O esquema de espionagem ilegal na Agência Brasileira de Inteligência (Abin), posta em prática durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), monitorou, por engano, um homônimo do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A conclusão consta do relatório final do inquérito sobre a "Abin
Paralela", por meio do qual a
Polícia Federal (PF) indiciou cerca de 30 investigados, dentre eles, o filho do
ex-presidente, Carlos Bolsonaro.
O sigilo do documento foi retirado,
nesta quarta-feira ontem (18), pelo relator do processo, o verdadeiro Alexandre
de Moraes.
De acordo com a PF, o ex-presidente e o filho integraram uma
organização criminosa, com o objetivo de comandar a realização de ações de
espionagem clandestina de opositores.
Jair Bolsonaro não foi indiciado, neste caso, porque já responde
às acusações sobre o uso ilegal da Abin na ação penal que apura a tentativa de
golpe de Estado perpetrada, de acordo com os autos, por ele e seus aliados, em
2022.
Conforme o relatório da Polícia
Federal, o agente de inteligência Thiago Gomes Quinalia fez três pesquisas pelo
nome de Alexandre de Moraes Soares, por meio do sistema de monitoramento FirstMile.
A procura foi feita no dia 19 de maio de 2019.
Na avaliação dos investigadores da corporação, a busca por um
homônimo do ministro foi um erro cometido pelo esquema. "A utilização de
sistemas ilegítimos de consulta, como demonstrado acima, resultava, por vezes,
em números de terminais telefônicos erroneamente associados a alvos. A pesquisa
no sistema FirstMile por homônimo é erro passível de ter sido cometido",
diz o documento elaborado pela PF.
As investigações apontam que foram monitorados, ilegalmente,
o ministro Alexandre de Moraes; os ex-deputados Jean Willys, Rodrigo Maia e
Joyce Hasselmann; o ex-governador de São Paulo, João Dória; e os jornalistas
Leandro Demori e Mônica Bergamo.
Segundo o relatório, a época da
pesquisa coincide com a abertura do inquérito das fake news no STF, que tem Moraes como relator e apura a difusão de
desinformação durante o governo Bolsonaro. "O marco temporal da pesquisa é compatível com a
instauração do inquérito 4.781, em março de 2019, pelo então presidente do STF,
Dias Toffoli. Em 14/05/2019, houve a disponibilização para julgamento de recurso
para suspender a apuração", declara a PF.
O agente responsável pela busca abandonou o cargo. Não há
informações sobre o paradeiro dele. No ano passado, ele foi demitido dos
quadros da Administração Pública.
alegação – Após as conclusões da Polícia Federal,
Carlos Bolsonaro usou as redes sociais para insinuar que o indiciamento tem
motivação política. "Alguém tinha alguma dúvida que a PF do Lula faria
isso comigo? Justificativa? Creio que os senhores já sabem: eleições em 2026?
Acho que não! É só coincidência!", declarou.
*Com informações da
Agência Brasil.