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Wellington Freire

Horácio: Uma ode sobre o amor e a amizade

15 de Março de 2026 | 11h 10
Horácio: Uma ode sobre o amor e a amizade

Entre os grandes nomes da poesia da Antiguidade clássica, poucos alcançaram a elegância e a precisão lírica de Horácio. Vivendo no século I a.C., durante o período de consolidação do poder de Augustus, Horácio produziu uma obra poética que atravessou os séculos e se tornou uma das referências centrais da tradição literária ocidental. Suas odes, inspiradas na lírica grega arcaica, combinam refinamento formal, ironia delicada e uma atenção constante às experiências humanas mais universais: o amor, a amizade, a passagem do tempo e a instabilidade da fortuna.

O  poema apresentados a seguir pertence ao primeiro livro das Odes e ilustra bem essa diversidade temática. Em “Sobreviver a Pirra”, Horácio descreve, com fina ironia, a cena de um jovem amante seduzido por uma mulher bela e volúvel, enquanto o poeta observa a situação com a serenidade de quem já atravessou tempestades semelhantes. A tradução aqui publicada é do filólogo e tradutor português Frederico Lourenço, professor da Universidade de Coimbra e um dos mais reconhecidos especialistas contemporâneos em literatura clássica. Seu trabalho busca preservar, na língua portuguesa, a clareza e o ritmo da poesia horaciana, aproximando o leitor moderno de uma das vozes mais sofisticadas da Roma antiga.  Apresentamos também um breve ensaio que busca interpretar esse poema.


1.5 [Sobreviver a Pirra] 


Que grácil rapaz encharcado em líquidos odores

 te aperta com rosa abundante

 sob o antro, ó Pirra, grato? 

Para quem atas a flava cabeleira, 

simples em teus asseios? Ai, muitas vezes ele chorará

a tua fidelidade e os deuses mudados! Como

 ele admirará, desacostumado, as ondas tornadas

 ásperas pelos escuros ventos, 

ele que agora de ti, áurea, crédulo frui; 

ele que te espera sempre disponível, 

sempre carinhosa – néscio da brisa enganadora! 

Desgraçados daqueles a quem 

brilhas inexperimentada. A parede sagrada

 indica com uma tábua votiva 

que eu pendurei as minhas roupas molhadas 

para o poderoso deus do mar




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