O empresário Rafael Renard Gineste, um dos alvos da megaoperação contra o Primeiro Comando da Capital (PCC) deflagrada na última quinta-feira (28), foi preso em Bombinhas, no litoral norte de Santa Catarina, após tentar fugir de lancha.
Imagens divulgadas pelo programa Fantástico, neste domingo (31), mostram o momento em que agentes da Polícia Federal rendem o suspeito. “Joga fora o celular. Polícia Federal!”, grita um dos policiais durante a abordagem. Uma mulher também foi detida com ele.
Inicialmente, os investigadores procuraram Rafael em um condomínio de luxo em Curitiba (PR), onde ele não foi localizado. O empresário é sócio-administrador da F2 Holding Investimentos, no Paraná.
Além dele, foram presos:
João Chaves Melchior, ex-policial civil;
Ítalo Belon Neto, empresário do setor de combustíveis, investigado por sonegação desde 2001;
Rafael Bronzatti Belon, dono da Tycoon Technology e do banco digital Zeit Bank;
Gerson Lemes;
Thiago Augusto de Carvalho Ramos, empresário do setor de combustíveis em Curitiba.
Outros oito suspeitos continuam foragidos e foram incluídos na difusão vermelha da Interpol. Entre eles está Mohamad Hussein Mourad, apontado como o “epicentro” do esquema. Conhecido como “João”, “Primo” ou “Jumbo”, ele já havia sido preso em 2010 por tentativa de suborno a policiais civis e porte de munições de metralhadora calibre .50.
Também são procurados:
Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, considerado colíder do esquema;
Daniel Dias Lopes, ligado a distribuidoras de combustíveis de Mohamad;
Miriam Favero Lopes, esposa de Daniel e sócia em empresas fraudulentas;
Felipe Renan Jacobs, empresário do setor de combustíveis;
Renato Renard Gineste, empresário do setor de combustíveis;
Rodrigo Renard Gineste, dono de uma rede varejista de roupas;
Celso Leite Soares, empresário do ramo sucroalcooleiro no interior de São Paulo.
Batizada de Carbono Oculto, a ação é considerada a maior já realizada contra o crime organizado no Brasil. A ofensiva mobilizou 1.400 agentes da Polícia Federal, Receita Federal e Ministério Público de São Paulo, que cumpriram 200 mandados de busca e apreensão em dez estados, envolvendo 350 alvos.
As investigações revelaram um esquema bilionário de fraudes no setor de combustíveis, com sonegação estimada em R$ 7,6 bilhões em tributos federais, estaduais e municipais. A Receita Federal aponta que empresas ligadas ao grupo movimentaram cerca de R$ 52 bilhões em benefício do PCC.
O esquema também incluía fundos de investimento para ocultação de patrimônio. Foram identificados 40 fundos, com um patrimônio de aproximadamente R$ 30 bilhões, controlados pela facção. Segundo a PF, parte das operações era realizada no mercado financeiro de São Paulo, com atuação de membros infiltrados na região da Avenida Faria Lima.
As informações são da Folhapress.