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Valdomiro Silva

Jerônimo e Ronaldo: relação institucional que inspira e deve resistir à campanha eleitoral

VALDOMIRO SILVA - 12 de Maio de 2026 | 17h 05
Jerônimo e Ronaldo: relação institucional que inspira e deve resistir à campanha eleitoral
Foto: Luciano Carcará/Serin

A relação institucional, mais que isto, fraterna e produtiva, que o prefeito Zé Ronaldo e o governador Jerônimo Rodrigues mantém, desde o ano passado, é algo  inédito na Bahia, entre gestores de município e estado que estejam em posições políticas diferentes. Evidentemente, uma proximidade mais acentuada entre políticos é parecido com amizade forte de colegas na faculdade. Pra virar namoro, é "daqui pra ali (prali)", como se diz na zona rural de algo que está prestes a acontecer.

Politicamente, Ronaldo e Jerônimo flertaram, um com o outro. Em algum momento, como ficou provado no final, um deles  desejou celebrar a união com o outro para as eleições de outubro deste ano. Ou teriam sido ambos? Bem, como se tornou público, a sondagem objetiva partiu do governador, segundo revelou Ronaldo.

Nada existe de anormal, neste fato, é importante frisar. O governador, ao perceber, naquela altura, que havia uma frustração  do prefeito com quem comanda o seu grupo - o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, havia negado a  Ronaldo vaga de candidato a vice no pleito de 2022 - decidiu partir para a ofensiva. Qualquer um em seu lugar teria feito o mesmo.

O próprio Ronaldo, com uma postura bem mais agressiva de proximidade com governador adversário que em seus outros mandatos, estimulou, mesmo que indiretamente, o apetite de Jerônimo por conquistar o apoio da maior prefeitura do interior. Não deu para fazer "ciúmes" a Paulo Souto, o ex-governador com quem o prefeito de Feira manteve o melhor relacionamento na história dos seus cinco mandatos. Mas, foi intenso, "caliente", o entendimento com o petista, um pouco acima até do institucional, não resta dúvida.

Feira de Santana, aliás, agradece a Jerônimo, pelo tratamento dado ao prefeito da cidade. Ronaldo administrou esta cidade em outros períodos, em que a Bahia foi governada por Jaques Wagner e Rui Costa. Havia briga entre eles? Não. Sempre se comunicaram com respeito. Mas faltava algo igualmente importante: boa vontade e reciprocidade diante de problemas em que município dependia de estado para solucionar, e vice-versa. 

Ronaldo e Jerônimo conseguiram vencer esta barreira. Nenhum vereador, deputado estadual ou federal, conseguiu afastá-los com as intrigas que costumam ser geradas, por diversas razões. Se mantiveram sóbrios, maduros e colaborativos, por todo este tempo, uma postura que rendeu frutos. Com justiça, aplaudida pela sociedade.

Agora, eles se afastam, estrategicamente, diante das eleições que se avizinham. Como aqui mencionado, Jerônimo tentou, mas não conseguiu tirar Ronaldo de onde está. Ambos agiram como se espera de políticos de alto nível. O alvo de um governador é conquistar o prefeito não aliado para o seu grupo. O prefeito vai se quiser. Muitos vão. Ronaldo, bem cortejado, não foi. Evitou a vingança. Preferiu manter a coerência e permanecer onde se encontra desde que iniciou na vida pública. 

Mas e agora, o que será desta boa relação? O colega articulista desta Tribuna, César Oliveira, escreve que, há "ruptura", caracterizada pelo distanciamento dos líderes nos três dias da semana anterior em que Jerônimo praticamente sediou o seu governo em Feira de Santana. "Hora da onça beber água", ele diz. Talvez, "ruptura" seja palavra muito forte. Vejo como natural, neste momento, cada um na sua. Vamos aguardar, pra ver como se comportam diante de alguma demanda em que um solicite a colaboração do outro. 

Até aqui, estão sabendo preservar a imagem que construíram. Não há notícia de que Jerônimo ou Ronaldo dificulte algo de interesse público. Daqui a pouco, começa a campanha. Os políticos estarão na televisão, internet e rádio. Como vão se portar? O desafio parece simples. Afinal, o adversário direto do governador é ACM Neto, não o prefeito de Feira. Se tiver que esquentar o clima, não precisa ser entre eles. 

Ronaldo, é claro, vai aparecer pedindo voto. Pode, e certamente o fará, enaltecer seu candidato, anunciar as mudanças que espera sejam promovidas, criticar políticas públicas. Não deverá, no entanto, atacar Jerônimo ou sua gestão.  O governador, por sua vez, fará compromissos com Feira de Santana. Mas não haverá a necessidade de criticar a administração local. Agindo assim, eles vão mais que consolidar a excelente relação governamental que apresentam, mas também continuar servindo de inspiração.




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