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  • Feira de Santana, quinta, 18 de junho de 2026

Valdomiro Silva

Depois da Arena Fonte Nova, Wagner sofre outro mandado de busca e apreensão

VALDOMIRO SILVA - 18 de Junho de 2026 | 20h 24
Depois da Arena Fonte Nova, Wagner sofre outro mandado de busca e apreensão
Foto: José Cruz/Agência Brasil

Em fevereiro de 2018, o atual senador Jaques Wagner foi alvo de seu primeiro mandado de busca e apreensão. A ação foi expedida pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1). Era a Operação Cartão Vermelho, que investigava desvios financeiros na reconstrução da Arena Fonte Nova, para a Copa do Mundo no Brasil, em 2014. Ele era o governador da Bahia, no período das obras. O objetivo do mandado: localizar e apreender provas complementares dos desvios nas contratações públicas, do pagamento de propinas e da lavagem de dinheiro.

Prepostos da Superintendência da Polícia Federal no Estado adentraram à residência do ex-chefe do Poder Executivo para investigar suposta propina em seu favor no valor de R$ 82 milhões, dos cerca de R$ 450 milhões que teriam sido desviados da construção do estádio. Wagner fora citado em delações da Odebrecht. Havia indícios de seu envolvimento no esquema em material apreendido na OAS. "Verificamos que, de fato, (Wagner) recebeu boa parte do valor desviado do superfaturado para pagamento de campanha eleitoral e de propina”, disse à época a chefe da Delegacia de Combate à Corrupção, Luciana Matutino. 

As inúmeras reportagens sobre o assunto registram que, de acordo apurações feitas pela PF, as irregularidades beneficiaram o consórcio Fonte Nova Participações (FNP) – formado pelas empresas Odebrecht e OAS em serviços de demolição, reconstrução e gestão da praça esportiva. Laudo pericial da PF informava "pode ter resultado em superfaturamento, em valores corrigidos, superiores a R$ 450 milhões e grande parte desses recursos teve como destino o pagamento de propina e financiamento de campanhas eleitorais".

Conforme a delegada, dois intermediários "que participaram do esquema" também foram alvo de busca. Um deles, o então secretário da Casa Civil do Governo do Estado, Bruno Dauster. O outro, cujo nome não foi mencionado, seria "um empresário muito próximo do então governador”. A pericia técnica, disse a autoridade policial, "viu que não só a licitação era direcionada, como os valores eram superfaturados". Muito grave.

Nesta quinta, oito anos depois, o agora líder do governo Lula no Senado foi alvo de outro mandado de busca e apreensão. É a Operação Compliance Zero, também da Polícia Federal, relacionada ao escândalo do Banco Master, de Daniel Vorcaro, que se encontra preso há meses. A ação da PF envolveu também o empresário Augusto Lima, ex-sócio da instituição financeira. Autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, a medida determinou a suspensão de passaportes e a proibição de contato entre os investigados.

A ação ocorreu na Bahia, Brasília e São Paulo - na capital federal, os agentes foram ao Brasília Palace Hotel, onde mora Jaques Wagner, apontado como "beneficiário central de pagamentos, benefícios e aquisições patrimoniais vinculados a Augusto Lima ou ao Banco Master, por intermédio de familiares e pessoas de confiança". Uma dessas aquisições seria um apartamento de R$ 2,4 milhões em Salvador, além de pagamentos e repasses de mais de R$ 5 milhões à BN Financeira, ligada a familiares do parlamentar. 

Informa a Agência Brasil que os agentes também apuram a atuação de Wagner no Senado em temas de interesse do Banco Master: crédito consignado, aumento do limite de cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Créditos), fiscalização e controle da operação de aquisição do Banco Master pelo BRB. Há registros de mensagens, áudios, chamadas de voz, além de encontros presenciais, viagens em jatinhos particulares e interações familiares, entre o senador e Augusto Lima.

No caso Arena Fonte Nova, o PT classificou o episódio como “campanha de perseguição contra o Partido dos Trabalhadores e suas principais lideranças”. A presidente do partido, Gleisi Hoffmann, argumentou à época que “setores do sistema judicial abusam da autoridade para tentar criminalizar o PT". Campanha de perseguição, Gleisi? Conta outra.  

divulgou em nota que tem confiança no senador e que ele "esclarecerá todos os fatos, comprovando a sua inocência". Não dá para afirmar que Wagner é culpado, até que ele seja julgado. Mas a legenda não tem em seus quadros uma "Mãe Dinah" capaz de prever, e afirmar, que investigados da Polícia Federal jamais fizeram nada de errado. Nesse caso, a PF deve estar brincando de fazer operações. Nos poupe! 

Em se tratando de mandados de busca e apreensão, Wagner está próximo de pedir música ao Fantástico. Ele que se cuide, pois o cerco está se fechando cada vez mais.



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