Na segunda parte de uma rápida entrevista, o ex-candidato a prefeito de Feira de Santana por duas vezes, o empresário e expoente local do Partido Novo, Carlos Medeiros, comenta sobre os governos Federal, Estadual e Municipal. Sábado, neste portal, em texto de abertura de nossa conversa, ele disse que é pré-candidato a deputado, sem ainda haver definido se a estadual ou federal.
Sobre o trabalho do prefeito José Ronaldo, que enfrentou nas urnas no último pleito, disse que faz o "feijão com arroz, o básico". Não vê "ruptura que possa trazer para a cidade a mudança de patamar que a gente precisa". A estrutura da máquina pública segue "muito inchada", ele diz, e a gestão acaba "gastando dinheiro onde não precisa, para colocar mais pessoas", o que causa falta de recursos para a administração "trazer novidades".
A quantidade de secretarias, juntas com as autarquias municipais, é considerada "absurda" pelo ex-candidato a prefeito de Feira. "Minha expectativa não era alta", observa o empresário e político, para quem a governança em Feira de Santana está "muito em linha com o que foi apresentado em campanha". A cidade, em seu olhar, precisa de um "choque de gestão que não tem sido notado no quadro atual".
Insatisfeito ele também está com Lula e Jerônimo Rodrigues. "De modo geral (o Estado) comete o mesmo desastre do Governo Federal". Entende que, "muito voltada para o assistencialismo", o modelo petista de gestão não motiva a população pobre a buscar ganhos efetivos. O poder público, ele diz, deve se preocupar "muito mais em fazer as pessoas buscarem a oportunidade de ter seu próprio sustento, se libertar da ajuda do Estado". Em outras palavras, Medeiros critica as regras do assistencialismo praticado.
"Se (a pessoa) ganha um salário mínimo, perde o bolsa-família. É um absurdo. Deveria ser diferente. Incentivo era quem está sob o benefício ter prazo para conseguir trabalho. Empregado, vai continuar no programa, se ganhar salário mínimo", afirma. Ele entende que o programa social em que o cidadão perde o direito porque obteve uma vaga no trabalho formal não desestimula a carteira assinada: "A realidade é que essas pessoas não querem (o registro em carteira) para que possam continuar no assistencialismo".
Os governos federal e estadual, em sua avaliação, trabalham "muito diferente" daquilo que pensa. "Precisa ensinar a pescar e não dar o peixe. Cada um vai ter que progredir conforme sua vontade e seu talento e o papel do Estado é colocar todos na mesma linha, em igualdade de oportunidades". O desenvolvimento, segundo ele, vai depender do esforço pessoal de cada um.
Mesmo não aprovando a performance do governador, em linhas gerais, Medeiros não deixa de reconhecer, especificamente, o esforço de Jerônimo Rodrigues pela cidade. "Não tenho dúvida de que, dos últimos governos é o que tem dado maior atenção a Feira de Santana".