O Banco Central (BC) concordou que o Tribunal de Contas da União (TCU) realize uma inspeção sobre o processo de liquidação extrajudicial do Banco Master. A informação foi divulgada, nesta segunda-feira (12), pelo ministro Vital do Rêgo, presidente do órgão regulador.
O ministro se reuniu, esta tarde, com o presidente do BC, Gabriel Galípolo. Na ocasião, ele disse que a autoridade monetária garantiu acesso aos documentos que fundamentaram a decisão.
De acordo com Vital do Rêgo, o intuito do encontro foi
esclarecer dúvidas sobre a competência do TCU para atuar no caso e alinhar
procedimentos entre as duas instituições.
O ministro destacou que a inspeção já está em curso e que os documentos do Banco Central
utilizados no processo de liquidação estarão disponíveis para análise da Corte
de Contas. “Hoje, saio do Banco Central profundamente feliz com o
resultado da reunião. Fizemos uma reunião com objetivos claros, de dizimar qualquer
tipo de dúvida sobre a nossa competência”, declarou o presidente do TCU, em coletiva
de imprensa realizada após a reunião.
Vital do Rêgo salientou que o Banco Central manifestou
interesse em obter o “selo de qualidade” do TCU e a segurança jurídica
decorrente da fiscalização. “Esse processo não é apenas administrativo, é
também administrativo e criminal”, observou.
O BC ainda não se manifestou sobre o encontro. A reunião
ocorreu na sede da instituição financeira, após a forte repercussão da decisão
do ministro Jhonatan de Jesus, relator do processo no TCU.
O magistrado havia autorizado, de forma monocrática, uma
inspeção técnica no Banco Central, a fim de apurar a atuação da autoridade
monetária na liquidação do Banco Master. O BC recorreu da decisão e o ministro
acabou suspendendo a medida. O caso
foi, então, encaminhado ao plenário do Tribunal de Contas da União.
O Banco Central argumentou, no recurso apresentado ao TCU, que
uma inspeção dessa natureza não poderia ser autorizada, pelo relator, em
caráter individual. Também alegou que a decisão deveria passar pelo colegiado
do órgão regulador.
A autoridade monetária sustentou, ainda, que a iniciativa
poderia ultrapassar os limites do controle externo, ao incidir sobre decisões
técnicas de supervisão bancária.
Medida cautelar – Com o
entendimento firmado na reunião de hoje, Vital do Rêgo disse que está afastada
a possibilidade de adoção de uma medida cautelar contra o BC. “O Banco Central entendeu que o TCU
é um colaborador”, frisou.
Conforme o ministro, a Corte de Contas da União não pretende
interferir na decisão de liquidação, e sim analisar os documentos para
verificar a regularidade do processo e conferir maior segurança jurídica. “O
ato de liquidação é um ato administrativo e regulatório. É um modelo técnico
que o TCU está acostumado a analisar”, esclareceu.
Vital do Rêgo reforçou, ainda, que
não cabe ao TCU reverter a liquidação do Banco Master. E enfatizou que eventual
questionamento sobre a decisão, nesse sentido, só poderia ocorrer no âmbito do
Supremo Tribunal Federal (STF).
Calendário – O presidente do órgão
regulador informou, também, que, nos próximos dias, será definido um calendário
de trabalho entre as áreas técnicas do TCU e do Banco Central. A expectativa é
de que a inspeção seja concluída em menos de um mês. “O compromisso da Corte é terminar
esse processo o mais breve possível”, ressaltou.
Além de Vital do Rêgo e Gabriel Galípolo, participaram do
encontro o ministro Jhonatan de Jesus e diretores do Banco Central responsáveis
pelas áreas de Fiscalização, Regulação, Cidadania e Supervisão de Conduta, além
da Secretaria-Executiva da instituição.
Embargos – O caso chegou ao TCU a partir de uma representação do
Ministério Público (MP) junto à Corte de Contas, que solicitou esclarecimentos
sobre os critérios adotados pelo Banco Central para decretar a liquidação do
Banco Master e se alternativas menos drásticas foram consideradas.
Em respostas anteriores, o BC destacou que o conglomerado
liderado pelo banqueiro Daniel Vorcaro enfrentava uma crise aguda de liquidez,
sem recursos suficientes para honrar compromissos com correntistas e
investidores, o que teria tornado a liquidação inevitável.
Agora, caberá ao plenário do TCU julgar os embargos apresentados
pelo Banco Central. A sessão está prevista para a próxima quarta-feira (21),
quando também deverá ser definido o alcance formal da inspeção e da
fiscalização sobre a atuação da autoridade monetária no caso.
*Com informações da
Agência Brasil.