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  • Feira de Santana, sexta, 06 de fevereiro de 2026

César Oliveira

Sinalização precária das ruas de Feira causa risco e estresse

César Oliveira - 04 de Fevereiro de 2026 | 07h 55
Sinalização precária das ruas de Feira causa risco e estresse
Avenida Sampaio, sem sinalização para o trânsito

A neurociência já comprovou que o indivíduo é esculpido pelo meio em que está inserido. O cérebro humano não apenas reflete, mas é moldado pelo ambiente através da neuroplasticidade — capacidade cerebral de se adaptar e formar novas conexões sinápticas em resposta a estímulos e experiências. Nesse sentido, a psicologia ambiental demonstra que o espaço físico condiciona escolhas e hábitos de forma consciente e inconsciente. Enquanto cenários ricos em estímulos positivos estimulam a criatividade e o bem-estar, ambientes hostis ou negligenciados podem desencadear inflamação, estresse crônico e alterações cognitivas.

Dentro deste panorama, a sinalização urbana revela-se vital para a saúde coletiva. Ela vai além da logística: protege os vulneráveis, organiza o fluxo de veículos e pessoas e reduz acidentes. Sobretudo, ela atua como regulador emocional externo, evitando o desgaste mental e incentivando a conformidade com as leis de trânsito.

Por outro lado, a precariedade visual mergulha o cidadão em um estado de hipervigilância. Quando o córtex cerebral é sobrecarregado pela incerteza, o cérebro dispara sinais constantes de alerta, transformando o espaço público em um cenário de desconforto  e medo. Socialmente, a falta de diretrizes visuais claras atua como um agente desagregador. Onde impera a desordem, instala-se a percepção de negligência estatal, o que fomenta o desrespeito e  agressividade.

Em contraste, ruas bem sinalizadas transmitem mensagens de cuidado e valorização, permitindo que o cérebro opere em estado de segurança e previsibilidade, mitigando fenômenos como a "fúria do trânsito". Portanto, a sinalização não é apenas  ferramenta logística; é uma intervenção de neuroarquitetura essencial para criar um tecido urbano mais saudável, humano e acolhedor.

Em Feira de Santana, entretanto, a realidade caminha na contramão desses conceitos. A sinalização é extremamente precária, mesmo nas principais vias do centro. Muitas faixas de pedestres estão absurdamente  apagadas, diversas ruas não tem nenhuma sinalização de trânsito, cruzamentos estão sem ordenação visual e a  sinalização aérea- mesmo  que mais constante- ainda é deficiente.  A identificação das ruas, muitas vezes limitada a placas enferrujadas- ou ausentes-  sugere abandono.

A sensação transmitida ao feirense é de forte descuido e desorganização. A atual condição da sinalização urbana de Feira de Santana ignora o impacto direto que o ambiente exerce sobre a saúde mental e física da população, evidenciando a urgência de intervenções baseadas em conhecimento do comportamento das pessoas para devolver à cidade o seu caráter humano e acolhedor.



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