Há décadas se comenta, no Brasil, sobre o acesso desigual de mulheres ao mercado de trabalho. Na média, elas possuem maior escolaridade, mas ganham menos que os homens e costumam estar menos presentes em funções de chefia e em cargos mais prestigiosos. A realidade que se verifica em nível de País também está presente na Feira de Santana. As informações foram extraídas do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE.
A taxa de frequência escolar por sexo e grupo de idade é mais ou menos homogênea até a faixa etária de 15 a 17 anos. O ápice da frequência – em ambos os sexos – se dá entre os 6 e os 14 anos, que é acima de 97%; depois, declina para 85% entre os 15 e os 17 anos, também em relação a ambos os sexos.
A diferença começa na faixa dos 18 aos 24 anos: 33,4% das mulheres permanecem estudando, enquanto apenas 28,3% dos homens continuam na sala de aula. Entre quem tem mais de 25 anos a diferença diminui, mas elas seguem à frente: 6,8% a 5,6%. A persistência feminina nos estudos se reflete na maior escolaridade de gênero.
Cerca de 60% das mulheres feirenses com idade superior a 18 anos possui, pelo menos, 11 anos de estudo. Elas se dividem entre quem tem nível superior (17%) e médio completo ou superior incompleto (42,8%). São mais de 150 mil mulheres, segundo o Censo 2022. Outras 34,7 mil (13,6%) tem fundamental completo e médio incompleto e 67,5 mil (26,5%) não concluíram o fundamental ou não foram alfabetizadas.
Os homens com mais de 11 anos de estudo, por sua vez, pouco ultrapassam os 50% entre aqueles com 18 anos ou mais de idade: 11,3% possuem o superior completo e outros 40,2% completaram o ensino médio e/ou não concluíram o superior. Isso corresponde a cerca de 104 mil homens. Com o fundamental completo ou com ensino médio incompleto eles somam 16,3% (34,5 mil) e sem instrução ou com fundamental incompleto eles totalizam 67,8 mil ou 32,1%.
Mais numerosas, as mulheres possuem nível de escolaridade mais elevado que os homens, conforme os números atestam. Mas recebem remuneração, percentualmente, menor que as dos homens. Existe uma única exceção: mulheres militares, cujos ganhos somam 143,2% da remuneração masculina. Na categoria do IBGE, enquadram-se militares de todas as forças, incluindo bombeiros.
Na média total, as mulheres recebem apenas 79,1% da remuneração dos homens. Quando se analisa por categoria, o cenário se repete: emprego no setor privado (84,3%), trabalho doméstico (94,1%), setor público (73,8%), empresas estatais (77,7%) empregador (76,3%) ou conta própria (74,2%) remuneram as mulheres, invariavelmente, de maneira desfavorável em relação aos homens, como se vê.
O que explica as mulheres mais bem remuneradas no setor militar? Provavelmente patentes mais elevadas e quantidade feminina menor no segmento. Mais isso precisa de verificação empírica. Nos demais segmentos, verifica-se o padrão que atravessa décadas com avanços relativos muito lentos, mesmo com as mulheres obtendo qualificação crescente.
Em suma, o mercado de trabalho na Feira de Santana espelha a mesma discrepância de remuneração entre os sexos, observável no Brasil...