A arroba do boi gordo voltou a cair, na região de Feira de Santana, passando a ser negociada a R$ 330. O levantamento foi realizado pela Cooperativa de Pecuaristas de Feira de Santana (Cooperfeira), com base nas negociações acompanhadas no Frifeira, frigorífico ligado à cooperativa.
Conforme a entidade, esta é a segunda semana consecutiva de
queda, consolidando um movimento de ajuste no mercado. O recuo ganha dimensão
quando comparado ao início do mês. A arroba começou maio cotada a R$ 345 e, em
duas semanas, acumula perda de R$ 15, o equivalente a cerca de 4,35%.
O movimento ocorre após o período de preços mais elevados, ao
longo de abril, quando a arroba chegou a R$ 350 e permaneceu nesse patamar por
três semanas consecutivas.
De acordo com Agenor Campos, diretor da Cooperfeira, a queda
está diretamente ligada a fatores conjunturais do mercado. Ele enfatiza que, na
última semana, o consumo de carne teve leve retração, o que resultou em sobra
pontual de produto nos frigoríficos.
Ao mesmo tempo, houve aumento na oferta de animais,
impulsionado pela preocupação dos pecuaristas com a previsão de um período mais
seco, associado ao fenômeno climático El
Niño, o que tem levado à antecipação da saída do gado para o mercado.
O gestor destaca, ainda, que o setor atravessa a chamada
safra do boi, período tradicional de maior oferta, o que contribui para
pressionar as cotações. “O mercado está inseguro, mas essa baixa não chega a
ser surpresa. É um movimento normal para esta época do ano”, avalia.
O comportamento observado na região segue a tendência dos
principais centros pecuários do país, que também registram pressão sobre os
preços, após a sequência de altas. Indicadores nacionais mostram perda de força
nas cotações, refletindo um cenário de maior cautela nas negociações.
Entre os fatores que reforçam esse movimento, está o aumento
da oferta de animais terminados para abate, neste período. Isto somado ao fato
de frigoríficos estarem operando com escalas de abate mais confortáveis, ou
seja, com programação de animais já garantida por vários dias, o que reduz a
necessidade de compras imediatas.
Ainda segundo a Cooperfeira, as exportações brasileiras de
carne bovina seguem em bom ritmo e continuam sendo o principal fator de
sustentação do mercado, embora, neste momento, não estejam sendo suficientes
para manter os preços nos níveis máximos recentes.
Para os próximos dias, a expectativa é de estabilidade, com
viés ainda pressionado, dependendo, principalmente, do equilíbrio entre a
oferta de animais e o ritmo das exportações.
A Cooperfeira acompanha, semanalmente, a movimentação do
setor pecuário regional e destaca que o comportamento do mercado, na Bahia,
segue alinhado às tendências nacionais.
Os valores divulgados pela entidade são baseados em
informações repassadas por compradores que realizam abate no Frifeira e servem
como referência de mercado, podendo oscilar conforme a movimentação diária.