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Brasil

Brasil registra um feminicídio a cada 6 horas em 2024, revela Anuário da Segurança Pública

25 de Julho de 2025 | 09h 40
Brasil registra um feminicídio a cada 6 horas em 2024, revela Anuário da Segurança Pública
Foto: Marcos Santos/USP

O Brasil registrou, em média, um feminicídio a cada seis horas no ano de 2024, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (24) pelo Anuário da Segurança Pública. O levantamento apresenta um perfil detalhado das mulheres vítimas de feminicídio e de mortes violentas intencionais (MVI) no país, evidenciando importantes recortes raciais, sociais e etários.

De acordo com o estudo, 1.492 mulheres foram vítimas de feminicídio no último ano, enquanto outras 3.700 morreram de forma violenta por outras causas. Conforme o Código Penal brasileiro, feminicídio é um tipo de homicídio motivado por questões de gênero, como violência doméstica, familiar ou discriminação contra a mulher. Já as mortes violentas intencionais abrangem também latrocínio, violência policial e outras formas de assassinato.

No cenário estadual, a Bahia registrou o terceiro maior índice de feminicídios do país, contabilizando 111 casos em 2024. Embora esse número seja inferior ao de 2023, a queda foi mínima, com redução de apenas 3,7%.

Perfil das vítimas

No Brasil, 63,6% das mulheres vítimas de feminicídio eram pretas ou pardas. Mulheres brancas representaram 35,7% dos casos, indígenas 0,6% e amarelas 0,2%. Quanto à faixa etária, jovens entre 18 e 24 anos são as mais vulneráveis a mortes violentas (17,2%). Já o grupo entre 35 e 39 anos concentra a maior parte dos feminicídios (15,6%). As mulheres entre 25 e 29 anos também aparecem em destaque, com 13,9% dos feminicídios e 13,8% das mortes violentas.

Locais e circunstâncias

O levantamento destaca que a maior parte dos feminicídios (64,3%) e das mortes violentas contra mulheres (46,5%) ocorre nas residências das vítimas. A via pública é o segundo local mais comum, com 21,2% dos feminicídios e 36,6% das mortes violentas.

Quanto à relação entre vítima e suspeito, 60% dos feminicídios têm como autores companheiros atuais da vítima, e 19,1% ex-companheiros, o que explica a predominância dos crimes dentro das residências. Nas mortes violentas intencionais, companheiros atuais também são os principais suspeitos (38,4%), seguidos por desconhecidos (28,5%).

Armas utilizadas

Nas ocorrências de feminicídio, as armas brancas (como facas, punhais e canivetes) foram as mais usadas, representando 48,4% dos casos, seguidas pelas armas de fogo, com 23,6%. No caso das mortes violentas, a situação se inverte: armas de fogo são responsáveis por 48,3% dos crimes, enquanto armas brancas aparecem em 28,9%. O espancamento também é um método frequente, especialmente entre os feminicídios, com 12,6% dos casos.

 

  



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