Com perfeito “feeling” político, ACM Neto marcou uma dentro ao botar Igor Kanário nas ruas. Gostos à parte, faturou com o povão.
Carnavalescos
Neto foi até o chão, no arrocha da sensual Aline Rosa; Ronaldo quase, ao som da Muriçoca. Os vídeos deram o que falar e o povo adora.
Diz o aforismo que à mulher de César não basta ser honesta, tem de parecer honesta. Após negativas o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, reconheceu que recebeu advogados dos empreiteiros presos na Lava Jato.
O presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Marcus Vinícius Coêlho, defendeu, esta semana, os “direitos e prerrogativas” de advogados serem recebidos pelo ministro da Justiça, mas ponderou que a audiência precisa ser “transparente” e “pública”. Receber advogados, no mínimo, é uma obrigação de Cardozo, afinal é um servidor público. O que não é concebível é o ministro combinar linha de defesa de réus ou desestimular acordos de delação premiada - o que não deixa de ser obstrução da justiça -, porque, segundo ele, a operação Lava Jato iria mudar seu rumo.
Ao fazer isto, perde o referencial moral para continuar à frente do ministério, porque com o que fez, ele já não é, nem parece.
Debaixo de uma chuva torrencial, mais de 400.000 Argentinos foram às ruas, a convite dos procuradores do MP, exigindo a verdade sobre a morte do procurador Nisman. Tão desastrosos em escolher líderes, os argentinos, tem sido majestosos em enfrentar seus fantasmas e máfias, sejam ditadores militares ou presidentes civis.
O jogo da política mudou. O diagnóstico de que o ciclo do PT esgotou-se e que a crise econômica, as seqüelas da corrupção, a incompetência administrativa e falta de habilidade política de Dilma são um caso sem solução, deu asas ao PMDB, que passou a mirar a Presidência.
PMDB II
Seja pela via do impeachment jogando o governo no colo de Temer, menos provável, mas não impossível; seja pela via do cerco ao PT e transformação da Presidente em refém e marionete do Congresso, o PMDB, com a eficiência que faltou aos tucanos em todos estes anos, está no momento com a faca e o queijo na mão. E o PMDB nunca agüentou ver um queijo dando sopa. As três derrotas seguidas de Dilma em votações na Câmara, com o PT atordoado, no canto do ringue, é um retrato claro da situação. Eduardo Cunha, eficiente, dedicado, articulador, gênio do mal, faz o quer, hoje, com o governo.
PMDB III
Temer não é páreo para Renan e Eduardo Cunha. Melhor continuar fazendo versos e se dedicando à bela e nova esposa. O PMDB vai ao poder, provavelmente, com Eduardo Paes (prefeito do Rio), em 2018 ou, sonho pessoal, com o próprio Eduardo Cunha, apesar dos seus infinitos processos na justiça, 50 deles, inclusive, contra jornalistas.
PMDB IV
O sinal inequívoco do processo é a mudança de discurso do partido. Vejam que em todas as declarações, nos jornais, blogs, dos líderes, eles dizem que o PT quis aniquilar o PMDB e por isso estão reagindo. É o discurso preparando e justificando o enfrentamento, dando ar de rejeição e indignação com o PT, como se não fossem cúmplices e nunca o tenha parasitado.
PMDB V
Outro sinal, que faz parte da campanha pessoal de Eduardo Cunha, é a criação de uma agenda positiva. Em menos de um mês já colocou os deputados para trabalhar mais um dia (agora tem votação três dias), anunciou o andamento da reforma política (contraria a vontade do PT, aliás), ameaça derrubar a correção da tabela do imposto de renda. Enfim, está mostrando serviço. Pode esperar que mais medidas virão. Afinal, Eduardo Cunha é hoje o homem mais poderoso da República.
PMDB VI
Evidentemente, falta, apenas, como na piada de Garrincha, combinar com os russos.