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  • Feira de Santana, ter�a, 13 de janeiro de 2026

Saúde

Instituto Butantan recruta idosos para ensaio clínico de imunizante contra a dengue

13 de Janeiro de 2026 | 17h 34
Instituto Butantan recruta idosos para ensaio clínico de imunizante contra a dengue
Foto: Butantan/Divulgação

O Instituto Butantan recruta, a partir desta terça-feira (13), 767 voluntários, de 60 a 79 anos, para ensaios clínicos com a Butantan-D, vacina que desenvolveu contra a dengue.

Os testes serão realizados ao longo de 2026, em quatro centros de pesquisa situados em Porto Alegre e Pelotas, no Rio Grande do Sul (RS), e um em Curitiba, no Paraná (PR). Participam, ainda, 230 adultos de 40 a 59 anos, como grupo controle, em cinco centros de pesquisa no RS e PR.

Os 997 participantes do sexo masculino ou feminino precisam estar saudáveis ou com comorbidades controladas. Será feito um sorteio entre os idosos, para recebimento da vacina (690 participantes) ou do placebo (77 participantes), enquanto os 230 adultos (de 40 a 59 anos) receberão a vacina, sem sorteio para grupo placebo.

Conforme o Butantan, o objetivo dessa fase do estudo é avaliar a segurança e comparar a resposta imunológica, por meio de testes laboratoriais, a fim de entender se a produção de anticorpos dos participantes idosos é semelhante à do grupo adulto já acompanhado nos estudos anteriores da Butantan-DV.

O recrutamento começa no Hospital São Lucas da Pontifícia Universidade do Rio Grande do Sul (PUCRS), em Porto Alegre (RS). Os interessados podem se inscrever, preenchendo um questionário.

Em seguida, as inscrições ocorrerão nos outros quatro centros: o Hospital Moinhos de Vento e o Núcleo de Pesquisa Clínica do Rio Grande do Sul (PUCRS), ambos na capital gaúcha; o Hospital Escola da Universidade Federal de Pelotas (HEUFPEL/Ebserh), em Pelotas (RS); e o Serviço de Infectologia e Controle de Infecção Hospitalar de Curitiba (PR).

Segundo a diretora médica do Butantan, Fernanda Boulos, “a faixa etária de maiores de 60 anos está entre as mais impactadas pela morbidade da dengue”. Em função disso, o instituto considera “de suma importância que tal faixa etária tenha a oportunidade de se proteger através da vacinação”. Ela diz que “este é o objetivo primordial deste estudo: garantir a segurança para que pessoas entre 60 e 79 anos possam receber a Butantan-DV”.

O gestor médico de desenvolvimento clínico do Butantan, Érique Miranda, destaca que a maioria dos participantes da pesquisa terá que fazer apenas quatro visitas ao centro, durante o ensaio clínico. A ideia é fazer um estudo ‘enxuto’, para facilitar a participação das pessoas. “A primeira visita já é para tomar a vacina, com retorno em 22 dias; depois, em 42 dias; e, um ano depois da vacinação, para coleta de sangue. Inicialmente, 56 idosos terão que fazer mais visitas para coleta de exames de viremia. É um estudo enxuto, para facilitar a participação das pessoas”, explicou.

Miranda destacou que o Paraná e o Rio Grande do Sul foram escolhidos para o teste por serem centros de baixa prevalência de casos de dengue, com 5 a 10% de casos, e que teria uma soroprevalência de até 20%, sendo um bom controle.

Também foram avaliadas as possibilidades de incluir regiões com grande parte da população já expostas à dengue, como Recife (PE), Salvador (BA), Rio de Janeiro (RJ) e Natal (RN). Entretanto, a presença de anticorpos da doença no sangue poderia influenciar os resultados.

A vacina – A Butantan-DV foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no dia 26 de novembro de 2025, para ser utilizada na população brasileira de 12 a 59 anos.

Com dose única, o imunizante foi incorporado ao Programa Nacional de Imunizações (PNI) e o Ministério da Saúde (MS) já adquiriu as primeiras 1,3 milhão de doses fabricadas pelo Butantan. Elas serão destinadas a agentes de saúde e a pessoas com 59 anos, com expansão gradual para as demais faixas etárias, até chegar ao público de 15 anos.

Uma parte dessas doses será aplicada pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a partir de 17 de janeiro, nas cidades de Maranguape (CE) e Nova Lima (MG), e Botucatu (SP), na população entre 15 e 59 anos.

A estratégia visa avaliar os resultados da vacinação em massa da população desses municípios. O objetivo é vacinar pelo menos 50% dos moradores. “Vários estudiosos apontam a possibilidade de uma alta capacidade de controle da infecção e do quadro epidêmico da dengue se a gente chegar entre 40% e 50% da população vacinada. Vamos começar a vacinação nessas cidades para acompanhar o impacto que isso tem. Vamos acompanhar isso por um período de anos, para avaliar aquilo que pode ser uma parte importante da estratégia do resultado da aceleração da vacinação no país”, explicou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante cerimônia de assinatura de contrato para compra de vacina da dengue do Butantan, em dezembro do ano passado.

Os ensaios clínicos da Butantan-DV foram encerrados em junho de 2024, quando o último participante completou 5 anos de acompanhamento. Os dados mostraram 79,6% de eficácia geral para prevenir casos de dengue sintomática.

Além disso, mostraram uma proteção de 89% contra dengue grave e dengue com sinais de alarme. A vacina mostrou 74,7% de eficácia geral e 91,6% de eficácia contra dengue grave e com sinais de alarme no público de 12 a 59 anos.

Arbovirose – A dengue é uma arbovirose causada por um vírus transmitido pelo mosquito Aedes aegypti. Os sintomas mais comuns da doença são febre alta, dor atrás dos olhos, dor no corpo, manchas avermelhadas na pele, coceira, náuseas e dores musculares e articulares.

Uma das principais formas de prevenção da doença é o combate ao mosquito transmissor. Isso pode ser feito eliminando água parada ou objetos que acumulem água, como pratos de plantas, cascas de coco ou pneus usados.

 

 

 

 




*Com informações da Agência Brasil.



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