Nesses dias que antecedem os festejos juninos, uma polêmica envolvendo o grande artista Flávio José foi bastante divulgada nos meios de comunicação, sua desistência dos shows que já estavam contratados em várias cidades baianas, inclusive o de Feira de Santana, no São Pedro do distrito de Bonfim. A Prefeitura agiu rápido e o substituiu por outro importante nome do forró tradicional, Santana o Cantador. Flávio tomou a decisão alegando uma recomendação do Ministério Público Estadual e do Tribunal de Contas dos Municípios, às prefeituras, para ajustar o valor do cachê do artista, R$ 350 mil por apresentação.
Em 2025, cada show dele havia custado em torno de R$ 250 mil, como se pode verificar em pesquisas na internet. De acordo com a regra do MP/TCM, o reajuste do cachê dos artistas contratados para as festas de 2026 deveria ser feito com base no índice da inflação no período. Mas Flávio José aumentou o custo de sua apresentação em 40%. O que disse o artista, em suas redes sociais:
"Este ano a Bahia ficará sem minha presença. Às vésperas da maior festa de manifestação cultural do Nordeste, eu recebo a notícia de que o MP da Bahia resolveu diminuir o meu cachê. Enquanto outros artistas que nada tem a ver com forró ganham rios de dinheiro. É um desrespeito sem tamanho. Lamentável, deixei de vender minhas datas para estados que realmente me valorizam. Priorizei a Bahia durante toda minha carreira e hoje recebo essa informação como gratidão que o estado me devolve".
O prefeito Zé Ronaldo foi elegante com o cantor, demonstrando compreensão e reconhecendo o seu valor. Em suas redes sociais, elogiou a arte de Flávio José e disse que ele jamais explorou a Prefeitura de Feira com pedido de cachês absurdos. Sua experiência não permitiu que ele adentrasse ao mérito do problema em si, no que fez muito bem.
A orientação do Ministério Público e do Tribunal de Contas dos Municípios está correta. É uma medida necessária, até para evitar que prefeitos desavergonhados emitam nota fiscal com valor acima do efetivamente contratado, para que lhe seja devolvida uma parte. Esta é uma prática muito comum no país inteiro e aqui, no Nordeste, não é diferente.
Regra deve ser divulgada de um ano para o outro. Para evitar que, uma vez efetuado o contrato - muitas cidades montam a sua grade de programação com antecedência de vários meses - tenha que ser renegociado depois, para reduzir valor. A nota com as orientações foi divulgada pelo MP em 2 de março deste ano. A Prefeitura de Feira anunciou as suas atrações no dia 30 de abril. Se contratou Flávio José depois antes do anúncio das normas, zero culpa e não deveria acompanha-las. Caso o contrato tenha sido assinado posteriormente à validade do documento com os critérios, tem que assumir o erro.
Chamado para conversar, Flávio José não quis saber. Rejeitou qualquer proposta de redução das cifras e preferiu não fazer mais nenhum show na Bahia. Tudo bem, ele tem o direito de se irritar. Afinal, contrato assinado não deve ser desfeito. E há prejuízo, pois deixou de fechar com cidades de outros estados onde não existem as restrições.
Mas há excessos, em sua manifestação nas redes. Ele diz que "outros artistas que nada tem a ver com forró ganham rios de dinheiro". Não é este o problema em foco. Ao afirmar ter priorizado a Bahia "durante toda minha carreira" e, hoje, "é a gratidão que o estado me devolve", ele, na verdade, é quem está sendo ingrato com o seu público nesse Estado. A orientação para negociar um ajuste em seu cachê não é do povo, mas de um órgão fiscalizador da gestão pública. Flávio, você priorizou a Bahia pelos contratos que lhe foram oferecidos. Os seus fãs, deste estado, é que priorizaram você. E em seu início de carreira, a Bahia lhe foi muito importante, seria bom você reconhecer.
Foi uma surpresa, a reação do excepcional Flávio José. Esperava-se, dele, primeiro que não reajustasse tanto o valor do seu cachê, quase 10 vezes acima da inflação. Que não abandonasse o seu público, mesmo que isto lhe custasse algumas cédulas. Esperávamos nós, seus admiradores, que aceitasse perder algumas cédulas, da bagatela de quase R$ 5 milhões que você iria faturar aqui, em 16 shows previstos. Infelizmente, temos que lhe dizer isto.