Vez por outra um vereador queixa-se publicamente que está sendo maltratado por secretários de governo. Como não diz qual foi, a culpa recai sobre todos. Seria bom se nominassem e mais que isso: mostrassem publicamente a lista de pedidos que fizeram ao secretário; por outro lado, os secretários gravariam a lista de pedidos republicanos que os vereadores fizeram e divulgariam. Assim, o sistema ganharia mais transparência e acabaria com estes discursos que parecem só pressão disfarçada. Ou nem tanto.
Deveríamos ter sigilo nos processos políticos, mas no Brasil o vazamento está se tornando, por vezes, a única forma de punição, já que a demora insuperável da Justiça nos deixa desconfiados dos resultados. Por isso preferimos que os nomes sejam revelados, assim ficaremos com certa sensação de que o político foi punido. Mesmo que isso possa afetar inocentes.
Apesar dos problemas, apontados de forma clara pelo competente Andre Pamponet, em artigo nesta Tribuna - violência, ausência de lazer, invasão por milícias, etc – as 38 mil casas do programa de habitação do governo entregues em Feira são extremamente significativas.
Ao comportar-se mais como advogado de um partido do que como guardião da lei, o ministro Eduardo Cardozo, da Justiça, já perdeu a credibilidade necessária ao cargo. Agora se noticia que ele tem se encontrado com o Procurador Geral da Republica, Rodrigo Janot. Segundo Cardozo para alertar o Procurador da necessidade de reforçar sua segurança, pois o governo teria identificado crescimento de ameaças de “setores radicais”.
Como sabem os assassinados prefeitos Celso Daniel e o procurador argentino Alberto Nisman, no mundo todo partidos, políticos poderosos e empresários gananciosos não medem limites na defesa do seu poder, ou das generosas tetas estatais. Esperamos que Janot não afrouxe. Logo saberemos a escolha que ele fez: a nação ou o partido.
A todo dia e hora surgem novas denúncias sobre Bendine, o novo presidente da Petrobras. Além dos financiamentos sem garantias, para sua acompanhante Val Marchiori, agora descobre-se que ela era habitual nos carros e aviões públicos. Além das denúncias sobre malas de dinheiro que circulavam ao redor do ex-presidente do Banco do Brasil. Este homem é que Dilma escolhe para a Petrobras, em um momento no qual a empresa vive um brutal choque de credibilidade. É irresponsabilidade ou má fé.