A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF),
votou pela condenação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), por crime de
difamação contra a deputada Tabata Amaral (PSB-SP). A magistrada acompanhou,
integralmente, o posicionamento do relator do processo, ministro Alexandre de
Moraes.
Ambos entenderam que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro deve ser condenado a um ano de prisão,
em regime aberto. O processo foi movido após o ex-parlamentar realizar uma
postagem nas redes sociais.
Na ocasião, Eduardo Bolsonaro afirmou que o Projeto de Lei (PL) proposto por Tabata Amaral,
com o objetivo de assegurar a distribuição gratuita de absorventes íntimos para
a população, visava atender interesses empresariais de "seu mentor-patrocinador
Jorge Paulo Lemann", que é acionista de uma companhia que fabrica produtos
de higiene pessoal.
Ao votar pela condenação, Alexandre de Moraes argumentou que a
difamação contra a parlamentar paulista ficou configurada. O caso está sendo julgado pelo plenário
virtual do STF. Até o momento, são dois votos favoráveis à condenação. O
prazo final para o julgamento é 28 de abril. Faltam os votos de oito ministros.
Durante a tramitação da ação penal,
a defesa de Eduardo Bolsonaro disse que as declarações foram feitas no âmbito
da imunidade parlamentar. Na noite desta segunda-feira (20), via redes sociais, o ex-deputado
publicou imagens do casamento de Tabata Amaral com João Campos, prefeito de
Recife, capital pernambucana.
Nas fotos da cerimônia, é possível ver o ministro Alexandre
de Moraes, que participou como convidado. "Na mesma imagem, a autora do
processo contra mim (Tabata) e o 'juiz' (Moraes) que me condenou a um ano de
prisão + multa, tudo no casamento dela!", escreveu.
Além disso, o réu insinuou que sua condenação ocorreu por
motivos de laços pessoais entre os atores que figuram na ação penal. "Isso
que se tornou o Brasil com a associação Lula-Moraes. Já imaginou ser condenado
por um juiz amigo daquela que te processa?", declarou.
Tabata Amaral não se manifestou
publicamente sobre o andamento da votação no STF nem sobre as acusações do ex-parlamentar.
Eduardo Bolsonaro segue
nos Estados Unidos, para onde fugiu, em 2025. Por não ter retornado ao Brasil,
ele perdeu o mandato parlamentar, por acúmulo de faltas, uma vez que abandonou
as sessões legislativas da Câmara dos Deputados.