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  • Feira de Santana, segunda, 15 de junho de 2026

César Oliveira

Caixa de Pandora: 35% dos professores avaliados pelo MEC não sabe o básico para dar aulas

César de Oliveira - 15 de Junho de 2026 | 11h 28
Caixa de Pandora: 35% dos professores avaliados pelo MEC não sabe o básico para dar aulas

Os resultados da primeira edição da Prova Nacional Docente (PND) são um espelho estarrecedor da realidade educacional do Brasil. Dados do Ministério da Educação (MEC), revelam que 35% dos mais de 760 mil professores avaliados não atingiram o nível básico de proficiência — registrando notas abaixo de 50 em escala de 100 pontos. Em Artes, 50,1% dos profissionais enfrentam severas lacunas; em Letras chega a 39,5%; em Pedagogia( a base de nossa educação) o índice chega a 37,2%; e, no topo dessa crise, a Matemática amarga a marca de 54,1% de docentes que não demonstraram domínio adequado do conteúdo que se propõem a ensinar.

Esses números não devem ser encarados como um veredito de culpa sobre os ombros dos professores, mas sim como o sintoma de um colapso estrutural na forma como o Brasil atrai, forma e trata os seus educadores. O impacto dessa realidade na qualidade do ensino e no desenvolvimento do país é devastador. O reflexo imediato é o efeito cascata da defasagem: o estudante que não aprende corretamente arrastará essa lacuna por toda a vida escolar, alimentando um ciclo vicioso de exclusão e ampliando a histórica desigualdade socioeconômica do país.

O país convive há anos com a falta de formação específica, com professores lecionando matérias fora de suas áreas de graduação devido à escassez de profissionais. Soma-se a isso o currículo anacrônico de muitas licenciaturas, que priorizam teorias distantes do cotidiano escolar em detrimento do domínio profundo do conteúdo prático e das novas competências digitais e metodologias ativas. E, em muitas unidades formadoras há contaminação por modelos ideológicos limitantes. Além disso, os salários baixos afastam os jovens talentos das universidades da carreira docente, enquanto aqueles que permanecem enfrentam uma sobrecarga de trabalho exaustiva, que anula o tempo necessário para planejar, estudar e corrigir rotas pedagógicas.

Reverter esse quadro exige coragem política e um plano de intervenção que vá além de paliativos. Primeiramente, o país precisa de um choque de qualidade na formação inicial, reformulando os currículos universitários para equilibrar a teoria com a prática real de sala de aula. Em segundo lugar, os dados da PND devem ser utilizados de forma inteligente pelas secretarias de educação para guiar programas de formação continuada focados nas reais dores de cada rede, oferecendo oficinas práticas e suporte em vez de punições. Por fim, é necessário  a valorização real da carreira, com salários dignos. E programas de avaliação continuados focados em intervenção e recuperação.

A Prova Nacional Docente abriu a Caixa de Pandora ao mapear a gravidade da nossa crise educacional. Agora, para manter a esperança o Brasil precisa agir transformando o diagnóstico em um pacto nacional pela reconstrução da docência. O futuro das nossas próximas gerações depende, exclusivamente, da coragem de enfrentamento a essa barbárie educacional. 



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