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  • Feira de Santana, quinta, 09 de julho de 2026

Economia

Publicidade de bets terá aviso sobre risco de dependência e perdas

09 de Julho de 2026 | 18h 20
Publicidade de bets terá aviso sobre risco de dependência e perdas
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

As empresas de apostas esportivas online, as chamadas bets, precisarão se enquadrar em regras mais duras de publicidade. O anúncio foi feito, nesta quinta-feira (9), pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan.

As normativas serão publicadas amanhã (10) e entrarão em vigor no dia 17 de julho. As medidas incluem a obrigatoriedade de advertências nas campanhas publicitárias; restrições às estratégias de marketing; e o reforço da fiscalização sobre empresas que atuam de forma irregular.

Alertas obrigatórios – Uma das portarias expedidas pelo Ministério da Fazenda (MF) determina que toda publicidade de empresas autorizadas seja acompanhada de mensagens de advertência semelhantes às utilizadas em propagandas de cigarros, bebidas alcoólicas e medicamentos. Pelas novas regras, as peças publicitárias deverão exibir uma das seguintes mensagens:

 

- "Ministério da Fazenda adverte: apostar faz você perder dinheiro";

- "Ministério da Fazenda adverte: apostar pode causar dependência";

- "Ministério da Fazenda adverte: aposta não é investimento".

 

E acordo com Dario Durigan, o objetivo do Governo Federal é ampliar a conscientização da população sobre os riscos associados às apostas.

Publicidade limitadaElaborada em conjunto com o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), a segunda portaria estabelece novas restrições para as campanhas das empresas autorizadas.

Entre as medidas, estão: a proibição de apresentar apostas como forma de investimento ou ganho fácil de dinheiro, de criar senso de urgência para estimular apostas e de utilizar comentaristas, especialistas ou influenciadores para induzir o público a apostar.

Conforme o ministro, "todos os canais estão sujeitos a essas regras”. O gestor enfatizou, ainda, que “todo comentarista está proibido de induzir”. Para Durigan, “os comentaristas ou especialistas que comentam jogos ou mesas-redondas têm, para algumas pessoas, um tom de autoridade e, ao passar uma informação, também induzem ao jogo".

Além disso, o ministro ressaltou que o Governo Federal pretende impedir o uso de análises técnicas como estratégia de convencimento do apostador. "Não é lícito nem regular, induzir o consumidor a erro, misturando o comentário de um especialista, dizendo que a melhor aposta é uma ou que o caminho é aquele, dando um verniz de respaldo técnico", declarou.

As novas regras também proíbem a divulgação de históricos de premiações ou resultados anteriores capazes de estimular apostas. "Quando se mostra o histórico de premiação, se oculta o histórico de perdas", observou.

As campanhas publicitárias também não poderão direcionar publicidade para crianças e adolescentes. "Há tolerância zero à publicidade que, de alguma maneira, busque atingir criança e adolescente", reforçou Durigan.

Combate às ilegais Durante coletiva de imprensa, o ministro reafirmou que o governo manterá uma atuação rigorosa contra empresas que operam sem autorização. "A gente faz restrições à publicidade de bets no país. Eu não preciso dizer, porque é chover no molhado, que a nossa tolerância é zero com as ilegais. Então, bet ilegal, em nenhuma medida, está autorizada, e nem os publicitários, os veículos de comunicação estão autorizados a veicular qualquer publicidade envolvendo empresa não autorizada a operar no mercado", advertiu.

Penalidades – Conforme o ministro, a proibição também alcança plataformas e veículos responsáveis pela divulgação das campanhas. O gestor frisou que empresas que desrespeitarem as novas regras poderão sofrer sanções administrativas. As penalidades previstas incluem:

 

- multa de até 20% do faturamento da operadora;

- suspensão das atividades por até 180 dias;

- cassação da autorização de funcionamento em casos de reincidência grave.

 

Durigan também apresentou um balanço das ações de fiscalização conduzidas pelo Governo Federal, desde a regulamentação do setor. De acordo com o ministro:

 

- 56 mil sites de apostas ilegais já foram retirados do ar;

- cerca de 1 mil perfis de influenciadores foram derrubados;

- aproximadamente, 1 milhão de apostadores tiveram a autoexclusão determinada, por estarem em desacordo com as restrições previstas na legislação.

 

Durigan enfatizou, ainda, que beneficiários de programas do governo estão proibidos de acessar tais plataformas online, por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Pessoas que aderem ao programa Desenrola também não podem.

O ministro acrescentou, ainda, que as próprias empresas autorizadas têm colaborado com denúncias envolvendo operadores clandestinos. Durigan apresentou uma linha do tempo da regulamentação das apostas esportivas no Brasil:

 

- 2018: autorização legal para funcionamento, sem regulamentação;

- 2023: Congresso aprova as regras gerais do setor;

- 2024: criação da Secretaria de Prêmios e Apostas, no Ministério da Fazenda;

- 2025: início da cobrança de outorgas e da aplicação das regras para operação regular;

- 2026: notificação de 37 fintechs suspeitas de movimentar recursos ligados a bets ilegais.

 

Conforme o Ministério da Fazenda, o objetivo das novas medidas é reduzir práticas publicitárias consideradas abusivas; ampliar a proteção ao consumidor; e reforçar o combate ao mercado ilegal de apostas no Brasil.

 

 

 



 

 

*Com informações da Agência Brasil.



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