Em reportagem publicada no fim de semana, a Tribuna Feirense revelou que o Orçamento do Município deu um salto exponencial nas duas últimas décadas. São R$ 3,6 bi, este ano, contra R$ 364,7 milhões em 2006. O secretário de Planejamento, Carlos Brito, fez uma leitura técnica deste avanço, considerando a inflação acumulada no período através do IPCA, índice oficial utilizado pelo IBGE: "A análise em valores reais, ancorada no IPCA, constitui instrumento indispensável para decisões estratégicas responsáveis no planejamento municipal".
Chegou à conclusão de que, atualizados para 2026, aqueles R$ 364,7 milhões de 2006 corresponderiam agora a R$ 950 milhões. Deixando valores nominais de lado, o avanço real do Orçamento de Feira nos últimos 20 anos foi de 279% ou 3,8 vezes. Em complemento a esta análise, o experiente contador, professor da Uefs e longevo secretário municipal, diz que é "imprescindível" observar que esta escala positiva nos valores orçamentários, em termos de crescimento real, não se converteu, integralmente, em maior margem, ou capacidade, de investimento público, como se fosse algo automático.
E há uma explicação bem fundamentada, sobre isto. Entre 2006 e 2026, assinala Brito, o Orçamento Municipal passou a absorver crescentes pressões estruturais, notadamente nas áreas de saúde, educação e previdência. A ampliação da rede de serviços do Sistema Único de Saúde, a expansão da educação básica, a valorização do magistério e o crescimento das despesas com pessoal e encargos sociais, entre outros fatores de menor peso, passaram a consumir parcela cada vez maior dos recursos orçamentários.
Nesse sentido, ele justifica, embora o Orçamento de 2026 seja significativamente superior, em termos reais, ao de 2006, a rigidez orçamentária também se intensificou. Tornou-se (o Orçamento) maior, "porém mais comprometido com despesas obrigatórias e vinculadas, fenômeno recorrente em municípios de médio e grande porte que experimentam crescimento econômico sustentado".
A distinção entre crescimento nominal e crescimento real, portanto, é central para a correta compreensão da evolução fiscal de Feira de Santana, explica o secretário. Assim, enquanto o crescimento nominal expressa apenas a variação monetária dos valores, o crescimento real revela "o verdadeiro ganho de capacidade financeira do Município". No período analisado, ambos os indicadores são positivos, mas carregam significados distintos para o planejamento público.
Ele conclui que a comparação entre 2006 e 2026 evidencia que Feira de Santana não apenas acompanhou a inflação, mas obteve crescimento real consistente de sua capacidade orçamentária. No entanto, adverte, o desafio que se impõe para os próximos ciclos, especialmente no âmbito do Plano Plurianual, reside em transformar esse crescimento real em maior capacidade de investimento estruturante, assegurando desenvolvimento urbano, inclusão social e sustentabilidade fiscal de longo prazo.