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Saúde

Oncologista do HEC destaca importância do diagnóstico precoce no combate ao câncer infanto-juvenil

15 de Setembro de 2015 | 17h 28
Oncologista do HEC destaca importância do diagnóstico precoce no combate ao câncer infanto-juvenil
T.O.R.S., 15 anos, natural de Jacobina e sua mãe, Cláudia Daniela da Silva Oliveira

Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) apontam que cerca de 10 mil novos casos de câncer infanto-juvenil são registrados, todos os anos, no Brasil. Como forma de combater este tipo da doença, alertando a população sobre a importância da adoção de ações preventivas, neste mês comemora-se o “setembro dourado”.

 No Hospital Estadual da Criança (HEC) / Liga Álvaro Bahia Contra a Mortalidade Infantil (LABCMI), a data está sendo lembrada devido ao serviço de Oncologia Pediátrica existente na unidade hospitalar desde novembro de 2013. Ao longo deste período de funcionamento, o serviço já contabilizou 167 pacientes diagnosticados; desse número, 60 pacientes já terminaram o tratamento e estão em acompanhamento na unidade.

 Dentre os pacientes diagnosticados com câncer infanto-juvenil no HEC está T.O.R.S., 15 anos, natural de Jacobina. Ele e sua mãe, Cláudia Daniela da Silva Oliveira, estão em Feira de Santana há um mês realizando o tratamento de combate à Leucemia Linfóide Aguda (LLA).

 “Comecei sentindo dores no peito. Fui a um hospital em Jacobina, fiz uns exames, e descobri que minhas plaquetas estavam baixíssimas. Fizeram uma investigação mais detalhada e descobriram que eu estava com leucemia. Desabei quando soube a notícia, fiquei em choque, mas a fé em Deus me faz acreditar que tudo vai dar certo. Estou sempre pra cima, brincando, porque sei que se eu desanimar é pior. O tratamento que recebo aqui no HEC me ajuda muito. Esse hospital é show!”, declara o paciente.

 Sua mãe acredita que o diagnóstico precoce vai ajudar muito no tratamento. “Creio que a descoberta inicial vai contribuir significativamente para que meu filho fique logo bom. Deus está no controle de todas as coisas e estamos muito esperançosos”, afirma Claudia Oliveira.

 Segundo o médico Maurício Meira, coordenador do Centro de Oncologia do HEC, apesar de ser raro, principalmente comparado ao câncer nos adultos, o câncer infanto-juvenil é a segunda maior causa de mortalidade na faixa etária de 0 a 19 anos - superado pelas causas externas (acidentes).

 “Com os avanços no tratamento, as taxas de cura vêm alcançando a margem de 70%. Essas taxas são maiores para os pacientes com diagnósticos precoces, porém observamos que há pacientes que chegam às unidades de oncologia com estágios muito avançados da doença. O diagnóstico feito em fases iniciais do câncer infanto-juvenil permite um tratamento menos agressivo, pois quando a carga da doença é menor, há mais possibilidades de cura e menores sequelas associadas à doença ou ao tratamento”, explica o oncologista.

 Dr. Maurício Meira acrescenta que existem vários níveis de prevenção do câncer. “As medidas de prevenção primária são aquelas que visam diminuir ou eliminar a exposição a fatores de risco sabidamente carcinogênicos, a exemplo da vacina contra o HPV – aplicada na adolescência, mas que reflete resultados na fase adulta. Essa vacina previne formas de câncer de colo uterino (em mulheres) e pênis (homem), por prevenir a infecção viral. Mas o papel dos fatores ambientais no câncer infantil é mínimo”.

 Ainda de acordo com o oncologista, exceto pela vacinação contra a hepatite B - que é eficaz na prevenção do desenvolvimento do hepatocarcinoma -, normalmente as medidas de prevenção primária não são efetivas na fase pediátrica. “O importante é a prevenção secundária nesta faixa etária, cujo objetivo é a detecção do câncer em um estágio inicial”, informa.

 De acordo com Dr. Maurício Meira, o diagnóstico precoce é uma forma de prevenção secundária que inclui a adoção de medidas para a detecção de lesões em fases iniciais da doença a partir de sinais e sintomas clínicos, seguida por um tratamento efetivo. “Atualmente o diagnóstico precoce é considerado uma das principais formas de intervenção que pode influenciar positivamente no prognóstico do câncer na criança e no adolescente”, finaliza.

 



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