Recém-empossado no cargo, o
ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, disse não ver com bons
olhos a possibilidade de o Governo Federal implementar políticas de desoneração
para compensar setores que, eventualmente, possam ser prejudicados pela redução
da atual jornada semanal de seis dias de trabalho.
Nesta quinta-feira (16), durante um café da manhã com
jornalistas, o gestor enfatizou que “sempre se tenta empurrar mais políticas de
desoneração no Congresso Nacional”. Ele destacou que “isso não deu certo em
outras situações”, como no governo de Dilma Rousseff (PT). “O Brasil não pode
seguir esse caminho”, alertou.
Para o ministro, o comprometimento de receitas, visando à
desoneração de setores, pode colocar em risco o equilíbrio federativo. No
entanto, ele garantiu que o Governo Federal estará sempre disposto a sentar à
mesa, com o intuito de negociar, inclusive, sobre a possibilidade de haver
algum período de transição, desde que curto, para a implementação da nova
regra.
José Guimarães observou, ainda, que nunca se votou matéria polêmica sem
que as partes cedam. “É possível discutirmos isso, mas esse debate terá de ser
feito no Congresso Nacional”, frisou, salientando que, “na política, você tem
de fazer negociações no fio da navalha, mas sem mudar de lado”.
Jornada desumana – O ministro disse que percebe, de forma quase
consensual, no Congresso Nacional, “uma visão de que essa jornada desumana tem
de acabar”, possibilitando, ao trabalhador, pelo menos, dois dias de descanso
semanal.
Segundo ele, o governo pretende aproveitar que maio é o mês
do trabalhador para dar mais força ao debate. Também informou que já estão
agendadas, para os próximos dias, reuniões com os presidentes das duas casas
legislativas, inclusive, para definir se a matéria avançará por meio de Proposta
de Emenda à Constituição (PEC) ou Projeto de Lei (PL). “Obviamente, o
presidente Lula considera que, por meio de Projeto de Lei, será mais fácil
votar a matéria”, ressaltou.
Pedido de vista – Na avaliação do ministro, o pedido de
vista, feito pela oposição, à matéria que prevê o fim da jornada 6 por 1, na
Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, demonstra a
falta de compromisso com a aprovação da medida. “Se quisessem votar, tinham de deixar votar. Isso mostra que a oposição e
Flávio Bolsonaro não têm o compromisso de aprovar. Mas vamos sentar com Hugo
Motta para resolver”, informou, referindo-se ao presidente da Câmara.
Prioridades – Além disso, Guimarães apresentou aos
jornalistas algumas das prioridades de sua pasta, tanto nas relações com o
Poder Legislativo quanto no que tange aos entes federados. Segundo ele, “tudo
que for ao Congresso Nacional”, passará, antes, pela sua secretaria, de forma a
dar unidade às propostas e prioridades do Governo Federal.
O gestor lembrou que a SRI tem duas missões centrais: a
articulação com o Congresso Nacional e a relação com os entes federados. Ele
destacou que o Congresso é a “prioridade das prioridades” e que ninguém governa
sem uma relação saudável com o Legislativo.
Bets e endividamento – José Guimarães disse, ainda, que o Governo
Federal está especialmente preocupado com duas questões que estão, de certa
forma, relacionadas: o endividamento das famílias e a falta de regulamentação
das apostas online, as chamadas bets.
Tendo por base as conversas que ele
já vinha mantendo com parlamentares, o ministro afirmou que vê uma maioria, no
Congresso Nacional, disposta a regulamentar a atividade. “O governo está preparando um
conjunto de medidas para enfrentar este que é um dos piores males da
atualidade, até pela relação que tem com o endividamento das famílias. Tributar
já pode ser um grande passo”, antecipou.
Sobre a Selic, marcador da taxa básica de juros, ele disse
que, na avaliação de Guimarães, é algo que prejudica, ainda mais, as famílias
endividadas. Conforme o ministro, o Banco Central (BC) “perdeu oportunidades de
reduzi-los, diante de um cenário de inflação baixa para os níveis históricos”.
PL dos aplicativos – José Guimarães declarou, também, que o PL
dos aplicativos não avançou, na instancia legislativa, por total falta de
acordo entre as partes, o que abrange plataformas e entregadores.
Segundo ele, ao contrário do que diz a oposição, este é o real
motivo de a matéria não ter sido votada. “Claro que a oposição se aproveita
disso para acusar o governo de prejudicar motoristas de aplicativo. Mas a
verdade é que quem não quis votar foram as partes envolvidas. Não foi o
governo”, observou, ressaltando que, provavelmente, essa matéria só será votada
após as eleições.
*Com informações da
Agência Brasil.