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Esporte

Técnicos e dirigentes devem reagir, de forma dura, a atletas que sofrem cartão vermelho

VALDOMIRO SILVA - 12 de Junho de 2026 | 16h 24
Técnicos e dirigentes devem reagir, de forma dura, a atletas que sofrem cartão vermelho
Foto: Reprodução


Há um certo tempo, algo me deixa meio intrigado, chateado, profundamente decepcionado, no futebol: a irresponsabilidade de jogadores que provocam a sua expulsão de campo. Não consigo entender como dirigentes e treinadores já não adotaram uma atitude, drástica, para conter este que é fenômeno gravíssimo. Não acontece somente com as divisões inferiores dos nossos principais campeonatos, onde, em tese, estariam atuando os jogadores de menor técnica, menos disciplinados e esclarecidos.

O problema está na Série A do Campeonato Brasileiro, na Premier League (Inglaterra), La Liga (Espanha), Ligue 1 (França), Bundesliga (Alemanha) e também na Copa do Mundo, como vimos ontem, na partida de abertura da competição.  Dois jogadores da África do Sul foram expulsos, um deles no início do segundo tempo quando a peleja ainda estava 1x0 para o México, seleção anfitriã. 

Em vantagem numérica, os mexicanos logo fizeram 2x0 e fecharam o placar. Evidentemente, a vitória do time da casa era o resultado mais provável desta partida, com ou sem expulsão. Mas me parece óbvio também que se o atleta sul-africano, último homem de defesa antes do goleiro, não tivesse feito a bobagem de derrubar o atacante adversário, o confronto poderia ter sido mais equilibrado.

Recentemente, o Flamengo,  clube do Rio de Janeiro que briga pelo título nacional mais uma vez, disputando três pontos decisivos, também sofreu um 3x0, contra o não menos poderoso Palmeiras, em pleno Maracanã, tendo como causa principal do fiasco uma expulsão na metade do tempo de jogo.  O bom jogador colombiano Carrascal fez uma falta violenta e recebeu cartão vermelho, mudando completamente o jogo. O time rubro-negro dominava o rival. Poderia o Palmeiras vencer, 11 contra 11? É claro que sim. Mas a expulsao enfrequece o time que passa a atuar com um a menos? Nenhuma dúvida.

O  ABC, de Natal, fazia um grande jogo contra o Vitória, no Barradão, vencia por 1x0. O confronto valia classificação para a decisão da Copa do Nordeste. Um defensor do time potiguar, diante da escapada do atacante rubro-negro Renê, rumo ao gol, fez a falta. O seu time foi punido duas vezes. Teve um jogador expulso e sofreu gol na cobrança da infração, de fora da área. Com um a mais em campo, o time baiano construiu uma goleada por 6x2 e praticamente acabou com as chances do rival no jogo de volta. Dias atrás, na primeira partida das finais, o mesmo Vitória levava 1x0 do Fortaleza, no Castelão. Até um jogador da equipe cearense cometer a mesma insensatez. Resultado: perdeu de virada, 2x1. 

Duas medidas são necessárias, para o bem do futebol, acerca das expulsões. A primeira delas compete aos dirigentes e comissões técnicas das agremiações. O treinador deve determinar aos seus jogadores que, primeiro, evitem entradas violentas, em qualquer local do campo. Elas podem representar perigo ou mesmo lesionar o adversário e provocar cartão vermelho. Por mais absurdo que pareça, tem atleta que comete esse tipo de loucura, uso de força excessiva contra o adversário, em lance disputado no meio-campo, ou nas laterais, em distâncias que não representam qualquer perigo para o seu goleiro.

A outra advertência deve ser feita aos atletas em relação a parar um contra-ataque com falta ou toque de mão na bola. É grande o risco de ser último homem, e ter que ir pro chuveiro mais cedo. É muito mais inteligente deixar o atacante em poder da bola seguir o seu caminho. Nada garante que ele terá sucesso. A regra está mais rigorosa e manda o árbitro expulsar quando o atleta interrompe faltosamente uma oportunidade clara e manifesta de gol. Observa-se: direção e distância do gol, controle da bola e a ausência de outro defensor (o goleiro não conta) entre o atacante e a trave.

É muito, muito mais interessante, pressionar o atacante de maneira permitida, evitar a falta, do que sofrer pênalti e ainda ter um jogador a menos. Afinal, sofrer um gol é um prejuízo bem menor do que atuar com 10 homens. Há apenas uma exceção: restam poucos minutos de jogo, seu time está vencendo. É preciso evitar o perigo de gol, mesmo que a equipe tenha que enfrentar os momentos finais em desvantagem numérica. 

Cometer  falta, perto ou longe da área, que motive expulsão, é um duro golpe nos próprios companheiros, que vão ter de se virar para suprir a carência. Mas não apenas isto. Há casos de  elevado prejuízo, comprometimento de classificação ou título - geralmente valem premiação em dinheiro. 

Deve ser causa de uma penalidade severa, por parte da diretoria, no salário, inclusive, podendo alcançar uma  rescisão contratual por justa causa, além de indenização do atleta ao clube. Da parte da CBF, é preciso punir o jogador violento de maneira exemplar. Afastar um companheiro do trabalho por meses e receber suspensão de um jogo somente é algo tremendamente injusto, um verdadeiro prêmio.  Expulsão por violência tem que ser punida com pelo menos cinco jogos. Tá exagerada a proposta? Vamos 



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