VALDOMIRO SILVA
VALDOMIRO SILVA
O Blog da Feira, do amigo jornalista Jânio Rego, perguntou-me quais os cinco fatos mais relevantes de 2025 no âmbito político-governamental. De bate-pronto, relacionei os seguintes: A proximidade institucional do prefeito José Ronaldo com o governador Jerônimo Rodrigues; a inclusão de Feira de Santana, no PAC, com 42 projetos de saneamento a serem executados através da Embasa; o financiamento aprovado no Governo Municipal, anunciado pelo prefeito, e a liberação de emenda federal, do deputado Zé Neto, para urbanização da Lagoa do Prato Raso; o início da obra do Hospital do Câncer, vinculado à Santa Casa de Misericórdia; o começo, embora problemático, da última etapa de duplicação da avenida Eduardo Fróes da Motta.
"Obras no Centro de Cultura Amélio Amorim chegam a 70% e resgatam memória afetiva de Feira de Santana", diz o título de uma nota da Conder, a Companhia de Desenvolvimento Urbano do Governo do Estado. Um importante investimento, sem dúvida. Os trabalhos, iniciados no ano passado, vão requalificar o Complexo Carro de Boi, com investimento superior a R$ 6 milhões. A constatação do "resgate da memória afetiva" fica para depois da reforma, obviamente.
O Governo da Bahia, através da Secretaria Extraordinária que conduz as obras da ponte Salvador-Itaparica, contratou um instituto por R$ 18,3 milhões, para consultoria envolvendo o projeto. A assessoria vai ser prestada pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas). A instituição já presta outros serviços para o Estado no monitoramento gerencial de Parceria Público-Privada e de "serviços técnicos especializados de consultoria e apoio multidisciplinar", informa o Notícias da Bahia. É um baita contrato, este relativo à ponte, como é elevado todo investimento relacionado a este equipamento.
Volto ao tema, chapa majoritária governista na eleição de outubro próximo, com forte probabilidade de que seja "rifado" o senador Ângelo Coronel, em virtude de recentes entrevistas do seu colega de PDS, senador Otto Alencar, à mídia da capital e também ao programa "Diário da Feira", da Rádio Subaé.
Em regra, quem cumpre mandato deve ter a prioridade da reeleição, salvo fato excepcional: uma traição política importante, problema de corrupção, impedimento por questão de saúde ou vontade própria. Também poderia acontecer uma renúncia ao direito mediante acordo político prévio, apalavrado ou documentado.
Se existe algum outro motivo para tal, perdoe-me, caro leitor, o esquecimento. A falta de uma dessas causas, para que alguém venha a substituí-lo, merece uma outra análise. Quem deseja a vaga é ninguém menos que o ministro da Casa Civil, ex-governador Rui Costa.
O bom senador, influente político baiano Otto Alencar, por fidelidade, deveria ser a primeira voz a defender a reeleição de Coronel. E até que ele tem sinalizado isto, mas, do seu modo, sem pressões nem ameaças.
Esta semana, ele deixou bem claro que sua prioridade não será manter o colega na chapa majoritária, mas continuar a aliança com o presidente Lula e com o governador Jerônimo Rodrigues.
Antigo carlista que migrou para a esquerda, Otto, agora, sequer cogita fazer o caminho de volta, alegando que não faria bem para sua história. "Mancharia uma trajetória de 15 anos de aliança com Wagner, Rui, Jerônimo e Lula", disse ele aos radialistas Juarez Fernandes e Fábio Negrini.
Ao "Política Livre", Otto disse não ter conversado ainda com Wagner e Rui sobre o assunto. Pela aflição do seu colega senador, já devia ter conversado. Considera "delicado" o problema Coronel e diz que está "sem diagnóstico" para esta situação, mas "teria de caminhar no caminho onde estou". O discurso é polido, de acordo com sua larga experiência política, mas tudo está muito claro.
Caso não tenha disposição de fazer as malas e disputar o Senado no outro lado, Coronel deve começar uma nova luta, a de ser escolhido candidato a vice na reeleição de Jero, como foi apelidado o governador pelo radialista Jair Cesarinho. Disputar o Senado novamente, no grupo onde está, é coisa praticamente descartada.
Ao longo do ano de 2025, foram realizadas, pela Secretaria de Mobilidade, 173 autuações às empresas que integram o Sistema Integrado de Transportes (SIT), em Feira de Santana. O número foi divulgado pela própria pasta, em balanço das atividades de 2025. Isto significa que, a cada dois dias, ao menos uma autuação foi registrada contra empresa do transporte coletivo.
Não é pouca coisa. Autuar significa registrar um problema sério e, geralmente, resulta em processo. Esta frequência de autuações revela que o sistema funciona com muita irregularidade, especialmente se levando em conta que há somente duas empresas operando.