Diagnosticadas com a doença devem ser encaminhadas ao posto de saúde ou Hospital da Mulher
As mulheres grávidas que contraíram dengue, zika ou chikungunya estão recebendo atenção especial da secretaria de Saúde durante a epidemia dos vírus na cidade, já que há possibilidade de transmissão das doenças para o bebê durante o parto. De acordo com a vigilância epidemiológica, todas as grávidas diagnosticadas com as doenças devem ser encaminhadas ao posto de saúde, ou até mesmo ao Hospital da Mulher, onde passarão por avaliação e atendimento clínico.
De acordo com Charline Portugal, diretora do hospital, o atendimento às grávidas tem sido diário, mas não há ainda uma estatística. "Aqui nós atendemos urgência e emergência, e elas são avaliadas por um obstetra para saber a condição clínica, são orientadas e medicadas se necessário. Além disso, fazemos um monitoramento dessas grávidas, principalmente se estiverem no último trimestre da gestação, pois há um risco delas passarem vírus para o bebê. Ao nascer esta criança só é liberada após um período de observação, para garantir que esteja saudável e não tenha nenhum sintoma da doença", afirma Charline.
A costureira Vanete da Visitação Sena, de 36 anos, está grávida de oito meses do segundo filho. Ela se sentiu mal no último domingo (1), e na segunda precisou ser atendida em um posto de saúde do bairro onde mora, o Feira VII, onde foi diagnosticada com chikungunya.
"Um médico me avaliou e não me deu sequer atestado, eu voltei pra casa. Na terça-feira eu precisei novamente ser atendida, mas desta vez fui na policlínica do Tomba, onde realmente me deram a atenção devida e me encaminharam para o Hospital da Mulher. Estou toda entrevada, as mãos muito inchadas, não estou conseguindo trabalhar. Me solicitaram muito repouso, hidratação e só estou conseguindo tomar paracetamol para as dores, por causa da gravidez", relata.
Para Vanete a possibilidade do filho nascer doente é assustadora. "Eu estou muito preocupada, a sensação é horrível de imaginar que meu filho que até agora está tão saudável na minha barriga, nasça doente. É desesperador", comenta emocionada.
O médico ginecologista e obstetra, Carlos Vinicius Lino, afirma que o atendimento a grávidas doentes tem aumentado bastante, e que os cuidados têm sido redobrados com elas. "Após o curso de aperfeiçoamento no atendimento e manejo clínico de grávidas com chikungunya e dengue, nós pudemos adequar o acolhimento delas em nossa emergência, redobrando a atenção ao seu estado. Independente de qual vírus ela tenha contraído, nós orientamos os cuidados estabelecidos pelo protocolo do Ministério da Saúde para estes casos. Elas precisam de muita hidratação, o uso de medicamentos é adequado a cada estado de dor e condições de saúde da grávida, além de uma atenção especial para as que estão no final da gravidez para que haja a mínima possibilidade de transmissão para o bebê", relata.
O médico aproveita a situação para opinar sobre a percepção de uma transformação social que as epidemias têm causado na cidade. "As medidas pessoais eficazes, e a responsabilidade social de cada um têm sido cada vez mais alcançadas. Isso tem transformado o comportamento da sociedade. Sabemos que hoje as famílias se unem mais para cuidar de seus parentes doentes, os vizinhos se solidarizam em limpar as ruas e evitar o foco do mosquito, precisamos tirar uma lição disso tudo e acredito que haja também um lado positivo, apesar da doença", reflete.