A arborização em Feira de Santana foi abordada nesta quarta
por dois dos bons jornalistas desta cidade. Jânio Rego, um potiguar radicado
aqui há mais de quatro décadas e que conhece Feira como poucos, cobrou, no X,
árvores no canteiro central da Presidente Dutra. "Precisamos de
sombra", ele afirmou, ao questionar o cenário de uma das nossas mais
importantes avenidas, "onde estão o Jerimum de Amélio, o Santuário de
Santo Antônio, a TV Subaé e muito mais".
André Pomponet, articulista deste portal, escreveu o artigo
"A distribuição desigual do verde em Feira". Ele apresentou
dados do Censo 2022 do IBGE, "diagnóstico nada alentador" sobre a
arborização em áreas públicas da cidade.
De acordo com os números, 57,4% das residências locais não
dispõem de árvores em seu entorno. Alguns bairros, mesmo vizinhos, apresentam
realidades distintas. Nos Capuchinhos, 30% dos moradores residem onde há cinco
ou mais árvores, enquanto na Santa Mônica, 40,6% da comunidade vivem sem árvore
nas proximidades. Situação dramática mesmo ocorre em áreas mais pobres, a
exemplo das Baraúnas (79% dos domicílios não dispõe de árvore no entorno) e
Queimadinha, onde são desprovidas 69,4%. Vale à pena ler os dados
levantados por Pomponet sobre a arborização em Feira de Santana!
FEIRA VERDE, PLANTANDO
VIDA – Diante das
análises destes profissionais, conversei, também hoje, com o diretor municipal
de Áreas Verdes, órgão da Secretaria de Serviços Públicos, o engenheiro
ambiental João Falcão, sobre o tema. O que a Prefeitura de Feira de Santana tem
a oferecer para a população, ansiosa por mais árvores? O dirigente informa que
há um projeto denominado Feira Verde, Plantando Vida, já em execução, com o
compromisso de um plantio de 5 mil mudas de diversas espécies, a partir de maio
de 2026 até dezembro de 2028, quando se encerra este quinto mandato do prefeito
Zé Ronaldo.
O foco é a região central da cidade, suas grandes
avenidas. A largada foi com 316 mudas plantadas, no mês passado, quase
todas na Noide Cerqueira, primeira área beneficiada. O período é estratégico,
uma vez que o inverno aumenta a resistência das jovens plantas, ampliando as
chances de que se desenvolvam. A meta a ser atingida é de 1.700 unidades por
temporada.
ALAMEDA DE QUARESMEIRAS NA AVENIDA SENHOR DOS PASSOS – Próximo alvo deverá ser a Avenida Senhor dos Passos, entre o histórico prédio da Prefeitura e a Casa de Saúde Santana, que deverá receber uma alameda de quaresmeiras, árvores que embelezam qualquer ambiente com suas lindas flores. Serão mudas já encorpadas, para dificultar que sejam arrancadas, como teria acontecido décadas passadas.
Lembra o diretor que o então prefeito Colbert Martins, o pai, realizou um plantio naquela avenida, que não vingou devido à ação de vândalos e de próprios moradores ou comerciantes. Agora, o objetivo é buscar o apoio da comunidade daquela área, pela preservação das árvores. "Visitaremos cada imóvel, com um trabalho educativo e um pedido de colaboração", diz João Falcão. Será importante, também, o apoio da Coelba, com sua fiação.
Embora de pequeno porte, em torno de 3 metros, a quaresmeira
vai garantir sombra. Preocupação do jornalista Jânio Rego, a Presidente Dutra
estaria nesta proposta. "Estamos estudando uma forma, em princípio, de
aproveitamento das laterais", diz o dirigente.
Atualmente, a avenida conta com palmeiras imperiais e rabos
de peixe, em seu canteiro central. A ideia é plantar nas laterais, mas ele
pretende fazer uma experiência no próprio canteiro: "Precisaria tirar o
asfalto, usar piso intertravado, com anéis entre as palmeiras, e, ali, plantar
um resedá, um felício. Palmeira não encobre árvore", afirma.
A imagem que ilustra este texto foi gerada por Inteligência Artificial (IA) e mostra
uma visão futurista da Avenida Presidente Dutra, com uma alameda formada pelas plantas mencionadas
por Falcão.
RESERVA DE ÁREAS DESTINADAS
AO PLANTIO – Além de
causar perigo. "O contato da energia elétrica com as folhas energiza a
árvore e isto é uma ameaça ao cidadão". Na Avenida Ayrton Senna, árvores
pau-ferro invadem as pistas. Ele pede a compreensão das pessoas para a
necessidade de podas radicais, em certos casos, visando evitar maiores danos.
"Como não conhecem do assunto, muitos nos atacam quando veem uma árvore
sob uma poda drástica. Mas temos que fazer". O correto, ele entende,
é a destinação de locais específicos, a "criação de ilhas" onde
surgem as comunidades, para a arborização do ambiente, "reservar algo em
torno de dez hectares livres de construção, para árvores nativas.
A INDEVIDA OCUPAÇÃO DAS
PRAÇAS – Chamou a
atenção para um problema que ocorre nas centenas de praças de Feira de Santana,
nos últimos anos: a ocupação das praças por barracas onde se comercializa
bebidas e refeições, comprometendo as árvores presentes nesses locais.
Caro diretor, é preciso, então, alertar ao prefeito para o
grave problema e buscar soluções. A cidade tem cerca de 100 mil árvores, das
quais 45%, ficus – o máximo recomendado para uma mesma espécie é de 15%. Mais
um desafio a ser enfrentado.
Fiquemos, então, na expectativa de que o Departamento de
Áreas Verdes do Município receba, da Sesp, os meios e os recursos necessários
para, ao menos, bater a meta das 5 mil mudas até o final de 2028. É um
compromisso importante e a Tribuna Feirense, um veículo que tem o meio ambiente
como prioridade, acompanhará, passo a passo, sua execução.