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Política

No Fórum Democracia Sempre, na Espanha, Lula diz que pobres não podem pagar por irresponsabilidade das guerras

18 de Abril de 2026 | 12h 22
No Fórum Democracia Sempre, na Espanha, Lula diz que pobres não podem pagar por irresponsabilidade das guerras
Foto: Ricardo Stuckert/PR

Em viagem diplomática à Espanha, para participar da quarta reunião de alto nível do Fórum de Defesa da Democracia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou, duramente, na manhã deste sábado (18), em Barcelona, capital da Catalunha, as guerras que estão em curso no mundo. Também falou em defesa do fortalecimento do multilateralismo.

O governante está na Europa, para cumprimento de agenda em três países. Durante sua fala, ele destacou que as consequências dos conflitos armados recaem, invariavelmente, sobre os mais pobres. "O Trump invade o Irã e aumenta o feijão no Brasil, o milho no México, aumenta a gasolina em outro país. É o pobre que vai pagar pela irresponsabilidade de guerras que ninguém quer?", questionou.

Lula destacou, ainda, que os países têm outros problemas para enfrentar e ressaltou que o mundo "não está precisando de guerra". "Temos mais de 760 milhões de pessoas passando fome; temos milhões de pessoas analfabetas; tivemos milhões de pessoas que morreram porque não tinha vacina contra a covid-19", lembrou.

O presidente observou que o mundo vive o período com o maior número de conflitos armados desde a Segunda Guerra Mundial e pediu uma ação coordenada da Organização das Nações Unidas (ONU). "Precisamos exigir que o secretário-geral da ONU convoque reuniões extraordinárias, mesmo sem pedir aos cinco membros do Conselho de Segurança", sugeriu.

O chefe de Estado brasileiro criticou algumas das principais guerras em andamento, como a invasão da Ucrânia pela Rússia; a destruição da Faixa de Gaza por Israel; e o conflito dos Estados Unidos contra o Irã, no Oriente Médio. "Nenhum presidente, de nenhum país do mundo, por maior que seja, tem o direito de ficar impondo regras a outros países. Nenhum! E os cinco membros do Conselho de Segurança da ONU devem se reunir, para mudar seu comportamento. Nós não podemos levantar, todo dia de manhã, e dormir, todo dia à noite, com tuíte de um presidente da República ameaçando o mundo, fazendo guerra. Todos eles tomam decisões sem consultar a ONU, da qual eles são membros e fazem parte do conselho", disparou.

Lula também lamentou o silêncio dos países e pontuou que a democracia, nas Nações Unidas, depende do envolvimento dos países. "Fortalecer o multilateralismo depende de nós", ponderou.

Regulação das plataformas digitais – Além disso, o brasileiro criticou o papel das plataformas digitais na desestabilização política dos países, e pediu que a própria ONU lidere discussões sobre regras compartilhadas entre as nações. "A verdade, nua e crua, é que a mentira ganhou da verdade. Esse é o dado concreto. Para mentir, você não tem que explicar. Para se justificar, você tem que se explicar", analisou.

Lula cobrou ações da ONU também no tema das plataformas. "Ela precisa funcionar para garantir, por exemplo, que as plataformas sejam reguladas, no mundo inteiro, para todo mundo. Não pode o presidente da República interferir na eleição de um país, interferir na eleição de outro, pedir voto para outro. Cadê a soberania eleitoral? Cadê a soberania territorial? Esse é um tema que nós precisamos discutir e nos fazer ouvir. E o cenário que temos que brigar é dentro das Nações Unidas", argumentou.

O FÓRUM – Lançado em 2024, o Fórum Democracia Sempre envolve os governos do Brasil, Espanha, Colômbia, Chile e Uruguai. Em Barcelona, o evento, organizado pelo primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, também conta com as participações dos presidentes Yamandú Orsi (Uruguai), Gustavo Petro (Colômbia), Ciyril Ramaphosa (África do Sul), Claudia Sheinbaum (México) e do ex-presidente do Chile, Gabriel Boric.

Agenda na Europa – Neste domingo (19), Lula deixa a Espanha. Ele viajará à Alemanha, onde participará da Hannover Messe, maior feira de inovação e tecnologia industrial do mundo. Nesta edição, o evento homenageia o Brasil.

Ainda na Alemanha, o presidente brasileiro terá uma reunião com o chanceler Friedrich Merz. A viagem se encerrará no dia 21, com uma rápida visita de Estado a Portugal. Em Lisboa, Lula se encontrará com o primeiro-ministro Luís Montenegro e com o presidente António José Seguro.

 

 

 

 



 

 

*Com informações da Agência Brasil.



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