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Economia

Desigualdade social coloca Feira de Santana entre as cidades com pior qualidade de vida do país

30 de Maio de 2026 | 13h 59

No recorte das cidades com mais de 500 mil habitantes, Feira de Santana aparece entre os municípios com pior desempenho social do país

Desigualdade social coloca Feira de Santana entre as cidades com pior qualidade de vida do país
Segundo o IPS, no ranking nacional das grandes cidades, Feira está entre os dez piores desempenhos do país (Foto: Foto: ACM/PMFS)

Apesar de liderar o ranking do Produto Interno Bruto (PIB), o que reflete sua grande força econômica, Feira de Santana também aparece como um dos dez municípios brasileiros com pior desempenho social, ou seja, é uma cidade socialmente desigual.

A avaliação é do sociólogo Ricardo Aragão, que, em entrevista ao portal de notícias g1, comentou os dados do Índice de Progresso Social (IPS) Brasil 2026. O balanço mede indicadores ligados à qualidade de vida e foi divulgado na última semana.

A listagem também coloca Salvador como a quarta capital com pior condição. Contrariamente, o município de Abaíra, que é conhecido como a "capital da cachaça", destacou-se como a cidade baiana melhor posicionada no ranking.

Já Feira de Santana também foi apontada negativamente na categoria que reúne grandes municípios, isto é, que têm populações entre 500 mil e 1 milhão de habitantes. A segunda maior cidade da Bahia recebeu 60,70, em uma escala que vai de 0 a 100, abaixo, portanto, da média nacional, que é de 63,40 pontos.

Tal cenário, diz Ricardo Aragão, retrata uma cidade de economia robusta, impulsionada pelo comércio, logística, setor de serviços e industrialização, mas também como um município que enfrenta dificuldades históricas na distribuição dessa renda.

O sociólogo enfatiza que "Feira é um dos maiores entroncamentos logísticos do Nordeste, possui comércio intenso, setor de serviços robusto, universidades e forte circulação de capital", mas que, ao mesmo tempo, "possui bolsões de pobreza urbana e rural”.

Isto, conforme o sociólogo, faz com que parte significativa da população feirense não usufrua, plenamente, da riqueza aqui produzida. Outro ponto levantado pelo  estudioso foi a violência urbana.

Ele aponta que, entre os indicadores avaliados pelo balanço, um dos piores desempenhos da cidade está relacionado à "Segurança Pessoal", que considera fatores como homicídios, violência urbana e mortes no trânsito. Feira registrou, somente, 16,70 pontos nesse componente, um dos menores índices do Brasil.

O crescimento acelerado e desordenado observado em Feira de Santana, especialmente entre as décadas de 1970 e 1990, impulsionado pela localização estratégica às margens da BR-324 e pela expansão econômica do interior da Bahia, também contribuiu, na avaliação de Ricardo Aragão, para a expansão periférica e para o surgimento de problemas estruturais, que, inclusive, permanecem até os dias de hoje.

Ele explica que “isso provocou pressão sobre saneamento básico, mobilidade urbana precária, ocupações irregulares e dificuldades de planejamento urbano. Ou seja, a infraestrutura urbana não acompanhou o ritmo do crescimento populacional da cidade".

No que tange ao eixo "Inclusão Social", a principal cidade do interior da Bahia obteve 47,25 pontos. Em termos de "Acesso à Educação Superior", o índice foi de 33,93 pontos. Para o especialista, isto denota que, embora Feira concentre importantes instituições de ensino superior, como é o caso da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), isso não se converte, automaticamente, em ampla mobilidade social.

De acordo com o sociólogo, o modelo econômico feirense ainda está centrado no comércio e em serviços com baixa densidade tecnológica. Tal fato, diz ele, resulta em empregos de menor remuneração, o que limita a distribuição de riqueza. "Feira cresceu economicamente, mas de forma fragmentada socialmente. O índice chama atenção, justamente, para esse contraste entre a centralidade econômica da cidade e as dificuldades persistentes em transformar crescimento em qualidade de vida para a população", pondera.

O BALANÇO – O estudo é composto por 57 indicadores separados em três grupos principais:

 

- Necessidades Humanas Básicas: avalia se o brasileiro tem acesso à comida, saúde, moradia, segurança.

- Fundamentos do Bem-Estar: analisa acesso à educação fundamental, vida saudável, contato com a natureza.

- Oportunidades: analisa os dados a respeito de direitos individuais e a acesso ao Ensino Superior.

 

Para calcular o Índice de Progresso Social (IPS), indicador que mede e classifica a qualidade de vida nos 5.570 municípios brasileiros, os referidos parâmetros foram cruzados.

Produzido pelo Instituto IPS, Social Progress Imperative, Imazon, Amazônia 2030, Fundación Avina e Centro de Empreendedorismo da Amazônia, o estudo tem por objetivo orientar políticas públicas e investimentos sociais.

 


 

 

 


 

*Com informações do g1 BA.



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