quando desisti da empresa, ele comprou as minhas
ações, assumiu o barco e não deixou o sonho morrer. Manteve o veículo, por
algum tempo, circulando nas bancas e entre os assinantes, já de volta à
condição de semanário.
Com a Internet cada vez mais sufocando os impressos, a
Tribuna passou a informar e opinar sobre Feira, o Brasil e o mundo como um
portal, este em que vos escrevo. Bem, mas a saga da Tribuna não é o assunto de
hoje. Desejo levar ao nosso inteligente público um ponto de vista sobre a
polêmica e iminente fim da escala 6 por 1 do operariado brasileiro – trabalho
seis dias na semana, folga aos domingos.
Relembrei a minha experiência de empregador, apenas para
registrar, junto ao respeitável público, que conheço, razoavelmente, as duas
faces da moeda, pois também atuei como funcionário da iniciativa privada, por,
pelo menos, 20 anos.
Reduzir a carga horária semanal, de 44 para 40 horas,
evidentemente, é algo que preocupa a classe patronal. É compreensível, diante de
uma mudança que vai impactar as empresas. Todavia, porém, entretanto,
modestamente, vejo como algo necessário. Segundo as autoridades em saúde dos
trabalhadores, que não preciso mencionar aqui, repercutirá, de forma favorável,
na qualidade de vida destes.
O empregador, no Brasil, é sacrificado com impostos elevados,
além de arcar com despesas adicionais ao salário, para manter os próprios
funcionários. Indiscutível. Não é razoável, contudo, deixar de proporcionar
condições mais humanas ao proletariado, em função da absurda carga tributária
que o governo impõe a quem produz, gera emprego e renda. Este é um outro
problema, muito sério e que também deve ser reparado, mas em separado.
Há os que defendem, legitimamente, pois o pensamento é livre,
que o governo não deveria intrometer-se nessa questão e deixar que patrões e
empregados decidam. Até existem situações em que isto se torna possível. Mas
imaginar que o empregador, no Brasil, espontaneamente, vai reduzir a carga
horária de seu funcionário, não dá para crer. É, sim, algo que, para ser universalizado,
depende mesmo da Emenda Constitucional que está sendo votada.
Dizem que é uma ação meramente eleitoral, do presidente Lula,
em seu esforço pela reeleição. Pode ser que esta seja uma de suas intenções. Este
é o tipo de medida que deve ser adotada em início de gestão, para não deixar
transparecer a intenção de captar o voto. Mesmo assim, tardiamente aprovada,
como deverá ser, tem inegável valor.
É possível, sim, que, neste período de adaptação, ocorra desemprego
em vários segmentos, risco que parece inevitável enfrentar. O empresariado
brasileiro, porém, bravo e criativo, haverá de compreender que a medida, em
princípio dura, é extremamente necessária para que os seus funcionários possam
desfrutar de um descanso mais racional. E, não tenho dúvida, vai buscar as
necessárias adequações. Em um futuro próximo, estaremos adaptados.
A Copa do Mundo vem aí, mas dois assuntos, especialmente,
estão dando muito mais "ibope" no Brasil, nos últimos dias: a
aprovação, na Câmara dos Deputados, do fim da escala 6x1 para os trabalhadores
e a classificação de terroristas, pelos Estados Unidos, das facções PCC e
Comando Vermelho. Agora, estes grupos criminosos entram no radar da potência
econômica, bélica e tecnológica.
Deixemos o futebol para depois. Afinal, o Mundial ainda vai
começar dia 11 de junho. O debate sobre a redução da carga de trabalho ainda
vai precisar passar pelo Senado. Aprovada a Proposta de Emenda Constitucional,
sancioná-la vai ser muito tranquilo, posto que a sugestão é do próprio
presidente da República.
Vamos, então, conversar sobre algo mais concreto, mais
próximo: a decisão do presidente americano sobre as facções já entra em vigor
dia 5 do mês vindouro. Medida considerada boa ao Brasil, para muita gente, mas
também mal vista por outros tantos brasileiros. Na verdade, existe uma divisão
muito clara de opinião sobre o assunto. Quem é de direita, apoia e aplaude a
medida; a esquerda, a abomina.
E é assim mesmo que funciona, de uns tempos pra cá. Ao
eleitor de Lula, não importa o que seja. Se partiu da cabeça de alguém do
bolsonarismo, não presta - no caso do novo status conferido às facções, pelos
Estados Unidos, a iniciativa foi do senador Flávio Bolsonaro, que esteve na
Casa Branca com seu irmão ex-deputado Eduardo e conseguiu convencer
Trump.
O bolsonarista, por sua vez, tem a mesma linha radicalíssima.
Não há nada, absolutamente nada, que tenha origem no PT, com alguma serventia.
São dois campos magnéticos incompatíveis, uma divergência de pensamento
visceral.
Evidentemente, pode e deve haver exceções à regra, entre os
que cultuam a política de direita ou de esquerda. Mas não perca muito o seu
tempo procurando, porque é muito difícil de achar um desses que conseguem se
libertar da paixão e pensar com alguma razoabilidade sobre qualquer ação do
lado oposto.
Bem, a legislação brasileira tipifica o terrorismo como a
prática de atos violentos por razões de xenofobia, discriminação e preconceito,
com a finalidade de provocar terror social ou generalizado. Por estes
conceitos, PCC e Comando Vermelho não se enquadrariam.
A lei nacional, porém, não tem o poder de impedir
entendimento diferente sobre o terrorismo por parte de uma outra nação. O
Brasil não conseguiu combater com eficiência o narcotráfico, nessas últimas
três décadas em que o crime se desenvolveu. Também não parece haver dúvida
quanto a influência continental dessas facções.
Daí, com ou sem pedido de Flávio, qualquer dia os Estados
Unidos viriam a tomar essa decisão, como já o fizeram em relação a México e
Venezuela. O pensamento da direita é que os americanos, de algum modo, devem
ajudar o Brasil nesta guerra e que isto não representaria risco algum à
soberania do país. Na economia, os prejudicados seriam as instituições
financeiras que apoiam o tráfico.
Na esquerda, a ideia é que, com a nova classificação, os
Estados Unidos podem restringir as relações financeiras de empresas brasileiras
com americanas e causar danos à nossa economia. Além de abrir um precedente
para ações militares de suas forças no Brasil, mesmo que não haja risco algum
de uma prisão de Lula por suspeita de sua associação ao crime, diferentemente
do que ocorreu com Nicolas Maduro.
Bolsonaro e seus filhos já fizeram muita bobagem. O amigo
deles, Trump, parece ser um presidente meio maluco, meio inconsequente. O tal
secretário de Estado Marco Rubio, idem. O Brasil pode reclamar, é claro, da
decisão. Mas os Estados Unidos, tem, sim, o direito de colocar facções, sejam
de onde forem, que representem ameaça aos americanos, no lugar de terroristas.
Na verdade, caso algum instituto faça uma pesquisa, a maioria
dos próprios brasileiros vai dizer que PCC e Comando Vermelho são, sim,
organizações de terror. Por enquanto, há muita especulação sobre os
desdobramentos dessa medida do governo americano. Não sabemos quais
consequências realmente virão, só o tempo dirá. Esperamos não haver nada além
de cooperação internacional para nos ajudar a vencer o desafio.
Uma coisa é certa: se existem autoridades, empresários,
dirigentes de instituições financeiras, de rabo preso ou em conluio com essas
organizações, devem pôr a barba de molho. Não é mais somente o Brasil, com sua
letargia, conivência e incompetência, históricas, que estará de olho.