Os cardeais que participarão do conclave para eleger o novo sumo pontífice da Igreja Católica Apostólica Romana começaram a fazer check-in em dois hotéis do Vaticano, nesta terça-feira (6). Eles ficarão impedidos de ter qualquer contato com o mundo exterior até decidirem quem deve suceder o papa Francisco.
O conclave terá
início na tarde de quarta-feira (7). O rito acontece a portas fechadas, na
Capela Sistina. Na ocasião, os cardeais com menos de 80 anos de idade poderão votar
para eleger o próximo líder da instituição religiosa, que congrega 1,4
bilhão de membros, em todo o planeta.
Os religiosos que participarão do conclave não
podem falar sobre o processo de escolha do sucessor Francisco, que morreu no último dia 21 de abril. Se
alguma informação vazar, o responsável pode ser excomungado, isto é, ser expulso
do convívio religioso ou da própria Igreja.
Alguns nomes figuram como
favoritos. Apesar disso, muitos dos 133 cardiais disseram não saber quem será o próximo papa. "Não
tenho nenhum palpite", lamentou o cardeal Robert McElroy, na noite de
ontem, durante visita a paróquia situada em Roma, capital italiana.
Segundo o religioso, que é arcebispo de Washington, o ritual
do conclave é "profundo e misterioso". Questionado, ele disse não
poder dar qualquer "ideia de quem está à frente".
Muitos cardeais buscam um novo papa
que dê seguimento à obra de Francisco, que primou por uma Igreja Católica mais
transparente e acolhedora. Outros,
contudo, buscam um retorno às raízes mais tradicionais e que valorizam a
doutrina.
É comum que conclaves durem vários dias. Isto porque, para se
chegar a papa, é preciso alcançar dois terços dos votos. Para tanto, várias
votações podem ser realizadas, sendo, invariavelmente, uma pela manhã e outra à
tarde.
Durante todo o período do conclave,
os cardeais votantes permanecem em duas hospedarias do Vaticano. Eles fazem o juramento
de que não entrarão em contato com ninguém que não esteja participando do
escrutínio.
O conclave que começa nesta
quarta-feira será o mais diversificado geograficamente, nos 2 mil anos de
história da Igreja Católica. A votação contará com a participação de clérigos
de 70 países.
Isto porque uma das prioridades do pontificado de Francisco era
nomear cardeais de países que nunca os tiveram antes, como Haiti, Sudão do Sul
e Mianmar.
Em entrevista ao jornal La Repubblica, o cardeal japonês Tarcisio Isao
Kikuchi disse que muitos dos 23 cardeais da Ásia que votarão no conclave
planejam escolher em bloco.
Ele contrastou a estratégia deles com a dos 53 cardeais da
Europa, que são conhecidos por votar em termos de países individuais ou outras
preferências pessoais. "Nós, asiáticos, provavelmente, somos mais unânimes
em apoiar um ou dois candidatos... veremos qual nome sairá como o principal
candidato", declarou.
*Com informações da Agência Brasil.