Após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ler, na manhã desta terça-feira (25), o relatório sobre o processamento da denúncia de tentativa de golpe de Estado perpetrada após as Eleições de 2022, a Procuradoria-Geral da República (PGR), reforçou que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) liderou a organização criminosa que tinha por objetivo mantê-lo no poder, mesmo depois do fim de seu mandato.
Seguindo o rito previsto, o titular da PGR, Paulo Gonet, se
manifestou sobre a denúncia contra o chamado “núcleo crucial” do golpe. “A
denúncia retrata acontecimentos protagonizados pelo agora ex-presidente da
República Jair Bolsonaro, que formou com outros civis e militares organização
criminosa que tinha por objetivo gerar ações que garantissem sua continuidade
no poder, independentemente do resultado da eleição presidencial de 2022”,
resumiu.
Segundo a PGR, os atos golpistas
foram coordenados durante anos, tendo sido iniciados em meados de 2021, com um
ataque deliberado às urnas eletrônicas e ao sistema eleitoral. E que culminou
no 8 de Janeiro de 2023, quando apoiadores de Bolsonaro invadiram e depredaram
as sedes dos Três Poderes da República, em Brasília.
Após a manifestação do PGR, as defesas dos oito acusados do
núcleo 1 da trama golpista passaram a fazer suas sustentações orais. A cada
advogado foi dado o tempo de 15 minutos para defender seus clientes.
Em votação rápida, Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes, Luiz
Fux, Flávio Dino e Cármen Lúcia, ministros que compõem a Primeira Turma,
decidiram que as defesas deveriam se manifestar em ordem alfabética, começando
pelo advogado de Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de
Inteligência (Abin).
A Primeira Turma começou
a julgar, hoje, se recebe ou não a parte da denúncia referente ao
chamado “núcleo crucial” do golpe, composto por Bolsonaro e outros sete
militares e civis membros da cúpula do complô.
Relatório – Durante a leitura, Moraes detalhou os
passos tomados desde que a denúncia chegou ao STF, no mês passado. Relator do
caso, ele descreveu, por exemplo, como rejeitou alegações das defesas de que
não teriam acesso pleno às provas dos autos.
O magistrado destacou, ainda, que apresentou “todo um
tutorial” para indicar, a cada defesa, onde se encontravam os arquivos que os
advogados diziam não encontrar, e negou qualquer cerceamento no acesso às
provas.
Alexandre de Moraes também apontou que outras questões
preliminares apresentadas, como os pedidos para que o caso seja remetido à
primeira instância ou ao plenário da Suprema Corte, serão votadas logo após as
sustentações dos advogados.
Núcleo crucial – O Núcleo 1 do processo é composto por
Jair Bolsonaro, ex-presidente da República; Walter Braga Netto, general de
Exército, ex-ministro e vice de Bolsonaro na chapa das eleições de 2022;
General Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional
(GSI); Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin);
Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de segurança do
Distrito Federal; Almir Garnier, ex-comandante da Marinha; Paulo Sérgio
Nogueira, general do Exército e ex-ministro da Defesa; e Mauro Cesar Barbosa Cid,
ex-ajudante de ordens de Bolsonaro e delator, no processo.
Todos foram denunciados pelos crimes de organização criminosa
armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe
de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça contra o patrimônio
público e deterioração do patrimônio tombado. Somadas, as penas superam 30 anos
de cadeia.
Caso a denúncia seja recebida, os
acusados se tornam réus no STF. A partir disso, é aberta uma ação penal,
com nova instrução do processo, sendo ouvidas testemunhas de acusação e de defesa. Somente
após essa nova etapa é que deverá ser marcado um eventual julgamento definitivo
sobre o golpe de Estado.
*Com informações da Agência Brasil.