Tribuna Feirense

  • Facebook
  • Twiiter
  • (75) 9707-1234
  • Feira de Santana, sexta, 10 de julho de 2026

André Pomponet

Deserto de ideias

André Pomponet - 10 de Julho de 2026 | 08h 30
Deserto de ideias
Foto: Divulgação - NASA

Faltam menos de 90 dias para a realização das eleições presidenciais. Tudo bem que a Copa do Mundo está aí na praça e os festejos juninos – no Nordeste – acabaram há pouco. No Sul/Sudeste, vive-se o tradicional período de férias, inclusive escolares. Mas nada disso é justificativa para o deserto de ideias que, mais uma vez, marca as eleições presidenciais brasileiras. Reitere-se: faltam menos de três meses para o eleitor se debruçar sobre a urna eletrônica.

Desafios regionais, nacionais e globais não faltam. Antigos problemas permanecem à espera de soluções que não são, sequer, discutidas. Questões inéditas vão surgindo, produzindo contundentes efeitos sobre a realidade, mas não são incorporadas à agenda política, menos ainda à das políticas públicas. Agenda de desenvolvimento, então, tornou-se luxo, despropósito em tempos de ultraliberalismo hidrófobo.

Observe-se que o mundo anda de pernas para o ar. O multilateralismo é posto em xeque por um combo de nacionalismos xenófobos, totalitários, beligerantes, teocêntricos, irracionais. Junto com o multilateralismo, afunda a outrora festejada globalização. Com ela, rui o liberalismo tradicional – o famigerado neoliberalismo -, que cede espaço a um pseudo ultraliberalismo fundamentalista, inconsequente.

Nos Estados Unidos, um presidente visivelmente senil invade países, começa guerras e não consegue encerrá-las, saqueia, pirateia, produz instabilidades que – queiram ou não – afetam a economia mundial com incertezas em profusão, além de mortes injustificáveis. Agora, volta-se suas atenções para o Brasil, manifestando nítida simpatia por um candidato – Flávio Bolsonaro, o filho do “mito” – e operando tarifas como instrumento de pressão sobre os brasileiros.

Para além do cenário, há urgências incontáveis. Como lidar e mitigar os efeitos das mudanças climáticas, por exemplo? De que maneira o País vai conviver com as avassaladoras transformações provocadas pelos avanços tecnológicos, particularmente a Inteligência Artificial? Quando a Educação Básica vai se tornar prioridade, de fato? E os desafios colocados para a Saúde em uma nação que envelhece aceleradamente? Enfim, há muitas urgências.

De imediato, há problemas fiscais que não poderão ser retardados por muito mais tempo. Como se distribuirá um eventual ajuste? Quais segmentos da sociedade arcarão com o ônus maior? Presidente do Brasil e pré-candidato à reeleição, Lula (PT) desconversa ou tangencia o tema. E Flávio Bolsonaro? Afora livrar o pai da condenação por tentativa de Golpe de Estado, não tem uma mísera proposta consistente.

A questão fiscal ganhou um quê de polarização, junto com a pauta de costumes. De um lado, alinham-se alguns que acreditam que os governos podem gastar como se não houvesse amanhã; do outro lado, estão impenitentes fiscalistas que desejam despejar o peso do ajuste sobre os ombros dos mais pobres. Trava-se, então, um disputa renhida, onde sensatez é artigo raro.

Com os juros estratosféricos, o Brasil torra mais de um trilhão de reais todo ano rolando dívida. A redução do déficit produziria indiscutíveis efeitos benéficos, reduzindo as taxas de juros. Mas sobre quem recairia o ônus da redução das despesas? A questão, aí, deixa de ser técnica, para transitar pelo pantanoso solo da economia política. Mas é algo que vai ter que se enfrentado logo à frente.

Afora todos os outros problemas...



 



André Pomponet LEIA TAMBÉM

Charge da Semana

Charge do Borega

As mais lidas hoje