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Valdomiro Silva

O prejuízo estratosférico dos Correios e a passividade do Governo Federal

VALDOMIRO SILVA - 02 de Junho de 2026 | 15h 55
O prejuízo estratosférico dos Correios e a passividade do Governo Federal
Foto: Reprodução

Uma notícia dominou o fim de tarde da segunda-feira, na imprensa nacional, o baita prejuízo dos Correios, no primeiro trimestre deste ano, estratosférica cifra de R$ 3,16 bilhões. Isto dá mais de R$ 1 bi por mês. A empresa pública dá prejuízo há quatro anos seguidos: R$ 767,5 milhões em 2022; R$ 596,6 milhões em 2023; R$ 2,6 bilhões em 2024; assombrosos R$ 8,5 bi em 2025. E começa o novo ano demonstrando que vai repetir o desastre anterior. É, de longe, a maior crise dos últimos 10 anos, infinitamente maior que a do biênio 2015 (déficit de R$ 2,1 bilhão)-2016 (R$ 1,4 bilhão). 

Em sua "era de ouro", a companhia respirou com uma sequência de cinco exercícios consecutivos de lucro:  R$ 667 milhões em 2017; R$ 1,61 bi em 2018; R$ 1,53 bi em 2019; R$ 1,53, 2020 e R$ 3,7 bi, 2021. O impulso desse período tem causas diversas, como o início da expansão do e-commerce, o crescimento das entregas na pandemia de Covid e o boom do comércio eletrônico.

A crise dos anos 2015-16, segundo os analistas, foi provocada por fatores como defasagem nas tarifas, perda de mercado em correspondências físicas e alto custo dos planos de saúde dos funcionários. Já a tragédia do período de 2023 até agora, eles creditam, por exemplo, à criação de frotas próprias dos grandes marketplaces (shopping centers virtuais) e à tributação sobre compras internacionais de baixo valor (taxa das blusinhas). 

De 2016 a 2026, uma década, são sete presidentes.  O atual, Emmanoel Schmidt, funcionário de carreira do Banco do Brasil, está no cargo há pouco tempo, desde setembro do ano passado. Entrou disposto a reestruturar dívidas, cortar custos operacionais e gerenciar demissões voluntárias. O resultado inicial do seu trabalho é catastrófico. 

Aparentemente, não tem gestor que dê jeito. E não tem cofre público que aguente um negócio desse.  Não é justo que o Tesouro Nacional, ou seja, nós, os contribuintes, tenhamos de bancar este absurdo. O Governo Federal, presidente Lula e sua equipe (afinal, os últimos quatro anos estão sob sua responsabilidade), precisam e devem fazer algo para conter esta sangria. Por enquanto, assistem, passivamente. É pura incompetência ou descaso com o dinheiro público?



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