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Brasil

Petrobras aprova retorno ao mercado de distribuição de gás de cozinha

08 de Agosto de 2025 | 18h 09
Petrobras aprova retorno ao mercado de distribuição de gás de cozinha
Foto: Reprodução / RBS TV

A Petrobras anunciou, na quinta-feira (7), que seu conselho de administração aprovou o retorno da estatal ao setor de distribuição de gás liquefeito de petróleo (GLP), popularmente conhecido como gás de cozinha ou botijão.

A medida marca a retomada de um segmento abandonado pela empresa durante o governo de Jair Bolsonaro (2019-2022), quando, em 2020, a estatal vendeu a Liquigás para a Copagaz – Distribuidora de Gás S.A. e a Nacional Gás Butano Distribuidora. À época, a justificativa era concentrar esforços na redução da dívida e na exploração e produção de petróleo e gás em águas profundas e ultraprofundas.

No comunicado mais recente, a Petrobras não detalhou de que forma voltará a atuar no mercado, nem se haverá venda direta de botijões para consumidores residenciais. A decisão ocorre em um momento em que o governo federal, controlador da empresa, expressa preocupação com o preço do gás de cozinha.

Em maio deste ano, durante evento na Paraíba, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a disparidade entre o valor praticado pela Petrobras e o preço final ao consumidor. “A Petrobras manda o gás de cozinha a R$ 37. Quando é que chega aqui? Cento e dez reais, R$ 120, tem estado que é R$ 140. [...] Está certo que tem o custo do transporte, mas não precisa pagar tanto”, afirmou.

Histórico da Liquigás

Antes de ser privatizada, a Liquigás tinha presença nacional, com 23 centros de operação e cerca de 4,8 mil revendedores autorizados. Detinha 21,4% de participação de mercado, o equivalente a um em cada cinco botijões vendidos no país.

Apoio dos petroleiros

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) divulgou nota nesta sexta-feira (8) elogiando a decisão, classificando-a como “uma vitória dos trabalhadores e bandeira de luta da FUP”. A entidade argumenta que reduções de preços nas refinarias nem sempre são repassadas pelos distribuidores ao consumidor final.

Gasolina segue fora do plano

A venda direta de gasolina não foi incluída na decisão do conselho. A Petrobras deixou o setor após vender a BR Distribuidora para a Vibra Energia S.A., em 2020. O contrato permite que a Vibra use a marca BR até junho de 2029, período no qual a estatal está impedida de concorrer diretamente no segmento.

No início deste ano, a Petrobras comunicou que não pretende renovar a licença de uso da marca, sinalizando interesse em novas estratégias de mercado.

Balanço financeiro

O anúncio da retomada do mercado de GLP coincidiu com a divulgação do balanço do segundo trimestre de 2025. A Petrobras registrou lucro líquido de R$ 26,7 bilhões — queda de 24,3% em relação ao trimestre anterior, mas superior ao resultado do mesmo período de 2024, quando houve prejuízo de R$ 2,6 bilhões.

A estatal também informou a distribuição de R$ 8,66 bilhões em dividendos e Juros sobre Capital Próprio (JCP) aos acionistas. Do total, cerca de 29% irá para o governo federal, enquanto aproximadamente 8% serão destinados ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).



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