A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou, nesta quinta-feira (11), por 4 votos a 1, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe de Estado e outros quatro crimes. Ele foi acusado de liderar uma trama golpista para permanecer no poder, após perder as corrida eleitoral de 2022.
É a primeira vez, na História do
Brasil, que um ex-presidente é punido por esse tipo de crime. Seguindo o voto do ministro relator, Alexandre de Moraes, a maioria do
colegiado entendeu que Bolsonaro deveria ser sentenciado pelos crimes de
organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado
Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e
grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado.
Bolsonaro já estava inelegível e cumprindo prisão domiciliar, com uso de
tornozeleira eletrônica, desde o dia 4 de agosto, por ordem de Alexandre de
Moraes. Ele teria descumprido medidas cautelares determinadas pelo STF.
A Suprema Corte condenou, ainda, mais
sete aliados do ex-presidente, na mesma ação penal da trama golpista, pelos
mesmos cinco crimes. A
exceção é o réu Alexandre Ramagem, que foi condenado somente pelos crimes de
organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado
Democrático de Direito e golpe de Estado.
Deputado federal em exercício, Ramagem foi beneficiado com a
suspensão de parte das acusações, por ter foro privilegiado. Ele respondia
somente a três dos cinco crimes imputados aos réus pela Procuradoria-Geral da
República (PGR).
O colegiado chegou ao veredicto após
três dias de julgamento. Além de Moraes, votaram pela condenação de todos os
acusados os ministros Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin.
Na sessão de ontem (10), o ministro
Luiz Fux abriu divergência e absolveu Bolsonaro e mais cinco aliados. Contudo, votou pela condenação do
tenente-coronel e Mauro César Barbosa Cid e do general Walter Souza Braga Netto
somente pelo crime de abolição do Estado Democrático de Direito.
Último voto – O último voto pela condenação dos
acusados foi proferido pelo ministro Cristiano Zanin, que preside o colegiado.
O magistrado também entendeu que os réus fizeram parte de uma organização
criminosa para se manter, ilicitamente, no poder. "As provas dos autos
permitem concluir que os acusados objetivaram romper o Estado Democrático de
Direito, valendo-se, deliberadamente, de concitação expressa a um desejado uso
do poder das Forças Armadas", afirmou.
Dosimetria – Com o fim
da votação que resultou na condenação de Bolsonaro e de seus cúmplices, a Primeira
Turma do STF entrou na fase da dosimetria das penas, isto é, na etapa de quantificação
do tempo de prisão que será imputado a cada réu.
Nessa fase, são avaliadas as
circunstâncias agravantes e atenuantes de cada caso. A partir daí, os demais
ministros votam e a maioria define o que será fixado na decisão final.
Inicialmente prevista para ser anunciada e discutida apenas nesta sexta-feira (12),
último dia do julgamento, essa etapa foi antecipada, como adiantou Zanin, ao
abrir a sessão.
O primeiro a anunciar a pena para cada réu será o ministro relator,
Alexandre de Moraes. Em seguida, os demais magistrados também vão anunciar suas
dosimetrias.
Prisão – A prisão
em função da condenação não vai ocorrer de forma automática. Somente após a análise dos recursos
contra a condenação, as prisões serão efetivadas.
OS RÉUS – A Primeira Turma do Supremo
Tribunal Federal condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL); o general Braga
Netto; o general Augusto Heleno; o almirante Almir Garnier; o tenente-coronel
Mauro Cid, ex-ajudante
de ordens de Bolsonaro; o deputado
federal Alexandre Ramagem; o ex-ministro da Justiça Anderson Torres; e o ex-ministro
da Defesa Paulo Sérgio Nogueira.
Resumo dos votos – Alexandre
de Moraes, Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin votaram pela condenação de
todos os réus pelos
crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do
Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência
e grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado.
Luiz Fux votou pela absolvição de Bolsonaro, Ramagem, Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira,
Anderson Torres e Almir Garnier de todos os crimes. E deliberou pela condenação de Mauro Cid e Braga Netto somente
pelo crime de abolição do Estado Democrático de Direito.
*Com informações da
Agência Brasil e do jornal Estado de Minas.