Na próxima terça-feira (17) comemora-se o Dia Mundial de Combate ao Câncer de Próstata, mas todo o mês de novembro é “azul”, ou seja, nele se concentram campanhas para a prevenção e combate a esta doença de números alarmantes.
Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), é o sexto tipo de câncer mais comum no mundo e o mais prevalente em homens. A cada seis homens, um é portador da doença.
No Brasil, é o segundo mais comum entre os homens, atrás apenas do câncer de pele não-melanoma. Foram 13.772 mortes em 2013 e 68.800 novos casos no país em 2014. Na Bahia, foram 46,16 casos para cada 100 mil homens em 2014. Em Feira de Santana, estimou-se a ocorrência de cerca de 140 novos casos no ano passado. Contra a doença, explica o renomado urologista João Batista de Cerqueira, além de cuidados preventivos, o caminho é realizar exames anualmente, a partir de determinada idade.
O senhor acaba de chegar do XXXV Congresso de Urologia, no Rio de Janeiro. Foi apresentada alguma novidade sobre o câncer de próstata no evento?
Além dos avanços tecnológicos hoje disponíveis para o tratamento e cura, alguns centros já começam a experimentar o tratamento localizado do câncer de próstata, ou seja, a exemplo do câncer de mama que nem sempre exige a realização de uma mastectomia total, o futuro aponta na direção de que essa mesma forma de abordagem possa ser realizada no câncer de próstata. Evidentemente, para tal, será necessário um diagnóstico cada vez mais precoce da doença.
O toque retal detecta 100% dos casos? Além dele, quais são os exames feitos para diagnosticar a doença?
Não. Quando somente tínhamos essa alternativa, diagnosticávamos cerca de 50% dos casos apenas e, o que era mais desagradável, pouco tínhamos a oferecer aos pacientes.
O exame endoretal continua sendo uma técnica essencial para o diagnóstico do câncer de próstata, que, aliado à dosagem bioquímica do PSA (sigla que em inglês significa antígeno prostático específico), à ultrassonografia e à ressonância multiparamétrica da próstata, permite fazer o diagnóstico precoce de cerca de 95% dos casos de câncer de próstata, aumentando a taxa de cura para cerca de 90% dos casos.
Muitos homens ainda deixam de fazer o exame por preconceito?
Cada vez mais os homens buscam fazer sua avaliação. As campanhas realizadas por diferentes entidades, a importante participação da mídia, vêm contribuído de forma significativa para vencer o preconceito.
Já existem métodos tão eficientes, porém menos invasivos que o toque, como exames de imagem?
O exame endoretal é uma das ferramentas que faz os profissionais da urologia suspeitarem da presença de um câncer de próstata. Os exames de imagem, a exemplo da ultrassonografia e da ressonância nuclear multiparamétrica da próstata, não fecham o diagnóstico. Em ambos os casos, apenas indicam que existem áreas suspeitas de câncer, da mesma forma que o toque retal também pode informar. À luz do conhecimento atual, somente através do exame realizado no tecido prostático coletado em biópsia é possível o diagnóstico definitivo.
Quais são os sintomas do câncer de próstata?
Na fase inicial, o câncer pode não presentar sintomas. Entretanto, nos estágios subsequentes pode determinar alterações no esvaziamento vesical (jato fraco, gotejamento terminal, nocturia e sensação de resíduo vesical) e, finalmente, propagação do câncer para os tecidos e órgãos próximos à próstata e para os ossos.
O problema também acomete crianças?
Não. O câncer de próstata é uma patologia cujo desenvolvimento se dá a partir da quarta década de vida e aumenta com o envelhecimento.
Como é o tratamento do câncer prostático? Em quais casos pode haver indicação de cirurgia de retirada do órgão?
O tratamento depende do estágio em que o câncer venha a ser diagnosticado. É possível a cura através da radioterapia conformacional e da cirurgia, prostatectomia radical, que deve ser indicada apenas para os pacientes com expectativa de vida superior a 10 anos.
O robô Da Vinci, que faz a cirurgia de modo a diminuir o tempo de internação e deixar menos sequelas, existe apenas em São Paulo ou já está presente também em outros estados?
Pelo alto custo para aquisição do equipamento, cuja manutenção anual é da ordem de 120 mil dólares, ainda temos poucos robôs instalados no Brasil: Cinco na cidade de São Paulo, um no Rio de Janeiro e um em Fortaleza.
Com a retirada da próstata, o homem se torna infértil?
Sim, se pensarmos apenas em fecundação de modo natural, vez que, após a cirurgia, não mais o paciente apresenta ejaculação, ou seja, não mais apresentará o sêmen, que é um líquido produzido pela próstata e pelas vesículas seminais. Entretanto, é possível, através de técnicas de reprodução assistida, que esse paciente venha a ter filhos.
Quais são os grupos de risco ou os indivíduos mais vulneráveis?
São três os principais fatores de risco: Etnia: diferentes estudos indicam que os homens de origem melanodérmica (negros) têm mais câncer de próstata que europeus caucasianos. História familiar: O risco varia conforme o número de parentes afetados, sendo inversamente relacionado à idade. Com um caso na família o risco é 2,2 vezes maior. Com mais de um caso o risco é 3,9 vezes maior. E quanto mais idade, mais chance de câncer de próstata.
Quais são as medidas de prevenção?
São duas as medidas preventivas que dependem do paciente: prevenção primária, que depende dos hábitos de vida do paciente: evitar obesidade e tabagismo, reduzir o uso de carnes e gorduras e aumentar o uso de alimentos ricos em betacarotenos. E a prevenção secundária: fazer avaliação urológica anual a partir dos 45 anos, ou a partir dos 40, se for de origem melanodérmica e tiver casos de câncer de próstata ou mama na família.