O Governo Federal publicou, na noite desta sexta-feira (10), as novas regras para a publicidade das plataformas de apostas esportivas, as chamadas bets. As medidas entram em vigor a partir de 17 de julho e tornam obrigatória a exibição de advertências criadas pelo Ministério da Fazenda (MF), em todas as campanhas.
A normativa amplia as restrições ao conteúdo das propagandas, com proibição de anúncios que incentivem apostas como forma de ganhar dinheiro ou utilizem comentaristas para influenciar o público.
As diretrizes foram publicadas em duas portarias: uma
elaborada pelo Ministério da Fazenda e outra
desenvolvida, em conjunto, pelos ministérios da Fazenda; da Justiça e Segurança
Pública (MJSP); e Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da
República.
As medidas fazem parte da
estratégia do Governo Federal para reforçar a proteção dos consumidores e endurecer
a fiscalização sobre o setor.
Alertas obrigatórios – Todas as
propagandas de empresas autorizadas a operar no Brasil sejam acompanhadas de mensagens de advertência semelhantes às
utilizadas em propagandas de cigarros, bebidas alcoólicas e medicamentos. Pelas
novas regras, as peças publicitárias deverão exibir um dos seguintes alertas:
- "Ministério da Fazenda adverte: apostar faz você
perder dinheiro";
- "Ministério da Fazenda adverte: apostar pode causar
dependência";
- "Ministério da Fazenda adverte: aposta não é
investimento".
Segundo a portaria baixada pelo MF, os avisos deverão
aparecer na horizontal, de forma clara, legível e proporcional ao restante da
publicidade, ocupando, pelo menos, 10% do comprimento ou do tamanho do anúncio.
Novas restrições – O órgão enfatiza
que, além dos avisos, as
portarias estabelecem uma série de proibições para as campanhas publicitárias
das bets. Dentre as principais
vedações, estão:
- apresentar apostas como investimento, fonte de renda ou
solução financeira;
- sugerir ganho fácil ou enriquecimento rápido;
- criar senso de urgência para estimular apostas imediatas;
- divulgar histórico de premiações ou ganhos para incentivar
apostas;
- induzir consumidores ao erro, com informações falsas ou
enganosas;
- utilizar mensagens de cunho sexual, discriminatório ou
ofensivo;
- direcionar publicidade a crianças e adolescentes.
Também estão proibidas campanhas
que associem apostas ao sucesso pessoal, social ou financeiro. Do mesmo modo, resta
proibido às empresas apresentar o jogo como prioridade de vida.
Comentaristas proibidos – As novas regras também atingem
transmissões esportivas e programas de análise. A partir da entrada em vigor
das portarias, comentaristas, especialistas e analistas não poderão utilizar
sua autoridade técnica para sugerir ou recomendar apostas específicas durante
eventos esportivos.
A norma proíbe a divulgação de estratégias, análises ou
opiniões capazes de influenciar a realização de apostas em determinado jogo ou
mercado.
Na última quinta-feira (9), o ministro da Fazenda, Dario
Durigan, pronunciou-se sobre a edição das portarias.
Segundo ele, a intenção é impedir que comentários técnicos sirvam como
incentivo ao jogo.
Empresas ilegais – O gestor também reforçou que veículos
de comunicação, plataformas digitais, agências de publicidade e demais meios de
divulgação não poderão veicular anúncios de empresas de apostas que não tenham
autorização para operar no Brasil.
Conforme Durigan, a política do
governo é "tolerância zero" com as bets ilegais. A medida complementa outras ações
adotadas, nas últimas semanas, como a notificação de fintechs que
movimentavam recursos de plataformas clandestinas e a derrubada de milhares de sites
irregulares.
Penalidades – O descumprimento das novas regras
poderá resultar em sanções administrativas às empresas autorizadas. As punições previstas incluem:
- multa de até 20% do faturamento
da operadora;
- suspensão das atividades por até
180 dias;
- cassação da autorização de
funcionamento em casos de reincidência grave.
Além disso, a Secretaria Nacional do
Consumidor (Senacon) informou que veículos e empresas responsáveis pela
divulgação de publicidade irregular poderão receber multas de até R$ 14
milhões.
O Governo Federal também prevê responsabilizar as casas de
apostas se influenciadores contratados descumprirem as regras. Além disso, o conteúdo
considerado irregular pode ser removido.
*Com informações da
Agência Brasil.