Raptado pela Marinha israelense, na noite do último domingo (8), em águas internacionais próximas à Faixa de Gaza, o internacionalista e ambientalista brasileiro Thiago Ávila, de 38 anos, permanece sob custódia do Estado de Israel, em um centro de detenção. O ativista se recusou a assinar os documentos de deportação impostos pelo governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
Thiago
estava a bordo do veleiro Madleen,
junto com a ambientalista sueca Greta Thunberg, de 22 anos; o ator irlandês
Liam Cunningham; a eurodeputada franco-palestina Rima Hassan; e mais oito ativistas.
Integrantes da coalizão humanitária Flotilha
da Liberdade, eles tentavam furar o bloqueio de Israel para levar
suprimentos e remédios aos palestinos sitiados no enclave, mas foram
interceptados, atacados com substância química desconhecida e detidos.
Segundo a legislação internacional, a ofensiva da Marinha
israelense ao barco e a detenção dos ativistas, que foram inicialmente
transmitidas, em tempo real, por alguns tripulantes, ocorreu de forma ilegal.
De acordo com as autoridades, o brasileiro se recusou a
cumprir o procedimento de deportação por estar sem notícias dos demais
tripulantes do Madleen. O que se
sabe, até o momento, é que ele foi levado a um centro de detenção israelense,
para interrogatório.
Segundo o Estado de Israel, Thiago Ávila deve aguardar por
uma audiência judicial que autorize a sua deportação involuntária.
Repatriada
– O governo
israelense informou, nesta terça-feira (10) que apenas a ativista Greta
Thunberg e mais três membros da Flotilha da Liberdade firmaram os papeis
da deportação. Posteriormente, a sueca foi levada para Tel Aviv, capital de
Israel, e enviada de volta, em voo rumo à França.
Por meio de uma publicação na rede social X, o Ministério das
Relações Exteriores de Israel divulgou duas fotos da jovem, já a bordo de um
avião. “Os passageiros do ‘Iate da Selfie’ chegaram ao Aeroporto Ben Gurion
para embarcarem em Israel e retornarem aos países de origem. Alguns deles devem
partir nas próximas horas. Aqueles que se recusarem a assinar os documentos de
deportação serão levados perante uma autoridade judicial, de acordo com a lei
israelense, para autorizar a deportação”, informa a publicação, em tom irônico,
ao se referir aos ativistas como meras celebridades em busca de visibilidade.
As autoridades israelenses não detalharam se os demais integrantes
do grupo que aceitaram o acordo também foram enviados à França.
O BRASILEIRO – Familiares do brasiliense Thiago
Ávila vem lançando apelos, via redes sociais e imprensa, para que as
autoridades brasileiras e a sociedade pressionem Israel, pedindo pela liberação
dele e dos demais ativistas presos.
A família teme pela integridade física não só de Thiago, mas
de toda a tripulação do Madleen. Ivo
Filho, pai do ambientalista brasileiro, manifestou preocupação. Ele disse que o
filho ficou sem dar notícias por mais de 12 horas, após a interceptação. “Eles
foram colocados em um tipo de barco. Mostra a imagem deles recebendo pão e água
de um soldado. Mas não temos mais notícia alguma”, destacou.