Volto ao tema, chapa majoritária governista na eleição de outubro próximo, com forte probabilidade de que seja "rifado" o senador Ângelo Coronel, em virtude de recentes entrevistas do seu colega de PDS, senador Otto Alencar, à mídia da capital e também ao programa "Diário da Feira", da Rádio Subaé.
Em regra, quem cumpre mandato deve ter a prioridade da reeleição, salvo fato excepcional: uma traição política importante, problema de corrupção, impedimento por questão de saúde ou vontade própria. Também poderia acontecer uma renúncia ao direito mediante acordo político prévio, apalavrado ou documentado.
Se existe algum outro motivo para tal, perdoe-me, caro leitor, o esquecimento. A falta de uma dessas causas, para que alguém venha a substituí-lo, merece uma outra análise. Quem deseja a vaga é ninguém menos que o ministro da Casa Civil, ex-governador Rui Costa.
O bom senador, influente político baiano Otto Alencar, por fidelidade, deveria ser a primeira voz a defender a reeleição de Coronel. E até que ele tem sinalizado isto, mas, do seu modo, sem pressões nem ameaças.
Esta semana, ele deixou bem claro que sua prioridade não será manter o colega na chapa majoritária, mas continuar a aliança com o presidente Lula e com o governador Jerônimo Rodrigues.
Antigo carlista que migrou para a esquerda, Otto, agora, sequer cogita fazer o caminho de volta, alegando que não faria bem para sua história. "Mancharia uma trajetória de 15 anos de aliança com Wagner, Rui, Jerônimo e Lula", disse ele aos radialistas Juarez Fernandes e Fábio Negrini.
Ao "Política Livre", Otto disse não ter conversado ainda com Wagner e Rui sobre o assunto. Pela aflição do seu colega senador, já devia ter conversado. Considera "delicado" o problema Coronel e diz que está "sem diagnóstico" para esta situação, mas "teria de caminhar no caminho onde estou". O discurso é polido, de acordo com sua larga experiência política, mas tudo está muito claro.
Caso não tenha disposição de fazer as malas e disputar o Senado no outro lado, Coronel deve começar uma nova luta, a de ser escolhido candidato a vice na reeleição de Jero, como foi apelidado o governador pelo radialista Jair Cesarinho. Disputar o Senado novamente, no grupo onde está, é coisa praticamente descartada.