Duas a quatro semanas. Este é o prazo a correr para aprovação, ou não, da documentação do consórcio selecionado na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) visando a construção do futuro Hospital Municipal de Feira de Santana, bem como a operação de serviços não assistenciais a serem prestados pela unidade.
Esta é a próxima fase a ser cumprida no ideal da Prefeitura, de oferecer este equipamento à população. Ou seja: ainda não é possível afirmar que o Consórcio Saúde Feira de Santana, nome dado ao pool de seis empresas, será responsável pela empreitada.
Vai precisar antes passar pelo crivo de analistas da própria Bolsa e também do Município, conforme informações que obtive em conversa neste sábado com as duas principais fontes municipais responsáveis pelo projeto, o prefeito José Ronaldo e o secretário de Saúde, Rodrigo Matos.
Esta etapa cumprida na sexta-feira, o leilão na Bolsa de Valores, começou com a habilitação dos dois consórcios concorrentes. Terminou com a vitória, por menor preço, do grupo constituído pelas seguintes empresas:
Supramed Serviços de Apoio à Saúde, Arq Comércio, Construção e Administração, Cartemono Participações, Era Técnica em Engenharia e Construções e Serviços, Instituto Nacional de Desenvolvimento Social e Humano e Hack Engenharia.
Agora, acontece a fase que antecede a assinatura de contrato, a aptidão documental do consórcio. Uma vez tudo ok com a papelada, assina-se o termo contratual e é declarado o vencedor.
O secretário acredita que não deverá haver surpresas. "Foi uma medida muito acertada, do ponto de vista da segurança, levar este procedimento licitatório para a Bolsa". O órgão, ele diz, tem expertise e credibilidade nesses processos.
A proposta selecionada, de R$ 6 milhões e 287 mil reais, menor valor global apresentado, é o estimado, pelo consórcio consagrado, para custeio mensal da unidade - gestão, limpeza, manutenção de equipamentos, etc .
Não entra nessa demanda a parte da prestação do serviço assistencial, que envolve o trabalho da área médica propriamente dita (contratação de médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem e outros profissionais de diversas especialidades).
A Prefeitura pode fazer concurso e selecionar esse pessoal ou realizar um outro procedimento licitatório para contratação de empresa fornecedora de mão de obra, como acontece em Unidades de Pronto Atendimento (UPA's), policlínicas e postos de saúde.
É assunto para mais adiante. Mas esta segunda hipótese, sem dúvida, é a mais provável de ser escolhida pelo Poder Executivo.
Explodiu em Feira de Santana, nos últimos dias, uma investigação, pela Polícia Civil, do caso de um perfil anônimo, nas redes sociais, responsável por uma série de falsas denúncias envolvendo personalidades locais, principalmente integrantes do quadro de servidores municipais, contra os quais comete os crimes de injúria, calúnia e difamação. Segundo informações divulgadas hoje, nos meios de comunicação, o investigado é um funcionário de empresa terceirizada que presta serviços à Prefeitura.
Conforme o delegado Rafael Almeida, as publicações atingem até o foro íntimo das pessoas. O registro, por parte das vítimas, de boletins de ocorrência, resultaram na ação da polícia em torno dos vários crimes digitais que estavam sendo cometidos. Diz a autoridade: “O Brasil vive em um Estado Democrático de Direito, onde todos podem se manifestar e expor opiniões, mas não de forma anônima para atribuir crimes a terceiros pessoas”. Pior ainda ainda, caro delegado, sem dar qualquer chance de defesa. Uma covardia muito grande.
O suspeito de uso criminoso do perfil nas redes sociais foi identificado por meio de técnicas de investigação autorizadas pela Justiça, incluindo quebra de sigilo de dados telemáticos. Expedido mandado de busca e apreensão, celulares foram recolhidos para perícia, na residência do investigado. Calúnia, injúria e difamação são os crimes que lhe estão sendo atribuídos, previstos na legislação.
O delegado informa que, após apresentação de provas técnicas, já houve confissão, por parte do suspeito, de ser o administrador da conta utilizada para disseminar as publicações. O homem foi conduzido à delegacia, mas não está preso, pois não houve pedido de preventiva: “ele não possui histórico relevante de criminalidade, embora já tenha tido passagem policial anterior relacionada a outro tipo de ocorrência”.
Ao menos, a Justiça já determinou o bloqueio da tal conta, que se encontra inativa, neste momento. Há indícios, e a polícia está apurando, do envolvimento de outras pessoas nestes crimes. O delegado observa que não apenas o responsável pelo perfil pode responder judicialmente, “mas também seus colaboradores (quem lhe enviou informações falsas, por exemplo)”.
O problema é bem mais sério que possamos imaginar. Não são somente os perfis misteriosos, usados por gente inescrupulosa, que ameaça a cidadania e a democracia, na internet. O uso da inteligência artificial potencializa o crime. O que está por vir, especialmente em ano eleitoral, é algo absolutamente imprevisível.
Algo muito grave, que acontece nas barbas das autoridades e ninguém até aqui nada fez, diz respeito aos comentários postados nas notícias. Pelo pressuposto de liberdade de expressão, redes sociais como Instagram e Facebook estão cheios de opiniões que atentam contra a honra das pessoas. Em muitos casos, incitam a violência e as expõem ao perigo.
Até quando os espaços destinados aos famosos “comentários” vão continuar sendo terra sem lei, de acusações sem provas, impropérios e toda sorte de especulações para prejudicar a quem quer que seja? É necessário que as pessoas atingidas percam o medo e busquem as medidas judiciais cabíveis. A impunidade é que estimula essa gente. O caso ora investigado pela Polícia Civil feirense é apenas uma ponta do iceberg.
O instituto Paraná Pesquisas agitou o noticiário da política na Bahia, esta quarta-feira, com o resultado de mais uma sondagem, ao eleitorado, sobre os postulantes ao Governo do Estado. Os números seguem favoráveis ao ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, do União Brasil. Ele detém 47,8% das intenções de voto, contra 38,7% do atual governador, Jerônimo Rodrigues, que busca sua permanência no Palácio de Ondina e, mais que isto, manter o PT no poder por seis eleições consecutivas. Branco/nulo, 6,8% e não sabe/não opinou, 4,9%. O candidato da oposição estaria, neste momento, conforme a avaliação, 9,1 pontos percentuais à frente.
Em 31 de julho de 2025, Paraná Pesquisas apresentava um cenário bem diferente, com ACM Neto em uma margem bem superior à atual: 59,4% x 30,8%. Frente de 28,6%. Não sabem/não opinaram, 4,6% e nenhum/brancos/nulos, 6,4%. Esses números revelam que Jerônimo reduziu, significativamente, a vantagem do seu adversário, nesse período de aproximadamente 10 meses entre as duas sondagens, de acordo com os dados do instituto.
Fiz uma busca na internet (santo Google!) para ver como o mesmo Paraná Pesquisas avaliava os candidatos no primeiro semestre de 2022, em uma época próxima da atual. Encontrei uma simulação, também para primeiro turno, feita em 25 de abril daquele ano. Naquela época, o candidato da oposição aparecia com 55,4%, diante de 16,1% de Jerônimo. Não sabe/não respondeu 7,2% e nenhum/branco/nulo, 9,5%. A diferença em favor de ACM Neto, naquele momento, ante o então desconhecido Jerônimo, era de 39,3%.
Também fiz comparação com os números do Genial/Quaest. Em pesquisa feita entre os dias 13 e 16 de maio de 2022, ACM Neto liderava, disparado, com 67%, enquanto Jerônimo se apresentava bem atrás, com 6%. Brancos somavam 12% e os indecisos, 8%. Recentemente, em 29 de abril de 2026, o mesmo instituto apontou ACM Neto liderando com 41%, contra 37% do petista, por muito pouco não se configurando empate técnico. Votos em branco, nulos/não vai votar somariam 11%.
Para quem entende pouco, ou quase nada, de interpretação das pesquisas e estatísticas, a situação do candidato ACM Neto, agora, seria bem mais complicada, com seus 9,1% de frente, em relação aos confortáveis 39,3% de abril de 2022 ou dos 28,6% registrados em julho do ano passado. Consultamos, então, alguém que conhece da matéria, sobre o que significam esses números comparativos. Em Feira de Santana, Amarildo Gomes, o diretor do instituto local Economic, é uma excelente referência.
"Agora é mais difícil", ele afirma. Mais difícil para o governador, completa, depois de alguns segundos de suspense: "Todo mundo já o conhece. Está com sua imagem consolidada. Mídia todo dia, em todo lugar. Era para estar na frente". Em seu entendimento, "deve haver algo errado" com Jerônimo. "Venceu ACM Neto (em 2022). Seus eleitores, por várias razões, votaram nele. Mas neste momento, não se sentem estimulados a lhe dar a vitória, também por diversos motivos. Pode ter perdido votos".
Questionei-o, então: Mas e o "efeito Lula", não mudará novamente esse quadro? "Sempre haverá (o efeito Lula). Foi o que fez ele ganhar. Se não houvesse Lula, ou se o número dele não fosse 13, certamente não levaria. Há uma conexão. Veja que no Nordeste, o PT não se arrisca com candidatos que não sejam do partido. Talvez, somente em Pernambuco seja diferente".
Para Amarildo Gomes, se o voto (de Jerônimo) está consolidado, há uma parcela que votou nele "e não está votando agora". Pode votar ainda? Ele diz que sim, é possível mudar o cenário, pois os mesmos instrumentos que o fizeram ter maioria dos votos em 22 podem ser utilizados agora: "O grupo é o mesmo, também os mesmos apoios, praticamente, mesma máquina. A preocupação, do lado governista é que os os eleitores podem não estar motivados, como antes, com todos esses fatores. Pode ser que não consiga (virar) desta vez. A campanha de Lula não está tão boa".
A frente de ACM Neto, neste momento, é "concreta e mais perigosa", afirma, do que aquela, muito maior, em meados de 2022. O governador, opina, não conseguiu ampliar, nem mesmo manter os seus votos, conforme quadro que se desenha neste momento. "Lá atrás, o voto dado a Jerônimo era de Rui (o ex-governador Rui Costa, hoje ministro). Agora, é dele e do seu governo".
O quadro guardaria semelhança com o que aconteceu na eleição presidencial de 2022. Avalia o especialista que, ali, o presidente Bolsonaro devia estar à frente de Lula, pois ele já havia consolidado a sua imagem, após quatro anos no poder. No entanto, parte dos eleitores que o consagraram em 2018 não quis acompanhá-lo no pleito seguinte e ele foi derrotado. Agora, a oposição parece estar ameaçando seriamente a reeleição de Lula, entende o diretor do Economic: "Ele tem 49 de reprovação. Se não mudar este quadro, perde".
A relação institucional, mais que isto, fraterna e produtiva, que o prefeito Zé Ronaldo e o governador Jerônimo Rodrigues mantém, desde o ano passado, é algo inédito na Bahia, entre gestores de município e estado que estejam em posições políticas diferentes. Evidentemente, uma proximidade mais acentuada entre políticos é parecido com amizade forte de colegas na faculdade. Pra virar namoro, é "daqui pra ali (prali)", como se diz na zona rural de algo que está prestes a acontecer.
Politicamente, Ronaldo e Jerônimo flertaram, um com o outro. Em algum momento, como ficou provado no final, um deles desejou celebrar a união com o outro para as eleições de outubro deste ano. Ou teriam sido ambos? Bem, como se tornou público, a sondagem objetiva partiu do governador, segundo revelou Ronaldo.
Nada existe de anormal, neste fato, é importante frisar. O governador, ao perceber, naquela altura, que havia uma frustração do prefeito com quem comanda o seu grupo - o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, havia negado a Ronaldo vaga de candidato a vice no pleito de 2022 - decidiu partir para a ofensiva. Qualquer um em seu lugar teria feito o mesmo.
O próprio Ronaldo, com uma postura bem mais agressiva de proximidade com governador adversário que em seus outros mandatos, estimulou, mesmo que indiretamente, o apetite de Jerônimo por conquistar o apoio da maior prefeitura do interior. Não deu para fazer "ciúmes" a Paulo Souto, o ex-governador com quem o prefeito de Feira manteve o melhor relacionamento na história dos seus cinco mandatos. Mas, foi intenso, "caliente", o entendimento com o petista, um pouco acima até do institucional, não resta dúvida.
Feira de Santana, aliás, agradece a Jerônimo, pelo tratamento dado ao prefeito da cidade. Ronaldo administrou esta cidade em outros períodos, em que a Bahia foi governada por Jaques Wagner e Rui Costa. Havia briga entre eles? Não. Sempre se comunicaram com respeito. Mas faltava algo igualmente importante: boa vontade e reciprocidade diante de problemas em que município dependia de estado para solucionar, e vice-versa.
Ronaldo e Jerônimo conseguiram vencer esta barreira. Nenhum vereador, deputado estadual ou federal, conseguiu afastá-los com as intrigas que costumam ser geradas, por diversas razões. Se mantiveram sóbrios, maduros e colaborativos, por todo este tempo, uma postura que rendeu frutos. Com justiça, aplaudida pela sociedade.
Agora, eles se afastam, estrategicamente, diante das eleições que se avizinham. Como aqui mencionado, Jerônimo tentou, mas não conseguiu tirar Ronaldo de onde está. Ambos agiram como se espera de políticos de alto nível. O alvo de um governador é conquistar o prefeito não aliado para o seu grupo. O prefeito vai se quiser. Muitos vão. Ronaldo, bem cortejado, não foi. Evitou a vingança. Preferiu manter a coerência e permanecer onde se encontra desde que iniciou na vida pública.
Mas e agora, o que será desta boa relação? O colega articulista desta Tribuna, César Oliveira, escreve que, há "ruptura", caracterizada pelo distanciamento dos líderes nos três dias da semana anterior em que Jerônimo praticamente sediou o seu governo em Feira de Santana. "Hora da onça beber água", ele diz. Talvez, "ruptura" seja palavra muito forte. Vejo como natural, neste momento, cada um na sua. Vamos aguardar, pra ver como se comportam diante de alguma demanda em que um solicite a colaboração do outro.
Até aqui, estão sabendo preservar a imagem que construíram. Não há notícia de que Jerônimo ou Ronaldo dificulte algo de interesse público. Daqui a pouco, começa a campanha. Os políticos estarão na televisão, internet e rádio. Como vão se portar? O desafio parece simples. Afinal, o adversário direto do governador é ACM Neto, não o prefeito de Feira. Se tiver que esquentar o clima, não precisa ser entre eles.
Ronaldo, é claro, vai aparecer pedindo voto. Pode, e certamente o fará, enaltecer seu candidato, anunciar as mudanças que espera sejam promovidas, criticar políticas públicas. Não deverá, no entanto, atacar Jerônimo ou sua gestão. O governador, por sua vez, fará compromissos com Feira de Santana. Mas não haverá a necessidade de criticar a administração local. Agindo assim, eles vão mais que consolidar a excelente relação governamental que apresentam, mas também continuar servindo de inspiração.