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Segurança

Turista gaúcha presa por injúria racial, em Salvador, é liberada, após passar por audiência de custódia

23 de Janeiro de 2026 | 18h 31
Turista gaúcha presa por injúria racial, em Salvador, é liberada, após passar por audiência de custódia
Foto: Reprodução/Redes Sociais

Proveniente do Rio Grande do Sul, a turista que foi detida, em Salvador, por envolvimento em um caso de injúria racial foi liberada, nesta sexta-feira (23), após passar por audiência de custódia.

A mulher, de 50 anos, identificada como Gisele Madrid Spencer Cesar, foi presa na última quarta-feira (21), após proferir ofensas de teor racista contra uma vendedora ambulante.

Segundo testemunhas, a suspeita também teria cuspido na vítima e gritado que era branca, numa tentativa de demonstrar suposta superioridade racial. O incidente aconteceu no Pelourinho, no Centro Histórico da capital baiana.

Durante a audiência de custódia, a defesa da acusada solicitou o relaxamento da prisão, alegando ausência de materialidade da injúria racial e falta de demonstração de flagrância.

O Poder Judiciário entendeu, entretanto, que ambas as coisas estavam suficientemente demonstradas, por elementos colhidos na investigação.

O Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA), por sua vez, requereu a liberdade provisória da suposta autora dos fatos. A Justiça, então, determinou a soltura, mas mediante cumprimento de medidas cautelares. Com isto, a acusada está obrigada:

 

- a comparecer a todos os atos do processo, desde que intimada, devendo manter seu endereço atualizado nos autos do processo;

- a comparecer, bimestralmente, em Juízo, por um ano, a partir de hoje, para informar e justificar suas atividades;

- proibida de se ausentar da Comarca de Porto Alegre, por período superior a dez dias, sem autorização judicial;

- proibida de acessar ou frequentar a Praça das Artes, situada no Pelourinho, em Salvador;

- proibida de manter contato com a vítima e as testemunhas.

 

O CRIME – O inquérito aponta que o crime aconteceu na Praça das Artes, durante a realização de um evento gratuito. Na ocasião, a vítima, identificada pelo prenome de Hanna, estaria trabalhando no bar do evento quando foi xingada de "lixo" pela suspeita.

Em entrevista à TV Bahia, afiliada da Rede Globo de Televisão em Salvador, a vítima contou que foi ofendida gratuitamente. "Eu fiz uma venda e retirei o balde de um cliente. No momento que eu passei, ela falou: 'vai mais um lixo'. Eu questionei e ela reafirmou que eu era um lixo e deu uma 'escarrada' em mim. Ela correu e eu perdi ela de vista. Ela teve problemas com outras pessoas e o segurança estava tentando tirar ela do evento", detalhou.

De acordo com a comerciante, a turista olhava nos olhos dela e gritava: "Eu sou branca". A prisão foi realizada por agentes da Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa (Decrin).

Após a detenção, a turista foi apresentada na Decrin, onde, segundo a Polícia Civil da Bahia (PCBA), seguiu adotando uma conduta discriminatória. Na unidade, diante das autoridades policiais, ela teria exigido ser atendida por um delegado de pele branca. O caso segue sob investigação.



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