A Justiça dos Estados Unidos reconheceu, nesta quinta-feira (8), a liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada no Brasil. E determinou o bloqueio de ativos da instituição e de suas controladas em território norte-americano.
A decisão foi tomada pelo juiz Scott M. Grossman, da Corte de
Falências do Distrito Sul da Flórida, e representa um reforço à atuação do
Banco Central (BC) no caso. O reconhecimento foi concedido a
pedido da EFB Regimes Especiais de Empresas, nomeada pelo BC como liquidante do
Banco Master.
O magistrado enquadrou a liquidação brasileira como “processo
estrangeiro principal”, nos termos do Chapter 15 da legislação dos Estados
Unidos, o que obriga tribunais e credores americanos a respeitarem o andamento
do processo conduzido no Brasil.
A partir da decisão, ficam
suspensas todas as ações judiciais, execuções de dívidas e qualquer tentativa
de transferência ou movimentação de ativos do Banco Master nos Estados Unidos
fora do controle do liquidante.
A ordem também alcança o LetsBank S.A., o Banco Master de
Investimento S.A. e a Master S.A. Corretora de Câmbio, Títulos e Valores. “Todas
as pessoas e entidades ficam proibidas de transferir, onerar ou de qualquer
outra forma dispor de quaisquer ativos dos devedores localizados nos Estados
Unidos”, escreveu o juiz Scott Grossman, no despacho.
O magistrado rejeitou, ainda, os
pedidos apresentados por Daniel Vorcaro, ex-controlador do Master, que alegava
que a liquidação poderia ser revertida no Brasil, especialmente em razão de
questionamentos no Tribunal de Contas da União (TCU).
Para Grossman, o
processo brasileiro é regular e o liquidante está “devidamente autorizado” a
representar a instituição no exterior. A decisão também concede à EFB amplos
poderes para atuar nos EUA, incluindo a possibilidade de ouvir testemunhas,
produzir provas e requisitar informações sobre ativos, negócios, direitos e
passivos do banco e de suas controladas.
TCU – A decisão ocorreu horas depois de o ministro Jhonatan de
Jesus, do Tribunal de Contas da União (TCU), suspender uma inspeção presencial no Banco Central relacionada à
liquidação do Master. Citando "contornos desproporcionais" após a
"ampla divulgação do caso", o ministro levou o tema para análise do
plenário do tribunal.
O Banco Master teve a liquidação
decretada pelo Banco Central em novembro de 2025, após a rejeição
da proposta de venda ao Banco de Brasília (BRB) e no contexto da Operação
Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PC). A corporação
investiga suspeitas de fraudes financeiras envolvendo a antiga administração da
instituição.
*Com informações da
Agência Brasil.