Mobilidade urbana é tema permanente, nas grandes cidades. Em Feira de Santana, inclusive, são muito severas as carências, não ditas por mim, que sou leigo no assunto, mas pelos especialistas. O problema impacta especialmente o transporte público, com os usuários reclamando bastante das dificuldades para deslocamento e qualidade geral do serviço. O jornalista e economista André Pamponet, nosso colega colunista aqui na Tribuna, levantou uma expectativa muito interessante, em sua crônica deste início de semana: a (falta de) atuação do Governo do Estado em investimentos de mobilidade neste município.
Diz o excelente articulista e atento observador da gestão pública: "Fiquei pensando que, nos últimos 15 anos, Salvador experimentou mudanças revolucionárias na mobilidade urbana. Metrô, BRT, VLT, estações e terminais modernos, novas avenidas, viadutos e corredores de tráfego".
Estes investimentos, "sinalizam para uma importante redução no tempo de deslocamento da população ou, em outras palavras, mais qualidade de vida". O pensamento lhe ocorreu quando se encontrava na velha Estação Rodoviária da capital, agora contemplada com mais um "presente" do Estado, um moderno terminal de transporte, intermunicipal e interestadual, a ser inaugurado dia 20.
O Estado inaugurou a avenida Noide Cerqueira, em 28 de agosto de 2014, portanto há mais de uma década. Mais recentemente, asfaltou a estrada de Jaguara e recuperou a de Bonfim, em 2024. Pode até haver algo mais, que me fuja à memória. No entanto, é pouco, muito pouco, o que o Governo da Bahia faz por mobilidade em Feira de Santana.
Não almejamos, evidentemente, o quantitativo de obras e de recursos destinados à capital. Mas precisamos e temos o direito de receber bem mais do que o disponibilizado, historicamente.
O ministro Rui Costa sinalizou, no ano passado, algo sobre a estrutura do BRT (Bus Rapid Transit) de Feira de Santana, que a Prefeitura implantou - mas não conseguiu fazer funciona como previsto - ser adaptada para um novo modal de transporte, como um VLT ou trem. Teria ele feito algum contato, desenvolvido alguma ação neste sentido? É uma boa pergunta.
O governador Jerônimo Rodrigues, considerado um feirense por suas ligações com esta cidade, deve ser questionado pela mídia, se não pensa em contemplar a cidade com um investimento dessa natureza. O próprio prefeito José Ronaldo, com sua boa proximidade institucional com o governador, deve conversar com ele sobre possíveis projetos. Nossos deputados, os atuantes Zé Neto e Ângelo Almeida, apoiadores e bastante íntimos da gestão estadual, mais aqueles tantos parlamentares aqui votados, também precisam colocar seu prestígio em ação.