Em 20 anos, o Orçamento da Prefeitura de Feira de Santana deu um salto de R$ 287,5 milhões, em 2006, para R$ 3,6 bilhões, em 2026. Solicitamos uma análise especializada da Secretaria de Planejamento do Município, diante deste crescimento nominal impressionante. "A simples comparação desses valores indicaria um crescimento extraordinário superior a mil por cento, ao longo de 20 anos. Entretanto, tal leitura ignora a inflação acumulada no período, que impacta diretamente a comparação intertemporal de valores monetários", diz o titular da pasta, Carlos Brito.
Ele observa que medir a evolução orçamentária de um município ao longo do tempo exige rigor metodológico, especialmente quando se trata de períodos longos, marcados por inflação acumulada significativa: "comparações baseadas apenas em valores nominais tendem a superestimar o crescimento da capacidade fiscal, ocultando o efeito corrosivo da inflação".
Nesse contexto, conforme o experiente secretário e professor do curso de Economia da UEFS, a avaliação do Orçamento do Município de Feira de Santana entre 01 de janeiro de 2006 e 01 de janeiro de 2026, com correção monetária pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), permite distinguir de forma clara o crescimento aparente daquele que representa efetivo ganho real de poder de gasto público.
Para efeito de cálculo, adotou-se o IPCA, índice oficial calculado pelo IBGE e amplamente utilizado como referência macroeconômica no país. Na atualização do Orçamento de 2006, assinala, aquele montante equivaleria atualmente a cerca de R$ 950 milhões. A correção evidencia que parte relevante do crescimento observado decorre, na realidade, da recomposição inflacionária dos preços ao longo de duas décadas.
A tabela a seguir sintetiza essa comparação, destacando a diferença entre crescimento nominal e crescimento real do Orçamento Municipal no período analisado.
A leitura da tabela demonstra que, embora o crescimento nominal do Orçamento tenha sido expressivo, ultrapassando 1.100%, o crescimento real — descontada a inflação — situa-se em torno de 250% a 290%. Significa que a capacidade orçamentária efetiva do Município mais que triplicou no período. "Trata-se de um desempenho fiscal relevante, compatível com a expansão econômica, urbana e populacional de Feira de Santana, consolidada como polo regional de comércio, serviços e logística", avalia o secretário.
Esse crescimento real, segundo Brito, está associado, principalmente, à ampliação da base econômica local, ao fortalecimento do setor terciário e ao incremento das receitas próprias, como ISS, IPTU e ITBI. Soma-se a isso a elevação das transferências constitucionais, em especial aquelas vinculadas ao Fundo de Participação dos Municípios e à cota-parte do ICMS, acompanhando o dinamismo econômico regional.