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Segurança

Espião de Vorcaro, ‘Sicário’ tenta suicídio na Superintendência Regional da Polícia Federal, em Minas Gerais

04 de Março de 2026 | 18h 11
Espião de Vorcaro, ‘Sicário’ tenta suicídio na Superintendência Regional da Polícia Federal, em Minas Gerais
Foto: Reprodução/PMMG

A Polícia Federal (PF) informou, há pouco, que Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, identificado com o apelido de “Sicário” em mensagens trocadas com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, atentou contra a própria vida, enquanto se encontrava sob custódia na Superintendência Regional da Polícia Federal, em Minas Gerais (MG).

Ele foi preso, juntamente com Vorcaro, na manhã desta quarta-feira (4), durante a deflagração da terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga o esquema que já vem sendo apontado como a maior de fraude financeira praticada no Brasil.

Por meio de nota, a corporação detalhou que “ao tomarem conhecimento da situação, policiais federais que estavam no local prestaram socorro imediato, iniciando procedimentos de reanimação e acionando o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu)”.

A PF enfatizou, ainda, que “a equipe médica deu continuidade ao atendimento no local e o custodiado será encaminhado a rede hospitalar para avaliação e atendimento médico”.

O incidente foi comunicado ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). Conforme a PF, todas as gravações em vídeo, que demonstram a dinâmica do fato, serão entregues à Suprema Corte. Além disso, a corporação ressaltou que um procedimento investigativo será aberto, a  fim de esclarecer as circunstâncias do fato.

Espião de Vorcaro – Conforme os autos do processo, Luiz Phillipi Mourão exercia um papel importante na organização criminosa liderada por Vorcaro. A ordem de detenção partiu de Mendonça, em atendimento ao pedido feito pela Polícia Federal.

O magistrado aponta que ‘Sicário’ desempenhava um papel de espião. Ele seria responsável por coordenar ações de vigilância, levantar informações e acompanhar pessoas consideradas rivais ou críticas ao banqueiro.

Em conversas analisadas pela PF, ele aparece como articulador das atividades do grupo, que, em troca de mensagens entre os supostos cúmplices, é denominado de “A Turma”. Formavam parte da articulação pessoas próximas ao banqueiro e integrantes com experiência na área de segurança.

As mensagens interceptadas pela PF indicam, ainda, que a quadrilha teria financiamento mensal de cerca de R$ 1 milhão. O valor seria destinado ao custeio das atividades de monitoramento e remuneração de envolvidos.

Em sua decisão, Mendonça também citou diálogos em que “Sicário” afirma que os recursos eram repassados por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, e, posteriormente, distribuídos entre os integrantes da organização.

O magistrado destaca, ainda, que a investigação aponta a participação do policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva. Para a PF, toda a estrutura sugere a existência de uma rede privada de vigilância e pressão, cuja finalidade era coletar informações e espionar pessoas ligadas às investigações sobre o Master.

Além disso, o magistrado cita indícios de tentativa de interferência nas apurações, o que teria motivado as medidas cautelares determinadas pelo STF.

Os envolvidos estão sendo acusados de cometer crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos envolvendo integrantes do grupo ligado ao banqueiro.

Mendonça também determinou o bloqueio de bens dos investigados. O montante pode chegar a R$ 22 bilhões. Outras ordens judiciais estão sendo cumpridas contra demais suspeitos de participação na organização criminosa.



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