Os familiares de Mãe Bernadete, liderança quilombola assassinada no dia 17 de agosto de 2023, em Simões Filho, cidade localizada na Região Metropolitana de Salvador (RMS), foram indenizados pelo Estado da Bahia.
A Procuradoria-Geral do Estado (PGE) informou que o valor pago é confidencial. Um pacto firmado entre
o Estado, a União e a família da vítima permitiu a reparação.
O acordo extrajudicial foi intermediado pela Secretaria de
Justiça e Direitos Humanos. Segundo a procuradora Mariana Oliveira, a solução representa
"uma forma concreta de reconhecer a gravidade do ocorrido".
Assassinato – Mãe Bernadete, que integrava a Coordenação Nacional de
Articulação de Quilombos, foi executada com 22 tiros, na frente dos netos, no
interior de sua residência, situada no Quilombo Pitanga dos Palmares.
O inquérito apontou que o crime foi motivado por disputas
territoriais e pela atuação da ativista contra o uso do quilombo por grupos
criminosos. Seis anos antes de ser morta, a própria Mãe Bernadete foi vítima de
outra tragédia. Seu filho, Binho do Quilombo, também fora executado a tiros.
Para Jurandy Pacífico, outro também filho da líder
quilombola, o acordo com o Estado tem caráter simbólico e de proteção. Além da
indenização, o pacto prevê a realização de um ato público em homenagem a Mãe
Bernadete, que era defensora dos direitos humanos, da liberdade religiosa e da
diversidade cultural.
Dois acusados do crime, Arielson da Conceição Santos, preso
preventivamente, e Marílio dos Santos, foragido, vão a júri popular. O
julgamento está marcado para começar no próximo dia 24 de fevereiro.
*Com informações da
Agência Brasil.