A Feira de Santana está distante de ser uma das cidades com mais elevados percentuais de Pessoas Com Deficiência (PCD) no Brasil. Ocupa apenas a 3.610ª posição entre as mais de 5,5 mil cidades do País. O percentual da população nesta condição no município totaliza 6,9%. O levantamento é do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, e é referente ao Censo de 2022.
A deficiência, por sexo, é desigual: os homens (7,7%) apresentam mais a condição que as mulheres (6%). No município, a deficiência mais comum é a de enxergar (4%). Na sequência, está a de andar ou subir escadas (2,3%), limitações nas funções mentais (1,29%), pegar pequenos objetos ou abrir garrafas (1,19%) e ouvir (1%). Estas deficiências, por tipo de dificuldade, constam no questionário do censo.
Quanto mais elevada a faixa etária, maior é o percentual de deficiência. O menor índice está entre quem tem até 14 anos (2,6%); na larga faixa etária seguinte (15 aos 59 anos) o percentual sobre para 5,6%. Entre 60 e 69 anos já alcança 14,2%, escalando para 62,3% entre quem tem 100 anos ou mais. Na faixas etárias anteriores – acima de 90 anos – o percentual é superior 50%.
Em relação à cor ou raça, as deficiências são mais comuns em indígenas (10,2%), pretos (7,5%), brancos (6,7%), pardos (6,7%) e, por fim, amarelos (6,2%). O percentual mais elevado entre indígenas provavelmente se deve à amostra reduzida da população, o que tende a acarretar oscilações nos percentuais. Entre os pretos, à desigualdade, já que a população é maior.
Quando se considera o nível de instrução de Pessoas Com Deficiência, 59,5% contam apenas com o fundamental incompleto ou são sem instrução; 12,13% concluíram o fundamental, mas não o ensino médio; 23,37% estão entre o médio completo e o superior incompleto; e só 1,7% tem nível superior completo. O analfabetismo entre quem tem deficiência é alarmante (20,47%), bem acima dos que não enfrentam nenhuma limitação (4,7%).
O autismo está entre as deficiências relatadas no Censo 2022. Aqui na Feira de Santana ele atinge 1,1% da população. Os homens (1,4%) costumam enfrentar mais a doença do que as mulheres (0,8%). Quando o critério é cor ou raça, o autismo se distribui de maneira praticamente uniforme entre pretos, pardos e brancos. Os amarelos – parcela reduzida da população – exibem percentual maior (7%), provavelmente em função da amostra populacional pequena, já mencionada acima.
Em linhas gerais, as informações levantadas no Censo 2022 mostram que pessoas mais pobres, pretas, com menor nível de escolaridade e idosas estão entre as que mais apresentam deficiências. Nada muito divergente do que se vê em outros lugares do Brasil, nem em relação a outros problemas que afligem a população brasileira. Recortes territoriais não estão disponíveis, mas tudo indica que as PCD estão mais presentes nas periferias e bolsões de pobreza.
Os dados mostram que é urgente pensar a questão das pessoas idosas, não apenas na Feira de Santana, mas também na Bahia e no Brasil. A população envelhece rapidamente e não se veem ações que preparem a sociedade para enfrentar esta realidade mais à frente. O perfil das PCD reforça a urgência. Os números do Censo 2022 retratam uma realidade cruel, que vai muito além dos dados estatísticos.