Fala-se muito de inclusão, atualmente. Informações
do Tribunal Superior Eleitoral, o TSE, trazem alguns detalhes sobre eleitores
com deficiência, aqui, na Feira de Santana. Os números, porém, são frágeis e
inconclusivos.
Conforme mencionado no texto
anterior, o município possui 426.887 eleitores cadastrados junto ao TSE. Neste
universo, como se sabe, cabe ampla diversidade, embora mal mapeada no
levantamento.
No total, há 3.451 eleitores com algum tipo de
deficiência na Feira de Santana. Deste total, 1.165 são identificados apenas
como “outros”. Não há, portanto, informações mais detalhadas sobre o tipo de
deficiência.
A deficiência mais mencionada é a de locomoção,
com 1.018 casos. Em seguida vem a visual, com 611 registros. Na sequência, há
335 casos de deficiência auditiva. Por fim, há 322 casos de “dificuldade para o
exercício do voto”, o que não traz muitos detalhes. Como se percebe, as
informações não são muito claras.
A mesma situação se verifica no que se refere à
identidade de gênero no eleitorado feirense. Segundo o levantamento do TSE,
402.479 pessoas não informaram com qual gênero se identificam.
Uma minoria, 21.445 eleitores, por sua vez,
informou a condição de cisgênero. Os transgêneros que se identificaram, por sua
vez, são 106 pessoas. Conforme mencionado, o baixo percentual de identificação
dificulta – até impossibilita – qualquer análise dos números.
O mesmo se aplica à população quilombola
feirense. Segundo os dados do TSE, somente 124 eleitores se identificaram como
quilombolas no levantamento. Outras 24.284 afirmaram que não são. As mesmas
402.479 do item anterior não especificaram sua situação no quesito.
Caso as informações sejam disponibilizadas com
maior grau de detalhamento, podem orientar estratégias eleitorais – ajudando no
diálogo entre candidatos e eleitores – mas, sobretudo, subsidiar políticas
públicas para segmentos específicos da população.
Hoje, fala-se bastante de focalização de políticas públicas, de avaliação. Informações bem debulhadas são essenciais para uma focalização mais precisa e para uma avaliação mais robusta. Tomara que, no futuro, essas informações estejam disponíveis para se traçar o perfil do eleitorado com mais precisão.
Faltam
menos de 60 dias para os eleitores feirenses – e brasileiros também – escolherem
prefeito e vereadores para o próximo quadriênio. Informações disponíveis no
site do Tribunal Superior Eleitoral, o TSE, permitem conhecer o eleitorado
local e traçar seu perfil. Para quem é candidato, ajuda a calibrar o discurso e
ajustar o foco da campanha.
As
informações indicam que, na Feira de Santana, estão cadastrados 426.887
eleitores. Deste total, há 235.096 pessoas do gênero feminino (55,07% do total)
e 191.790 do gênero masculino, o que corresponde a 44,93% da população. Há,
ainda, um caso de eleitor que não informou o gênero.
Quem
vota na Feira de Santana é gente predominantemente madura; 111,8 mil eleitores
estão na faixa etária dos 45 aos 59 anos; 97 mil estão entre 35 e 44 anos; Com
idade superior a 79 anos há, apenas, 9,1 mil eleitores.
Somente
506 eleitores têm 16 anos e cerca de 1,3 mil tem 17 anos. 17 mil têm entre 18 e
20 anos e 32,5 mil estão na faixa dos 21 aos 24 anos. Há quantidade maior
apenas na faixa subsequente (25 a 34 anos), com 87 mil pessoas. O eleitorado
feirense, hoje, é menos jovem do que já foi no passado.
No
que se refere à cor/raça, há uma grande lacuna nos números. Nada menos que 402
mil eleitores (94,28%) não estão identificados neste critério. Pardos são 13,7
mil, pretos são 7,3 mil e brancos 3,1 mil. Informações insuficientes, portanto,
para se definir o perfil da população por sua cor/raça.
Com
relação à escolaridade, a situação já foi pior. O número de eleitores
analfabetos soma 9,2 mil pessoas (2,17% do total). Aqueles com ensino superior
completo, por outro lado, vem crescendo ao longo do tempo e já representam 10,13%
do eleitorado, ou 43,2 mil pessoas. O que prevalece, porém, são aqueles com
ensino médio completo (150,7 mil), o que equivale a 35,31% da população.
Um
quinto do eleitorado feirense (19,22%), porém, dispõe só do ensino fundamental
incompleto. São 82 mil pessoas, muita gente. Outras 26,2 mil pessoas não
passaram pela alfabetização formal, mas leem e escrevem. Não são números que
entusiasmem, mas é necessário ressaltar que a situação já foi bem pior.
Disponíveis para consulta no site do TSE há inúmeras outras informações. Alvo de incontáveis ataques de ensandecidos da extrema-direita, o sistema eleitoral brasileiro vem evoluindo a cada eleição e o expressivo volume de informações disponível reforça a transparência e fortalece a democracia neste País.
É
comum, nos discursos sobre a Feira de Santana, se falar da pujança econômica, da
vocação do município para o desenvolvimento. Particularmente, sempre se
enaltece o espírito mercantil do feirense, que faz da Princesa do Sertão um afamado
entreposto comercial em torno do qual gravitam dezenas de municípios. Nada
disso é novidade. O que não chega a ser novidade, mas recebe pouca atenção, é a
realidade do mercado de trabalho local.
Por
aqui, o trabalhador formal ganha pouco. Na média, 1,9 salários-mínimos. Entre os
33 municípios do entorno, o valor corresponde à 11ª posição. Em nível estadual,
o desempenho é mais decepcionante: 154ª colocação. Vexatória, mesmo, é a comparação
em relação aos mais de 5,5 mil municípios brasileiros: a Feira de Santana
figura só na 2804ª posição.
Os
números são de 2022 e estão disponíveis no site do Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística, o IBGE. Lá é possível constatar que havia 165.438
pessoas ocupadas na Feira de Santana naquele ano. Isso corresponde à primeira
colocação no entorno, à segunda na Bahia e à 50ª no Brasil. Note-se que são
números absolutos.
Percentualmente,
esses 165 mil feirenses ocupados correspondem a 26,84% da população local.
Quando se compara esse percentual aos dos demais municípios brasileiros,
percebe-se que a Princesa do Sertão é apenas o segundo no entorno, o 18º na
Bahia e o 1304º no Brasil. Em suma, há muita gente trabalhando por aqui, mas
percentualmente menos em relação à população de boa parte das cidades
brasileiras.
Há
um bom tempo o salário médio mensal do feirense que dispõe de posto formal de
trabalho corresponde a 1,9 salários-mínimos. Legado dos longos anos de crises
econômicas, pandemia e governos desastrosos. Mas também do baixo dinamismo do
mercado de trabalho local, concentrado no comércio e nos serviços.
É
bom frisar que essa turma é até privilegiada em relação a quem moureja por conta
própria, na informalidade ou, simplesmente, padece sob o desemprego. Sobre
estes, o site do IBGE não disponibiliza informações. Mas não devem ser mais bem
remunerados, nem dispor de melhores condições de trabalho que o trabalhador formal,
conforme se vê Brasil afora.
Nos
últimos anos, o Brasil vive a coqueluche do empreendedorismo. É o tema único, o
objetivo de todos, a mola propulsora da nação. Essa febre, em parte, explica a
negligência em relação a questões relacionadas ao trabalho e ao trabalhador,
que permanecem encobertas e são pouco discutidas.
Alguns
veículos da imprensa brasileira encontraram, como “grande notícia” do fim de
semana, uma medalha concedida por Jair Bolsonaro, o “mito”, ao presidente ultrarreacionário
argentino, Javier Milei. A honraria distinguia o destemperado dirigente do país
vizinho como “imorrível, imbrochável e incomível”, não necessariamente nesta
ordem. Sabe Deus que tipo de teste ou exame fizeram para julgá-lo assim.
O
fato é que o episódio até foi mais cômico que constrangedor. Na “cerimônia” de
entrega, mesmo caprichando no portunhol, a turma pouco se fez entender.
Foi necessário até um gesto com o punho para realçar o caráter viril do mimo.
Testemunha de tudo, a irmã do presidente hermano.
Fico
imaginando se os acólitos do “mito”, Brasil afora, não vão defender que se
aprove a honraria nos municípios. Afinal, muitos serão candidatos a vereador.
Seria uma maneira singular de reafirmar o compromisso com Deus, com a pátria,
com a família e – sobretudo – com os costumes conservadores.
Além
de reafirmar os valores conservadores, a “medalha do imbrochável” – vamos chamá-la
assim – renderia muito voto, com certeza. Sobretudo de postulantes à honraria.
Talvez rendesse comentários maliciosos, desconfianças, mas essas adversidades não
afligem o cristão, principalmente aquele que guarda sua fé e não teme os
maledicentes.
Talvez
pipoquem, portanto, na campanha eleitoral, propostas criando a “medalha do
imbrochável” por todo o Brasil. Será que nenhum acólito mais afoito do “mito” vai
recorrer à proposta para chegar à Câmara Municipal da Feira de Santana? Vá lá
que, por aqui, não faltem honrarias, que são distribuídas a migué, como reza a
gíria baiana.
Esta, no entanto, não seria
mais uma. Talvez tivesse uma conotação especial para a turma de Deus, da pátria,
da família. Afinal, só os machos – os verdadeiramente machos –
seriam regalados. É uma proposta boa. Vai que algum postulante à edilidade
feirense abrace a ideia? Por aqui, tudo é possível...
Segunda-feira
(01) o presidente Lula (PT) estará na Feira de Santana inaugurando formalmente
as obras de duplicação da BR 116 Norte. O evento – informa a programação
oficial – acontece no antigo Derba, na altura do quilômetro 420 da rodovia. Na
ocasião, Lula deve anunciar a duplicação do Anel de Contorno – no trecho entre
a Cidade Nova e a BR 324 – e a construção de novas unidades habitacionais do
Minha Casa Minha Vida.
Ironicamente,
exatos dois anos e cerca de um quilômetro separam Lula do seu antecessor, Jair
Bolsonaro, - o “mito” – do mesmo cenário feirense e da mesma obra. Em 1º de julho
de 2022, às vésperas da campanha presidencial, o “mito” promoveu um motociata
na Feira de Santana, seguida de comício no viaduto então inacabado defronte a
Uefs.
O
“mito” não se reelegeu, as obras prosseguiram, foram concluídas e, agora, o presidente
visita pela primeira vez a Feira de Santana neste terceiro mandato. O ato
servirá, também, para impulsionar a pré-campanha do deputado federal Zé Neto
(PT), que tenta, pela sexta vez, chegar à prefeitura feirense.
Não
é exagero afirmar que este será o momento culminante da caminhada petista na
Feira de Santana, embora a campanha, oficialmente, só comece em agosto. Afinal,
nada indica que Lula retornará à Feira de Santana até outubro, quando acontece
o primeiro turno. O clímax, portanto, vai acontecer antes da campanha
propriamente dita.
Imagino
que Lula siga prestigiado junto ao eleitorado feirense. Sobretudo em bairros
periféricos, como o Campo Limpo, onde acontecerá o evento. É inegável que, nesses
lugares, o dinheiro circula, há mais consumo e a vida melhorou. Os horrorosos
anos de pandemia e aguda crise econômica ficaram para trás. O povão votou em
Lula, justamente, apostando nisso.
Isso
não quer dizer, porém, que o apoio de Lula significa a automática eleição de
seus candidatos. É bom lembrar que eleição municipal é eleição municipal, as
preferências reveladas não costumam se misturar com as escolhas em nível
federal. Mas a presença do presidente não deixa de representar um trunfo que
pode, sim, render votos.
O
fato é que a presença de Lula aquece esta fase pré-eleitoral. Sobretudo porque,
além da inauguração, haverá o anúncio de novas obras. A duplicação do Anel de Contorno
deve solucionar os crônicos engarrafamentos no trecho norte da via. As novas
unidades habitacionais, por sua vez, contribuirão para reduzir o déficit de moradias
na Feira de Santana.
A
partir daqui a sucessão municipal – meio morna até o momento – deve despertar a
atenção do eleitorado, ainda envolvido com as celebrações juninas...